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Remuneração variável: a chantagem da empresa e a doença dos trabalhadores

Mais uma denúncia anônima do Call Center, dessa vez da Contax de Porto Alegre, sobre as comissões que são criadas e que servem apenas para obrigar o teleoperador a trabalhar mais e mais.

sexta-feira 19 de agosto| Edição do dia

Trabalho há 2 anos na Contax de Porto Alegre, como operador N1 da NET. Após primeiro ano completo, mudaram-me de setor para a recorrência, que atende cliente com histórico de muitas "rechamadas" no dia, que ligaram várias vezes.

Lidamos com todo tipo de reclamação, na maioria devido ao serviço precário prestado pela NET. A empresa é a que mais cresceu no ramo das telecomunicações no Brasil em 2015, e continua liderando o mercado, porém as custas de mentiras sobre promoções e uma infraestrutura incapaz de suprir a demanda com qualidade.

Isso afeta diretamente o cliente, que desabafa tudo em nossos ouvidos. Devido isso temos a "vantagem" de poder retornar ligações para o cliente com a "pausa ativo". Já fazem 5 dias que estou sem esta pausa, e hoje, estou impedido de atender. Quando questiono o supervisor sobre o motivo, o que escuto é: "já foi aberto o chamado".

Agora de uma lado tenho a chefia cobrando metas que não tenho como bater e, do outro lado, minha comissão que depende das ligações atendidas. É um absurdo! A empresa joga com a necessidade de ganhar mais que o miserável salário mínimo para nos fazer trabalhar mais, independente das condições.

O que vejo é que as comissões, além de criar a ilusão em alguns de um salário "maior" que depende "apenas de si", é uma via de nos pressionar a atender em qualquer situação, sem salário, ferramentas, EPI, doentes, etc. Devíamos mesmo e ter uma correção do salário de acordo com a inflação, pra não depender mais de variáveis.




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