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Imprensa golpista e oposição parlamentar querem domesticar protestos contra Bolsonaro

Os atos antifascistas organizados neste domingo ganhara destaque com a brutal repressão ocorrida em São Paulo, aonde as manifestações em prol de Bolsonaro não tiveram força para ocorrer.

segunda-feira 1º de junho| Edição do dia

Os contra-atos organizados neste domingo ganharam destaque com a brutal repressão ocorrida em São Paulo, aonde as manifestações em prol de Bolsonaro não tiveram força para ocorrer, reunindo cerca de 50 apoiadores. Em Porto Alegre o ato Bolsonarista também foi engolido por uma manifestação antifascista muito maior, e no Rio de Janeiro o bolsonarismo lançou mão da repressão para garantir a costumeira manifestação direitista na orla de Copacabana.

Em Brasília, a manifestação de apoiadores foi convidada para dentro do Alvorada, longe dos jornalistas, e Bolsonaro afirmou "deixa eles lá domingo", sugerindo que seus apoiadores não marquem manifestação no próximo domingo. A crise política combinada com ventos internacionais da luta antirracista nos EUA "riscaram um fósforo" que poderia acender uma fogueira caso as organizações da classe trabalhadora decidissem se somar aos atos contra o crescente autoritarismo de Bolsonaro e de seus ministros militares.

Neste contexto, a imprensa burguesa lança a sua cartada aliada junto a partidos políticos da "direita de oposição" - a oposição política contra Bolsonaro que está à todo tempo regateando e negociando os termos dos ataques contra a classe trabalhadores, e que se unifica a Bolsonaro na hora de reprimir manifestações democráticas como o caso de Doria em São Paulo ou de Witzel no Rio de Janeiro, dois governadores "oposicionistas de situação".

A Folha lançou a cartada do "manifesto Estamos Juntos", e junto à Globo lançou a cobertura dos atos como se fossem "em defesa da democracia" em abstrato. Mas qual é essa democracia que a Folha e a Globo defendem? Segundo matéria da própria Folha, os signatários deste manifesto "vão de socialistas a defensores do estado mínimo", em um movimento que "resgata a cor amarela" - confundindo-se propositalmente tanto com o movimento "Diretas Já" quanto com as manifestações pelo impeachment de Dilma Rousef (que unificaram a imprensa golpista ao Bolsonarismo em 2015 e 2016).

Que democracia pode sair da fusão entre Lobão e Caetano Veloso, Felipe Neto, Paulo Coelho, Fernando Henrique Cardoso e Luciano Huck, todos signatários do manifesto? Somado a grandes figuras da direita, Flavio Dino do PCdoB (que recentemente revelou que preferia Mourão no poder) e Fernando Haddad. Segundo um dos organizadores do manifesto, o escritor Antonio Prata, o movimento "tem todo mundo do chamado flá-flu de antes desse flá-flu de hoje, de quando a disputa política ainda era entre PT e PSDB". Resumo melhor ainda não há: uma tentativa de reeditar a Nova República fundada pela constituição de 88.

A reedição da democracia de 88 é a repetição de todos seus erros, pois foi a mesma que deu origem a monstros bizarros como o autoritarismo do judiciário, de um STF que, ao lado da Operação Lava Jato, depôs uma presidente eleita e manipulou as eleições para Bolsonaro chegar ao poder. A mesma constituição que serve de base para a intervenção dos militares na política, seja através das operações de GLO, seja diretamente no alto escalão do governo, aonde generais hoje tem a liberdade para reivindicar o período da ditadura militar, liberdade garantida pela Constituinte de 88 que não puniu o alto escalão das Forças Armadas pelos seus crimes na ditadura.

O movimento antifascista, antirracista, anti-bolsonarista, claramente é organizado por debaixo e por fora destas organizações. Os grupos aí que deveriam representar, supostamente, os interesses dos trabalhadores, ao invés de se jogar na organização nos locais de trabalho e estudo para barrar o autoritarismo de Bolsonaro, defendendo o Fora Bolsonaro e Mourão, ao invés de trabalhar para que haja mais manifestações como estas do último domingo, estão preparando negociatas por cima para o caso da situação sair do controle e agravar ainda mais a crise política. Este é o caso do PT e do PCdoB, que controlam duas grandes Centrais Sindicais como a CUT e a CTB, que estão assistindo passivamente Bolsonaro atacar os trabalhadores na pandemia, atacar os informais e autônomos, limitando-se a negociar os termos dos ataques, seguindo uma linha institucional de apoiar os governadores estaduais e amortecer o ódio de classe.

Ao invés de sentar para negociar com os algozes do PSDB, os defensores do golpe, da reforma da previdência, estas organizações deveriam estar chamando a organização nos locais de trabalho e estudo, manifestações respeitando o distanciamento social, e a defesa da intervenção direta dos trabalhadores e do povo pobre na política, que está sendo disputada atualmente entre dois bandos burgueses - o autoritarismo judiciário junto ao congresso, e o autoritarismo de Bolsonaro e dos militares.

Leia mais: Mais do que nunca é urgente uma estratégia revolucionária pra derrotar Bolsonaro e Mourão

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