Política

LAVA JATO

Lobista ligado a Renan Calheiros foi alvo da 35ª fase da Lava Jato

O lobista Milton de Oliveira Filho, ligado ao Renan Calheiros, foi alvo de busca e apreensão nesta segunda-feira por conta da 35ª fase da Operação Lava Jato, que levou para a cadeia o ex-ministro Antônio Palocci, nos governos Lula e Dilma.

Guilherme de Almeida Soares

São José dos Campos

segunda-feira 26 de setembro| Edição do dia

A Operação Omertá, identificou relações de Lyra com recebedores de propinas da Odebrecht, identificados nas planilhas do Setor de Operações Estruturas da empreiteira – o ‘’departamento de propina’’. Um dos episódios ocorreu em 2010, em São Paulo, em que o endereço era o de Luiz Gustavo Machado. De acordo com o delegado da Polícia Federal: "Em uma dessas oportunidades terminal telefônico de Milton Lyra foi fornecido como contato para o Setor de Operações Estruturadas".

Milton de Oliveira Lyra Filho é um empresário de Brasília. Ele comanda o empreendimento comercial Meu Amigo Pet, uma rede de produtos para animais de estimação que atua na internet e em lojas físicas. Bem relacionado com os políticos, Milton aproximou-se do presidente do Senado, Renan Calheiros, há cerca de 10 anos. Já trabalhou com outros políticos como ex-deputado e usineiro João Lyra.

Milton Lyra aparece também em delação premiada, feita com a Procuradoria Geral da República, por Nelson Mello, ex-diretor de Relações Institucionais do Grupo Hypermarcas. Ele afirmou que pagou 30 milhões a dois lobistas com trânsito no Congresso para efetuar os repasses para senadores do PMDB, entre eles o presidente do Congresso, Romero Jucá e Eduardo Braga.

Milton afirmava agir em nome dos senadores ‘’da bancada do PMDB’’ que teriam sido destinatários da maior parte da propina. Já em outras apurações, que apuram desvios nos fundos de pensão, ele é investigado por aparecer como operador de duas empresas que captaram R$ 570 milhões do Postalis, o fundo de pensão dos Correios.

O lobista é beneficiário da offshore Venilson Corp, aberta em fevereiro de 2013 no Panamá, conforme revelaram os documentos do Panamá Papers. Esta empresa foi usada para abrir uma conta numa agência do banco UBS na Alemanha. A instituição bancária encerrou as relações com o brasileiro cerca de dois meses depois, quando houve uma tentativa de movimentar uma alta quantia pela conta sem esclarecer a origem do dinheiro.

A notoriedade de Milton aumentou no final de 2015, quando o senador Delcídio do Amaral foi preso numa das fases da Operação Lava Jato. Um bilhete apreendido na casa de Diogo Ferreira, então chefe de gabinete de Delcídio, falava de uma suposta propina de 45 milhões. Milton Lyra é citado nesse contexto nas mesmas anotações e nega qualquer tipo de conexão com essa história.

Esta denúncia contra Milton Lyra, aparece num momento onde a Lava Jato avança contra importantes figuras do governo petista, como Guido Mantega e agora Antônio Palloci. Isto mostra que a Lava Jato ao mesmo tempo tenta desmantelar a ala burguesa que foi favorecida pelo os ex-governos petista durante 13 anos, ela se vê obrigada a pegar algum apoiador do atual governo para dizer que trata-se de uma operação democrática.




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