Mundo Operário

DEMISSÕES NA VALLOUREC MG

“Será que sou o próximo?”

sexta-feira 10 de julho de 2015| Edição do dia

Entrevistamos trabalhador do grupo Vallourec, antiga Mannesmann, sobre as demissões na empresa e a organização dos trabalhadores

Esquerda Diário: Como foi o clima entre os trabalhadores após o anúncio das demissões?

Essa semana foi muito ruim, pois logo na segunda, na parte da manhã, já começaram as demissões e dezenas de uma só vez. Diante disto o clima entre os trabalhadores ficou péssimo, todos assustados achando que poderia ser o próximo, era só a chefia passar na área que os trabalhadores ficavam comentando: “será que eu vou ser o próximo?”. Depois do almoço, a sensação foi pior ainda, pois encontramos com os trabalhadores de outro setor no refeitório e aí ficamos sabendo que não era só o nosso setor que estava demitindo, mas outros setores também.

ED: Como o sindicato se posicionou frente à isso? O que vem construindo em relação às demissões?

O sindicato não fez nada para barrar as demissões. Ele é da CUT, ligado ao governo e a patronal, ele só veio se posicionar hoje (quinta-feira), isso depois que já havia demitido mais de 160 trabalhadores (contando só os efetivos, sabemos que há demissões entre nossos companheiros terceirizados), dizendo que a empresa não tinha comunicado essas demissões e chamando uma reunião com os trabalhadores no domingo. Mas acredito que poucos vão comparecer, pois a maioria está insatisfeito com o sindicato há anos.

ED: O que você acha que é preciso fazer para barrar as demissões?

A única forma dos trabalhadores barrar as demissões é construindo forças na base e indo à luta. Se organizar no nosso local de trabalho, debater e propor medidas, como a redução de horas sem redução de salário. Também é preciso tornar o sindicato como instrumento dos trabalhadores e não como é hoje: a serviço da patronal.




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