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Cúpula do Metrô de SP quer atacar os trabalhadores enquanto mantêm seus supersalários

Os salários de 406 altos funcionários do Metrô com rendimentos acima do teto do governador consomem 15% da folha de pagamento da empresa, o equivalente a 4.000 trabalhadores (metade de todos os funcionários do Metrô) recebendo o piso salarial de um agente de estação.

terça-feira 30 de junho| Edição do dia

Fonte da foto: Valor Econômico

Em uma rápida pesquisa pelo "portal transparência", podemos verificar esse verdadeiro abismo salarial entre gerentes, cargos de confiança, chefes de departamento e um metroviário no começo da carreira. São 406 funcionários do alto escalão da empresa que abocanham 15% do total da folha de pagamento, o equivalente a mais de 4.000 trabalhadores (metade de todos os funcionários do Metrô) recebendo o piso salarial de um agente de estação (OTM I, R$2.296,13). Isso enquanto o metrô tem uma demanda enorme para novas contratações devido à baixa de quadros ao longo do tempo e agora com os afastamentos decorrentes da crise do COVID-19.

Essa discrepância deve-se ainda ao fato desses empregados receberem inclusive a mais que o próprio governador do Estado, João Dória, que por lei estadual recebe R$23.048,59. Estão legalmente amparados para não respeitar o teto salarial do governador, pois a empresa não recebe subsídios do Estado, enquanto as privatizadas – linha 4 amarela e 5 lilás - por força de contrato - receberam mais de 200 milhões somente em 2019.

É para manter essa situação que Dória e o Metrô estão cortando direitos dos trabalhadores, como o plano de saúde e o adicional de risco de vida, além de benefícios como auxílio complementar e estabilidade em caso de doença, entre vários outros. Justamente durante uma crise sanitária, onde os metroviários estão na linha de frente, todas e todos estão trabalhando sob risco durante essa pandemia, com colegas em serviço morrendo de Covid-19, já tendo cerca de 300 afastamentos de metroviários por contaminação ou suspeita, e tendo inclusive os trabalhadores idosos convocados de volta ao trabalho presencial, no momento em que a contaminação, as mortes e a ocupação de leitos batem recordes.

Veja aqui: Metroviários aprovam greve em 01/07 contra ataques de Dória e junto com os entregadores de APP.

Dória e outros políticos, como o ministro da economia de Bolsonaro, Paulo Guedes, adoram atacar os servidores públicos, com calúnias de que são "privilegiados", e não contam que somente uma ínfima parcela ganha super salários e possui privilégios enormes. A defesa do direito dos metroviários não se restringe apenas a categoria metroviária. Este duro ataque pode abrir a porta para retirada de direitos de todas as categorias dos servidores públicos. Dória claramente está encarando este ataque aos trabalhadores do Metrô como um balão de ensaio para mostrar para a burguesia que ele é uma ótima opção para administrar seus negócios e precisamos mostrar que o caminho para enfrentar os capitalistas e seus governos de turno é a nossa luta organizada.

Lutemos ao lado dos metroviários e entregadores de aplicativos que farão uma paralisação no dia 01/07, contra qualquer retirada de direito dos que estão na linha de frente e para que todos os trabalhadores tenham as mesmas condições de trabalho de um metroviário.




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