Mundo Operário

CAMPINA GRANDE (PB) 14 j

Trabalhadores paralisam e junto com estudantes: pela força da mobilização comércios fecham e piquetes permitem trabalhadores de telemarketing na greve

O 14 J em Campina Grande na Paraíba iniciou-se cedo, às 04:30 horas da madrugada a cidade amanheceu com piquetes em frente ao principal call center da cidade, o que permitiu somar a greve aos trabalhadores de telemarketing.

sexta-feira 14 de junho| Edição do dia

Bancários, trabalhadores do transporte, metalúrgicos, municipais, assim como professores, servidores técnico-administrativos e estudantes da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), do Instituto Federal da Paraíba (IFPB) entraram em greve, assim como haviam manifestado sua vontade trabalhadores do comércio que só se fez efetiva pela força da mobilização.

A paralisação ativa, do ponto de vista da convergência mais geral, foi convocada para às 07 h da manhã no centro da cidade, na Praça da Bandeira. Entre às 07 h e 09:30h foi crescendo a mobilização, o que permitiu cortar a principal avenida da cidade, a Avenida Floriano Peixoto, nos dois sentidos, mostrando uma massificação inicial. Os discursos se sucederam entre sindicatos e organizações políticas. Por Esquerda Diário (ED), impulsionado pelo Movimento Revolucionário dos Trabalhadores (MRT), fez uso da palavra o professor de Ciência Política Gonzalo Adrián Rojas, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

Em nosso discurso apontamos algumas questões que não haviam sido levantadas, incorporando dois elementos centrais na conjuntura dos de cima. O “Moro-gate” que é um escândalo de proporções. Nosso eixo foi expor que o “Moro-gate” na verdade reembaralha as cartas da política nacional no marco de uma disputa entre diferentes atores do regime político, que se expressa na luta interburguesa. Acrescentamos que um milhão de pessoas nas ruas em todo o Brasil no 15M, e mesmo que em menor medida uma forte mobilização no 30 M, contra os cortes na educação, mas articulado a luta contra a reforma da previdência, representou a entrada em cena do movimento de massas. Por sua vez, o governo Bolsonaro com a mobilização de seus defensores no 26 M tentou através dessa sair do isolamento político em que se encontrava na superestrutura política do golpe institucional.

Na linha apresentada pelo Editorial do Esquerda Diário de segunda-feira, 11 de junho, pós “Moro-gate”, numeramos umas cinco consequências:

1) Isto foi um duro golpe a Bolsonaro;
2) Apresenta as possibilidades de um enfraquecimento da Lava-Jato
3) O PT aparece como um grande vencedor e Lula relegitimado
4) O Centrão nesta perspectiva também se fortalece
5) Podem existir alterações no ritmo de tratamento da reforma da previdência.

Recomendamos a leitura atenta do mencionado editorial escrito por André Augusto Acier que desenvolve em detalhe esta caraterização geral.

Na segunda parte da intervenção focamos na critica a reforma da previdência de Rodrigo Maia, o PSDB e demais, que tem algumas alterações mas mantém o essencial, pretendendo abolir nosso direito a se aposentar e entregar bilhões aos banqueiros, e expressamos que por isso era necessário parar contra Bolsonaro mas também contra o golpismo de conjunto. Denunciamos que a nova proposta da previdência pretende incorporar os interesses dos governadores do Nordeste e de partidos como PT, PCdoB, PSB e PDT, para incorporando aos estados na reforma da previdência eles comecem a militar sua aprovação com seus deputados.

Denunciamos isso como uma velha tática, desidratar um pouco a reforma da previdência comparada com a de Bolsonaro para que tenhamos que aceitar essa proposta de Maia como a menos ruim.

Como participamos de forma unitária na luta com independência política, concluímos com as quatro propostas centrais que entendemos necessário para derrotar o plano do golpe da Lava Jato, Congresso, militares, Bolsonaro e grande mídia.

Estas propostas foram:

- Plano de luta com continuidade e construído pela base.
- Que as centrais sindicais deixem de negociar nosso futuro com Bolsonaro e o Centrão.
- Tomar a política em nossas mãos por uma Constituinte imposta pela luta para que os capitalistas paguem pela crise.

O conteúdo completo do panfleto encontra-se nesta matéria do Esquerda Diário: http://www.esquerdadiario.com.br/4-...

A intervenção política realizada desde Esquerda Diário no bloqueio da principal Avenida de Campina Grande, Floriano Peixoto no Centro da cidade, pode ser vista neste link.

Depois das 10 horas da manhã e até 13 horas foi realizada uma mobilização pelas principais ruas do centro da cidade que permitiu pressionar politicamente para que os comércios que estavam ainda abertos fechassem suas portas, de forma lenta, mas contundente.

Desde Esquerda Diário exigimos com clareza que as centrais sindicais parem de negociar a Reforma da Previdência com o Centrão e Bolsonaro e se continue com um plano de luta, ao mesmo tempo que denunciamos aos governadores do Nordeste (tanto do PT e do PCdoB, quanto do PSB) que estão negociando a implementação da reforma do governo em seus estados. Precisamos de uma política de independência de classe para derrubar a reforma da previdência (não para negociar uma "alternativa"), derrotar os ataques de Bolsonaro, Maia e o STF e impor que sejam os capitalistas que paguem pela crise.




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