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Metroviários aprovam greve em 1/7 contra ataques de Doria e junto com entregadores de APP

sexta-feira 26 de junho| Edição do dia

Imagem: Assembleia dos Metroviários em 2014

Os metroviários de SP aprovaram greve para o dia 1/7, com mais de 90% dos votos, em uma votação muito expressiva de mais de 2500 trabalhadores. É uma resposta contundente e muito importante a um enorme ataque por parte do governo Doria, atacando a assistência à saúde e direitos básicos, em meio à pandemia, justamente daqueles que estão se arriscando na linha de frente, e sofrendo com mortes e centenas de contaminações. E é uma grande oportunidade de construir na luta a unidade com os entregadores que paralisarão no mesmo dia.

A direção do Metrô de SP anunciou na última segunda (22) uma série de ataques ao acordo coletivo dos metroviários depois de não aceitarem adiar as negociações para o final da pandemia. Não negociaram, simplesmente anunciaram os cortes. Entre essas cláusulas, estão o plano de saúde da categoria e o adicional risco de vida, além de benefícios alimentícios, farmácia, auxílio e estabilidade em caso de doença, entre vários outros, com cortes já no pagamento desse mês e descontos retroativos ao mês passado. Justamente durante uma crise sanitária, onde os metroviários estão na linha de frente, trabalhando sob risco durante toda a quarentena mal feita pelo governo de SP. Nessa mesma semana morreu o primeiro metroviário que estava em serviço por covid-19 e atingimos quase 300 afastamentos de metroviários por contaminação ou suspeita e 1,2 milhão de contaminados e 55 mil mortos no país. Nesse contexto crítico o estado reduz a quarentena ao mesmo tempo em que bate o recorde de ocupação de leitos, deixando o metrô mais lotado e, com essa mesma justificativa, convocando criminosamente de volta ao trabalho presencial os idosos afastados.

O governador Doria quer se cacifar na disputa com Bolsonaro pelo apoio da burguesia mostrando que são capazes de arrancar os direitos conquistados pelas setores mais organizados dos trabalhadores, contrapondo-os aos setores mais precarizados e que mais estão sofrendo na pandemia, para dividir nossa classe, e nivelar por baixo as condições de trabalho de todos. Devemos combater isso defendendo o contrário, batalhando pela unidade da classe, dizendo, como na declaração de apoio aos entregadores aprovada há algumas semanas pelo Sindicato dos Metroviários de SP: Somos todos trabalhadores essenciais dos transportes, e os entregadores de aplicativos devem ter todos os mesmos direitos que os metroviários. Por isso é muito valiosa nossa unidade na greve deste dia 1.

A nova situação, após as manifestações antirracistas e antifascistas, que ecoaram a luta que explodiu nos EUA e se espalhou pelo mundo, nos fortalece para essa luta. Podemos ganhar o apoio da população, se mostrarmos que esses ataques não são por queda de arrecadação, estavam planejados há anos, e o Metrô aproveita a pandemia pra atacar os trabalhadores que estão se arriscando na linha de frente, enquanto o governo repassa subsídios para as linhas de metrô privatizadas, mas não para o metrô estatal, cujos diretores, ao mesmo tempo, continuam com seus supersalários.

Para enfrentar esses ataques absurdos, é necessária a maior unidade da nossa categoria e fortalecer a organização de base. Nós da chapa 4 viemos defendendo esse indicativo de greve para o dia 1, junto aos entregadores, e estamos colocando a necessidade do sindicato chamar reuniões nas áreas, podendo ser online, para debater como fortalecer a luta e barrar esse ataque, e eleger representantes para a formação de um comitê dos trabalhadores, para que as propostas de todos os trabalhadores das áreas possam ser debatidas e votadas na assembleia. Um organismo que aproxime a categoria nesse duro enfrentamento que temos. A assembleia online de quarta-feira, mostrou a importância disso, pois ninguém pôde fazer propostas para fortalecer a luta, nem mesmo nós, que somos parte da diretoria, pois o restante da diretoria definiu que só colocariam em votação as propostas que eles estivessem favoráveis. Precisamos de assembleias onde todos possam falar e ter suas propostas apresentadas para votação.

Nossa proposta é para ampliar a participação dos trabalhadores, pois entendemos que o funcionamento atual, que não dá voz aos trabalhadores, diminui a participação, e com isso diminui a força da nossa luta. Justamente agora a tarefa é construir com todas as forças e em unidade uma forte greve ativa para derrotar o governo!




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