Sociedade

DESTRUIÇÃO DO MEIO AMBIENTE

Amazônia perde o equivalente ao território do Chile em 30 anos. Agronegócio avança 172%

A região da Pan-Amazonia, que abrange Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colombia, Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa, perdeu 724 mil km² entre 1985 e 2018. Por outro lado, agronegócio e pecuária cresceram 172% no período. Desmatamento em nome do lucro.

sexta-feira 3 de julho| Edição do dia

As queimadas em 2019 que levaram nuvens pretas ao redor do Brasil inteiro, chocaram a população para os efeitos e o nível profundo do desmatamento na Amazônia. O mundo inteiro despertou para as consequências ecológicas da destruição do meio ambiente pela sede de lucro do capitalismo, em especial, do setor do agronegócio.

O MapsBioma Amazônia publicou uma análise nesta quinta (2) que mostra que desde 1985 até 2018, o nível de desmatamento atingiu números absurdos. Dos 8,47 milhões de km², foram cerca de 724 mil km² de perda e vegetação. O número equivale ao território inteiro do Chile, ou a soma de territórios dos estados de SC, PR, SP, RJ e ES.

O Brasil é onde mais se desmatou. São 624 mil km² a menos desde lá, e nosso país concentra mais de 61% do total do bioma. A Bolívia teve 36 mil km², Peru 16 mil km² e a Colombia com 14 mil km² a menos.

Isso sem falar que um levantamento feito pelo mesmo MapBiomas mostra que em 2019, a Amazônia perdeu 2,1 mil hectares por dia, sendo que 99% do desmatamento realizado no Brasil em 2019 - segundo a mesma MapBiomas, foi feito de forma ilegal.

O Contraste: Agronegócio expande, com base na destruição do meio ambiente

Segundo os dados do mesmo grupo, o crescimento do Agronegócio na região é gritante, e mostra o como o setor cresce baseado nas destruição ambiental em nome de sua sede de lucro.

Em 1985 eram 415 mil km² de produção agropecuária na Pan-Amazônia, e em 2018 o número batia já os 1,12 milhões de km², quase três vezes mais. Assim como o desmatamento, o crescimento do setor é majoritário no Brasil, também, que cresceu mais de 600 mil km² em produção agropecuária, batendo em 2018, 960 mil km².

No Brasil, esse crescimento desenfreado já vinha de antes, mas ficou claro o desejo de não só mantê-lo, como também de expandi-lo com Jair Bolsonaro na presidência. O “dia do fogo”, como ficou conhecido em 2019, foi o dia em que seus apoiadores se apoiaram nos seus discursos radicais contra terras indígenas, demarcação, e áreas de preservação, para desmatar “em nome do capitão”. Foi o dia que gerou as nuvens de fumaça ao redor do país.

Não é segredo que Bolsonaro quer diminuir cada vez mais o que ele chama de pedaços “improdutivos” da floresta amazônica. Seja terras indígenas, seja terras que não tem atribuição, e são constantemente transformadas - pela via da grilagem - em propriedade privada ilegal.

Esse desmatamento desenfreado, que destroem os recursos naturais da Amazônia, invade terras indígenas, gera disputa por terras com pecuaristas, é o desejo de um punhado de capitalistas que fecha os olhos para os danos gerados ao meio ambiente, em nome de seus lucros.

Em 2019 vimos bem que as queimadas, e o desmatamento conduzem o mundo para uma cada vez maior destruição do ambiente, que cobra preços caros na alteração climática, na destruição de comunidades indígenas, e destruição de recursos naturais essenciais para a biodiversidade não só dos países que tem em seus territórios uma parte da Pan-Amazônia, mas para todo o mundo.

Bolsonaro mente sobre os dados de desmatamento, tenta trata-los como fake news, para agradar seus aliados do agronegócio, que querem mais terras, mais lucros, e mais poder. Ricardo Salles, o atual Ministro do Meio Ambiente, deixou claro suas vontades de atender aos interesses do setor, durante a reunião ministerial de 22 de abril, em que defendeu que se aproveitasse a pandemia do novo coronavírus para aprovar desregulamentações com base na canetada, e escondido dos olhos da população, da mesma que se levantou e foi às ruas em 2019 - não só no Brasil, mas no mundo - contra o desmatamento a destruição do meio ambiente.

A luta contra o autoritarismo de Bolsonaro e dos militares também passa pela defesa do meio ambiente, e do enfrentamento com este setor da burguesia brasileira que é um dos que carrega mais heranças escravistas em todo o país.




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