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LAVA JATO

Cinco empresários do Peru são detidos pelo caso Odebrecht

Mostrando como a corrupção dos grandes empresários ultrapassam fronteiras, cinco empresários das maiores construtoras do Peru foram detidos no caso Odebrecht. O ex-presidente do conselho de administração da Graña y Montero, José Graña Miró Quesada, está entre os executivos que devem passar 18 meses em prisão preventiva.

terça-feira 5 de dezembro| Edição do dia

FOTO: El País. José Graña Miró Quesada (esquerda), na comissão investigadora da Lava Jato

A justiça ditou nesta segunda-feira (4) uma ordem de 18 meses de prisão preventiva contra cinco empresários peruanos associados à construtora brasileira Odebrecht, mergulhada em corrupção envolvendo grandes empresários e políticos no país, no segundo trecho da rodovia Interoceânica Sul. Entre eles está José Graña Miró Quesada, que foi durante décadas o presidente do conselho de administração da Graña y Montero, a principal construtora do Peru, até renunciar em fevereiro. É, além disso, o acionista majoritário do Grupo El Comércio.

Hamilton Castro, que comanda a equipe “anticorrupção” a cargo das investigações sobre o pagamento de propinas da Odebrecht, quis evitar que Graña e outros quatro executivos das construtoras JJ Camet Contratistas Generales e Ingenieros Civiles y Contratistas Generales (ICCGSA) abandonassem o país, como ocorreu com o empresário Gustavo Salazar, ex-presidente do Clube Regatas, quem tinha recebido dinheiro da construtora como intermediário de um governador regional. Graña e sua família possuem 11% das ações do Grupo El Comércio, dono do jornal El Comércio, juntamente com outros 167 acionistas, segundo uma investigação do site jornalístico Ojo Público.

O juiz emitiu a ordem de busca e captura para os investigados pelos delitos de conluio agravado e lavagem de ativos, já que as empresas peruanas, juntamente com a gigante brasileira, supostamente pagaram 15 milhões de dólares (49 milhões de reais) em propinas ao ex-presidente Alejandro Toledo para a concessão da construção de dois trechos da rodovia Interoceânica Sul, que une a costa do Peru com o oeste do Brasil. Além de Graña, foram detidos Fernando Camet, presidente da JJ Camet; José Castillo Dibós, diretor-geral da ICCGSA, e Hernando Graña Acuña, outro membro do conselho de administração da Graña y Montero.

O envolvimento de empresários e políticos, peruanos e brasileiros, com a corrupção ultrapassam as fronteiras, demonstrando o quanto a corrupção é intrínseca ao sistema capitalista e sustenta os interesses do grande empresariado e políticos como os brasileiros envolvidos no caso Odebrecht e do ex-presidente do Peru, Alejandro Toledo.




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