Política

REUNIÃO MINISTERIAL | PAULO GUEDES

Guedes exibe seu DNA pinochetista e ultra neoliberal na reunião ministerial

Dentre os diversos absurdos na fala de Paulo Guedes na reunião ministerial, uma delas é a nada sutil reivindicação do modelo chileno de Pinochet e dos Chigago Boys, expondo seu DNA ultraneoliberal.

sábado 23 de maio| Edição do dia

No video da reunião ministerial revelado hoje pelo ministro Celso de Mello, do STF, ficou escancarado na intervenção de Paulo Guedes o seu DNA repleto da influencia da Ditadura de Pinochet e sua política ultraneoliberal.

Guedes falou logo após o ministro Weintraub, que fez uma intervenção extremamente ideológica, tentando se colocar, e colocar o governo, como os grandes defensores da liberdade contra todos os supostos inimigos da democracia que seriam seus adversários. Embora muitos de seus opositores não tenham nada nem de “democratas”, Weintraub atirou para todos lados e contra todo os que não aceitam as medidas bolsonaristas.

Guedes falou para, num primeiro momento corroborar a tese absurda de Weintraub, e num segundo, expor sua cara mais nojenta, se apoiando no neoliberalismo mais senil e assassino.

O Ministro da Fazenda expõe um raciocínio pra que os ministros tenham a clareza que de que eles, que estariam ali sentados na reunião ministerial, são diferentes de todo o resto ao seu entorno, e que eles somente poderiam reerguer o Brasil.

Mas o pior não vêm ai, e sim dos exemplos que Paulo Guedes se utiliza. Guedes diz que: “Semana passada eu conversei com os ministros da fazenda de 020, conversei com os ministros, é ... também de economia, é ... dos BRICS e a mensagem que eu levo é sempre a mesma: o Brasil vai surpreender o mundo.”

Mas a base da surpresa que o Brasil daria ao mundo, para Guedes é o exemplo da recuperação econômica da Alemanha pós Segunda Guerra, e em especial, do Chile. Ele não cita Pinochet diretamente, mas sim sua base econômica, os Chicago Boys. Mas se apoia no caminho que estaria sendo trilhado pelo Brasil neste sentido de aprovação de um conjunto de medidas neoliberais, como a reforma da previdência.

"Agora, a mesma coisa, eu tô dizendo: nós vamos continuar aprofundando as reformas, nós vamos seguir. É ... eu conheço todas as histórias de reconstrução por ter, por profissão, obrigado a estudar isso. A reconstrução da Alemanha, a reconstrução da Alemanha na segunda guerra, na primeira guerra com o Schacht. A segunda guerra com o Ludwig Erhard, é ... a reconstrução da economia do Chile com os, os caras de Chicago"

Este sentido geral de Guedes fica claro também com outras declarações dadas por ele, sobre a necessidade de vender e privatizar o país inteiro. Mas neste trecho fica evidente sua defesa do pinochetismo em seu plano de reformas e ataques.

“Nós não vamos perder a bússola. Nós sabemos dos valores, sabemos dos princípios, sabemos que que nós tamo defendendo. Nós tamo defendendo liberdade: liberdade econômica, liberdade política”, é o que diz Paulo Guedes em trecho de sua fala na reunião. Se apoiando no discurso de Weintraub para mostrar qual é a liberdade que defendem: a mais irrestrita liberdade para os empresários, para os capitalistas, enquanto aprovam ataques duríssimos e autoritários contra a população.

Veja aqui o trecho inicial da intervenção de Guedes, citando o modelo neoliberal chileno:

Braga Netto: Paulo Guedes é o último debatedor.

Paulo Guedes: Ô presidente, esses valores e esses principios e o alerta aí do Weintraub é válido também, como seu ... sua evocação é que realmente nós estamos todos aqui por esses valores. Nós tamos aqui por esses valores. Nós não podemos nos esquecer disso. Nós podemos conversar com todo mundo aqui, porque é o establishment, é porque nós precisamos dele pra aprovar coisa, mas nós sabemos que nós somos diferentes. Nós temos noção que nós somos diferentes deles. E quando eles cruzam a linha a gente solta a mão e sai andando sozinho. Enquanto eles tiverem no trilho, conosco, no caminho de fazendo as reformas que nós prometemos, nós tamo junto. Na hora que o cara soltou a mão e passou pro lado de lá, a gente deixa o cara ir sozinho e a gente continua sozinho e vai procurar outra conversa, em outro lugar. Então, eu acho que manter essa ideia que nos trouxe aqui, e eu tenho dito isso em todo lugar, e lá fora eu converso. Semana passada eu conversei com os ministros da fazenda de 020, conversei com os ministros, é ... também de economia, é ... dos BRICS e a mensagem que eu levo é sempre a mesma: o Brasil vai surpreender o mundo. Vocês duvidavam da nossa democracia, duvidavam do nosso presidente, nosso presidente é democrata e vai fazer as mudanças. E aprovamos a reforma da previdência o ano passado, enquanto os franceses fi zeram passeatas contra a reforma da previdência. Agora, a mesma coisa, eu tô dizendo: nós vamos continuar aprofundando as reformas, nós vamos seguir. É ... eu conheço todas as histórias de reconstrução por ter, por profissão, obrigado a estudar isso. A reconstrução da Alemanha, a reconstrução da Alemanha na segunda guerra, na primeira guerra com o Schacht. A segunda guerra com o Ludwig Erhard, é ... a reconstrução da economia do Chile com os, os caras de Chicago. É ... todos os ca ... o caso da fusão das duas Alemanhas. Eu conheço profundamente, no detalhe, não é de ouvir falar. É de ler oito livros sobre cada reconstrução dessa.




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