Depois de quase 3 mil mortes, COVID-19 chega novamente à classe alta no Amazonas

Após apresentar um das maiores taxas de mortalidade por Covid-19 no Brasil, no Amazonas aumento de infectados está na camadas mais ricas

terça-feira 13 de outubro| Edição do dia

Foto: EDMAR BARROS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Esse novo aumento de casos de novo coronavírus na cidade cresceu principalmente entre a população mais rica, segundo a presidente da Fundação de Vigilância Sanitária do Amazonas, Rosemary Pinto. Análise de incidência do Covid-19 por bairros em Manaus, teve um aumento de casos em conglomerados da classe A e B na cidade.

O aumento de casos na camada menos afetada pelo pico da pandemia, entre abril e julho, devido ao isolamento social, que nunca passou de 60% da população do Amazonas, mesmo no auge da pandemia, de acordo com empresa InLoco, a partir de dados de telefones celulares, é fruto da reabertura da economia, mas também a própria dinâmica da imunidade de rebanho.

A redução de casos que chegou ao ponto mais baixo com 180 novos casos em 24 horas no dia 12 de julho, começou a crescer, registrando 456 novos casos em primeiro de abril. A redução dos casos de julho pode ser explicada pela imunidade coletiva ou imunidade de rebanho, que significa que o espalhamento do vírus vai ser cada vez menor, mesmo sem outras medidas de contenção pois muitas pessoa já se encontram imunizada por já ter sido infectadas ou por estarem infectadas pelo novo coronavírus.

Esse imunidade de rebanho é resultado de muitas vidas perdidas, onde a maioria população teve que se enfrentar com a falta de medidas elementares dos governos tanto estadual Wilson Lima (PSC) quanto municipal de Arthur Virgílio Neto (PSDB) com a reabertura do comércio sem o fornecimento de testes, leitos e respiradores suficiente, onde a maioria da população, 85%, depende da rede pública de saúde.

E assim como na maioria do país, boa parte da população não teve a opção em permanecer de quarentena, e se viu encurralada entre a contaminação do vírus e a desemprego. Manaus que tem a maioria da população trabalhando em postos informais, também tem 10% de domicílios sem água encanada, com a maioria de sua população vivendo em favelas e morando em casas com mais de 3 pessoas.

Números oficiais apontam para 2,6 mil mortes e 53 mil infectados em Manaus desde março, ou 2% dos 2,2 milhões de habitantes. Entretanto, segundo estudo da professora e diretora do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP), Ester Sabino estimou que não foram apenas 2%, mas sim 66% dos habitantes de Manaus os contaminados pelo vírus. Ou seja, 1,5 milhão de pessoas infectadas.

Esses dados só apontam uma realidade que desde o início da pandemia se tornou mais do que escancarada. Agora com as reaberturas as elites se contaminam, enquanto a população sofreu com a crise todos esses meses, foram quase 3 mil mortes registradas. As custas das nossas vidas, de trabalhadores, mulheres, negras e negros.




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