Educação

CAMPINA GRANDE (PB)

Professores da UFCG e da UEPB deliberam participar da greve geral da educação nesse 15 M

Em Assembleias gerais simultâneas realizadas pelos docentes da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), em Campina Grande (PB), nesta quinta-feira, 09 de maio, deliberam participar ativamente da greve geral da educação na próxima quarta-feira, 15 de maio, contra os cortes na educação como parte da construção da greve geral contra a Reforma da Previdência

sexta-feira 10 de maio| Edição do dia

Após a assembleia unificaram sua mobilização com os estudantes que estavam lutando pela abertura do restaurante universitário com um bloqueio da Avenida em frente ao portão principal da UFCG nos dois sentidos.

Convocados pela Associação dos Docentes da UFCG (ADUFCG) e da Estadual da Paraíba (ADUEPB), sessões sindicais do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições do Ensino Superior, ANDES-SN, depois de um debate sobre a conjuntura política do país, os docentes deliberaram aprofundar a mobilização da categoria e paralisar as atividades no 15 M.

Foi aprovada por unanimidade a participação na greve geral da educação na perspectiva de construção da greve geral, e medidas políticas concretas para fortalecer essa greve.

Na Assembleia dos Docentes da ADUEPB também foi aprovada a participação na greve geral da educação no 15 M.

Uma vez terminada a assembleia, cerca de cento e cinquenta estudantes e professores realizaram um bloqueio da Avenida em frente ao portão principal da UFCG nos dois sentidos, o que gerou um importante fato político e de repercussão e impacto na mídia local.

No caso da ADUFCG foram aprovadas medidas políticas e organizativas para construir o 15 M de forma massiva, na sexta-feira 10 de maio ás 15 horas será realizada uma reunião ampliada da Comissão de Mobilização na sede da ADUFCG, assim como atividades em frente a biblioteca na segunda-feira e uma plenária unificada dos docentes, servidores técnico administrativos e estudantes na terça-feira ás 17 horas.

Desde o MRT levantamos um programa radicalmente democrático que questione todos os privilégios da casta política, judicial e militar que governam o país, aproveitando essas crises nas alturas para impulsionar a mobilização operária, estudantil e popular contra os ataques a educação pública, as mulheres e a juventude, assim como contra a reforma da previdência e todos os ataques em curso.

Desde Esquerda Diário (ED), impulsionada pelo Movimento Revolucionário dos Trabalhadores (MRT), contribuímos com duas intervenções políticas que eu mesmo realizei como professor de Ciência Política na UFCG, uma primeira sobre conjuntura e outra relacionada com o caráter da participação na greve geral da educação do 15M.

Iniciamos nossa intervenção sobre conjuntura política com uma analise sobre a situação estrutural que de forma sintética incluiu a situação econômica do país, com um aumento do desemprego que chegou a 13,5%, uns 13 milhões de desempregados, no marco de uma dinâmica de estancamento e com os dados de uma queda muito importante na produção industrial. Expusemos que um problema central de Bolsonaro é que o PIB brasileiro só em 2022 poderia atingir os níveis de 2013, logicamente que dependendo da luta de classes, mas cada medida política de um governo que prometeu aumentar os postos de trabalho, avança num sentido contrário.

No plano internacional mencionamos o acirramento da guerra comercial entre EUA e China e o aprofundamento da crise na Argentina, que são elementos geopolíticos que influenciam na conjuntura brasileira.

Sobre a situação política de Bolsonaro, observamos a dificuldade do governo de construir um bloco no poder estável, mas observando que é um governo apoiado pelo 59% dos empresários e que setores de massas continuam enxergando seu governo como parte da “nova política”, mesmo fazendo parte do sistema político e sua casta há mais de vinte anos.

Mencionamos rapidamente, entre outras, algumas das crise do governo entre Lava Jato e STF, o fracasso até o momento do bloco dos militares e DEM para controlar Bolsonaro e dar uma base mais sustentável ao seu governo, assim como a crise entre os Bolsonaros e Olavo de Carvalho, fazendo que se pronuncie o próprio General Vilas Boas que teve um papel central no golpe, e o conflito entre Moro e o Congresso pelo controle do COAF.

Tentando fechar outra crise, Bolsonaro e Maia afirmam que terão uma relação direta sem intermediários para aprovar a Reforma da Previdência, com o fracasso da segunda tentativa de golpe na Venezuela apoiada pelo Bolsonarismo no seu conjunto, gerou um novo conflito entre Maia e Bolsonaro.

No marco de uma crise orgânica - econômica, política e social - se expressa que fora da Reforma da Previdência não existe unidade burguesa.

As diferenças políticas se expressam em termos gerais em três eixos: as diferenças em que regime construir frente à crise do regime de 1988, as próprias lutas econômicas corporativas entre as frações burguesas que se aprofundam com o estancamento da economia e a questão geopolítica.

Podemos acrescentar o papel crescente de Lula recolocado por setores do STF.
Para defender a participação na greve geral da educação, numa segunda intervenção, apresentamos a situação política como reacionária num contexto de passividade de massas e que Bolsonaro mesmo com as milícias, os ataques à educação e o mencionado cenário econômico que não favorece, tem um 30% de aprovação e cerca de 50% dos brasileiros acreditam que expressa uma nova política.

Enquanto atua a partir da aparição midiática e discursos relativamente afrontosos no parlamento, a prática mostra que o PT não somente não atua para derrubar a reforma da previdência como diretamente compactua com Bolsonaro por uma reforma “mais branda”.

É o caso dos governadores petistas no Nordeste junto ao governador da Paraíba João Azevedo (PSB), que já se colocaram totalmente à disposição do governo Bolsonaro para negociar uma reforma da previdência, mediante ajuda financeira da União à situação fiscal desses Estados e sob a remoção de alguns pontos particulares da proposta da reforma.

As centrais sindicais, assim como o PT e a CUT, sabem da necessidade vital da unidade dos trabalhadores para atuar contra essa medida do governo Bolsonaro, que tem apoio de todos os capitalistas nacionais e estrangeiros, mas atuam precisamente no sentido de isolar os professores nesse combate, sem preparar um plano de luta que dê as condições para uma greve geral real e massiva no dia 14 de junho. Exemplo disso é a paralisia frente à possibilidade de ampliar o chamado à paralisação a outras categorias.

O central da nossa intervenção foi que era necessário não separar a luta contra os cortes na educação da luta contra a reforma da previdência, defendendo a unidade de ação com independência política, sem separar a luta econômica da luta política, apresentando elementos democrático transicionais, numa perspectiva anticapitalista como o não pagamento da dívida e a crítica ao modelo de universidade.




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