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Finlândia ameaça embargar carnes brasileiras, e pede que a UE sancione o país

sexta-feira 23 de agosto| Edição do dia

A Finlândia pediu que a União Européia considere a possibilidade de banir a importação da carne brasileira. A posição foi publicada nesta sexta-feira, às vésperas do G7, encontro das potências capitalistas mais ricas do planeta: Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.

Segundo a nota, “O ministro de Finanças Mika Lintila condena a destruição da floresta amazônica e sugere que a UE e a Finlândia devam urgentemente rever a possibilidade de banir as importações de carne bovina brasileira”. As queimadas ocorridas nesta semana, que tomaram os holofotes da imprensa mundial, estão sendo utilizadas como arma de barganha e ameaça de sanção contra o Brasil, em especial por Macron (França) e por Merkel (Alemanha).

Atualmente a Finlândia é presidente rotativa do bloco europeu, o que faz com que as declarações adquiram maior importância. Tal declaração, após as lágrimas de crocodilo de Macron, que propôs debater a Amazônia sem a presença do Brasil, trazendo junto consigo Merkel, aumentam as expectativas por este G7 que ocorrerá no final desta semana.

A Finlândia, cabe dizer, detém o capital de inúmeras empresas que não só trabalham como poluem e destroem a natureza no Brasil. As empresas finlandesas são líderes no mundo todo em produção de papel através do desmatamento de florestas em seu próprio país e no resto do mundo. A outra coisa que sabem investir é em empresas mineradoras. Dentre elas, a Vale do Rio Doce que têm como uma de suas controladores o grupo financeiro Nordea, sediado na Finlândia, e é responsável pela catástrofe de Brumadinho.

O "ar puro" finlandês é resultado do transporte das atividades poluidoras para países atrasados e dependentes. Os mesmos que os imperialistas depois ameaçam com taxas e sanções.

Esta movimentação contra o Brasil tem, como pano de fundo, objetivo de aprofundar o país em uma "tripla-dependência", objetivos descritos no acordo UE-Mercosul, saudado por Bolsonaro meses atrás. Dentre os objetivos do plano: atacar as condições de vida da classe trabalhadora brasileira e forçar a entrega dos recursos naturais, tanto da terra quanto do petróleo, dos minérios e até da água.

Além disso, Macron tem se enfrentado com uma crise interna na França, com seu brilho "arranhado" pelas manifestações dos coletes amarelos, então a sua suposta "preocupação" com a Amazônia nada tem a ver com ambientalismo: visa interferir para subordinar ainda mais o Brasil com sanções, enquanto cria uma distração para os problemas políticos internos. Merkel, da mesma maneira, prepara-se para o fim da sua era: depois de duas décadas, a Chanceler Federal alemã passará adiante a liderança da União Democrática Cristã, deixando a Alemanha com uma tendência à polarização e crises.

Leia mais: Acordo União Europeia – Mercosul: rumo a uma “tripla dependência”?




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