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SAÚDE E EDUCAÇÃO | A força das trabalhadoras da saúde e educação na tragédia capitalista do Brasil de Bolsonaro

Quem são as mulheres que seguram as pontas dessa tragédia capitalista desastrosa num país governado por um negacionista e por governadores demagogos? São nos momentos mais críticos que percebemos o quanto somos mais fortes do que poderíamos pensar.

quinta-feira 25 de março | Edição do dia

Imagem: divulgação Pão e Rosas

Uma imensa vanguarda feminina combate diariamente o covid-19 nos hospitais com poucos recursos e equipamentos de proteção tendo em suas mãos terríveis dilemas de ver centenas de milhares de pacientes morrerem quando não suas próprias colegas de trabalho. Outra legião de mulheres com salários baixíssimos e com ferramentas próprias atendem remotamente os poucos estudantes que tem acesso a internet na escola pública, quando não são obrigadas a ir para sala de aula presencial sob ameaça da fome e desemprego no pior momento da pandemia. Muitas dessas mulheres ainda acumulam todo o serviço doméstico em suas casas.

São essas mulheres, em especial mulheres negras e tantas outras que não tem direito a quarentena e seguem nos cargos mais precários como as terceirizadas dos serviços de limpeza que seguram as pontas do país nesse momento. São elas que além de tudo assistem um presidente negacionista, que não garantiu vacinas ou medidas efetivas de combate a pandemia, mas que agora se diz pró-vacina estando sob pressão com a crise da Lava Jato e a suspeição de seu ex ministro da justiça Sergio Moro. Essas milhares de batalhadoras assistem também aos governadores que se dizem oposição ao negacionismo de Bolsonaro forçando abertura insegura de escolas no período mais crítico da pandemia e abrindo o comércio de forma totalmente irresponsável com o transporte público superlotado.

Saúde e educação são temas que nunca faltam nas campanhas políticas em anos eleitorais. São direitos elementares que o capitalismo não é capaz de garantir a não ser nos discursos e no papel. Existe um abismo entre as leis e a realidade concreta. Esse abismo chama-se capitalismo! Com suas várias facetas: mercado financeiro, totalitarismo mercantil, neoliberalismo, como queiram. Sobre esse abismo existe uma ponte vigiada e guardada pelos políticos, juízes, militares burgueses e a polícia.

É nessa fenda enorme onde cai todo o dinheiro público que poderia estar a serviço de garantir testes e quarentenas seguras e racionais para todos, além da vacinação massiva e um retorno seguro às aulas. O maior mecanismo de saque de dinheiro público chama-se dívida pública. Uma verdadeira fraude organizada para manter um fluxo cada vez maior de dinheiro público para aqueles que tem a cara de pau de ainda pregar o estado mínimo. Esses que defendem a ideologia de estado mínimo são os que mais se beneficiam de dinheiro estatal, os grandes credores da dívida pública, empresários e banqueiros nacionais e estrangeiros.

Há alguns anos atrás seria inimaginável uma tragédia das proporções da pandemia do novo coronavírus. 300 mil mortes notificadas, fora as não notificadas e todas as pessoas que morreram e seguem morrendo de outras enfermidades, que não de covid-19, porque não tiveram atendimento devido a superlotação dos hospitais. O que são Mariana e Brumadinho, ou, o incêndio da boate Kiss, ou ainda as tragédias aéreas que geravam tanta comoção perto da pandemia? Todas tragédias que poderiam ter sido evitadas não fosse a ganância capitalista.

Com o covid-19 não é diferente, a tragédia que estamos vivendo poderia ser evitada e ainda pode com testagem massiva da população, rastreamento de com quem o infectado teve contado, centros de quarentena adequados com alimentação saudável em pousadas e hotéis, conversão da indústria para produção de insumos como respiradores, macas, EPIs etc., estatização de todo o sistema de saúde sob controle dos e das trabalhadoras, quebra das patentes das vacinas para a vacinação em massa o mais rápido possível.

Tudo isso é completamente viável, porém para isso é preciso organizar cada trabalhadora e trabalhador para pôr abaixo esse sistema que coloca o lucro e o capital a cima das vidas. Somente a força da nossa classe organizada em assembleias democráticas por local de trabalho, superando a burocracia sindical e a estratégia petista de esperar 2022, pode tomar aquela ponte sobre o abismo e colocar todo esse regime golpista de joelhos, evitando as milhares de mortes que não cessarão se depender da burguesia capitalista, e impondo pela luta um grande debate nacional por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana. Eles querem que paguemos com as nossas vidas para salvar a economia, nós do lado de cá precisamos impor com todas as nossas forças que sejam os ricos capitalistas que paguem pela crise que criaram.




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