Juventude

GERAÇÃO CENTENNIALS

Por que a juventude Centennials deve tomar as ruas no dia 19 de fevereiro?

Quem é a Geração Centennials? Qual seu papel na atual conjuntura?

Sagui

jovem trabalhadora

sexta-feira 16 de fevereiro| Edição do dia

Foto: Laura Viana

No Brasil, a Geração Centennials é aquela que ou viu ou estava nas manifestações de junho de 2013, que deu fim a um longo período de pacifismo acumulado, e que seguiu lutando contra a Copa do Mundo no ano seguinte. Esta é a geração que ocupou mais de 200 escolas contra a reorganização no estado de Sâo Paulo, em 2015. A mesma que ocupou em 2016 de dezenas à centenas de escolas do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Ceará, Goiás e, novamente, São Paulo, por suas pautas estaduais. A mesma que forjou as milhares de outras ocupações contra a “PEC do Fim do Mundo” e a reforma do Ensino Médio, tendo como Paraná um dos maiores polos de ocupações secundaristas, em geral, mais de mil escolas, institutos federais e universidades ocupadas no país inteiro.

A Geração Centennials é aquela que antes mesmo do golpe já não expressava grandes expectativas no PT, que via cada vez mais como o projeto gradual populista que falava em “mais direitos” não cumpria com isso na prática. Pois antes mesmo do golpe via os cortes de milhões na educação e na saúde, o desemprego e o salário mínimo valendo cada vez menos.

Após o golpe, agora com Temer defendendo os interesses da burguesia, ainda mais ataques vieram para a juventude e a classe trabalhadora, como: a PEC do Fim do Mundo, a Reforma Trabalhista, a Reforma do Ensino Médio, a Reforma da Previdência (que será votada dia 19 de fevereiro), entre tantos outros. É a geração Centennials que sofre hoje com o desemprego massivo, a alta taxa de mortalidade e violência contra os negros, salas fechadas, etc, tendo seus futuros aguem de uma realidade que se impõe.

A juventude brasileira não está sozinha nas lutas e resistência aos ataques de seus governos, também faz coro com o movimento Occupy Wall Street e as marchas massivas do movimento “Black Live Matters” nos Estados Unidos, com a Revolta dos Pinguins no Chile, com a revolta da juventude francesa, etc. Assim como nas lutas ainda mais recentes, como as ocupações secundaristas na Argentina e a luta palestina, que tem a ativista Ahed Tamimi, de 16 anos, presa pelo exército de Israel. São com esses milhões de jovens ao redor do mundo que essa geração marcha contra as opressões e expressão sua sexualidade, gênero e etnias.

Mas, ao mesmo tempo que essa geração se vem mostrando no cenários das lutas, nacionais e internacionais, também sofrem com uma série de contradições de sua época. A internet que as une, também promove dispersões e as Fake News. Sendo que algumas partes dessa juventude ficam a mercê dos discursos de ódio e preconceito de Bolsonaro, MBL, Trump e movimentos neonazistas, ou mesmo outros discursos neoreformistas que os desviam da revolução social.

Embora essa juventude fique caracterizada por alguns como a geração que tem a internet e a tecnologia em suas mãos, todo o desenvolvimento do capitalismo não se preocupa em facilitar a vida da grande maioria da juventude, as negras, LGBTs e pobres. Apesar daqueles que nasceram em 2000 atinjam a maior idade esse ano, isso não significa que eles irão estar nas universidades públicas ano que vem, mas sim, que os jovens negros tenham chances de serem encarcerados sem julgamento, que os pobres tenham empregos mais precários e as trans fiquem mais pertos da alarmante expectativa de vida, apenas 35 anos de idade.

Essa não é somente a juventude que ocupou escolas, que tem internet e suas contradições. Como disse Lênin em 1920 para o Terceiro Congresso da Juventude Comunista da Rússia “que as tarefas da juventude, em geral,[...] poderiam ser definidas em uma só palavra: aprender.”. Naquela época, e nesta, a juventude tem muito o que aprender com a grandiosa história que a sucede. Não à toa Marx nos ensina que “a história da sociedade até nossos dias é a história da luta de classes”, pois existe toda uma série de lutas, revoltas e revoluções, como a Revolução Russa de 1917, que a juventude pode aprender com seus acertos, erros e lições. Trabalhar o melhor da teoria revolucionária para atuar na realidade, e vice versa. Essa juventude não tem nada a perder, assim como seus pais, os trabalhadores que se colocaram em cena, em especial na Greve Geral de 28 de Abril de 2017. Pois a luta da juventude é a luta de toda classe trabalhadora.

E mais, são os mesmos que podem, e devem, agitar uma exigência as centrais sindicais para que abandonem a paralisia e a burocracia petista que Lula e o PT instalaram em seus anos de governo e que insistem em continuar traindo os trabalhadores mostrando sua confiança na justiça e prometendo um novo pacto com os empresários. Os jovens que devem defender não só seu direito a aposentadoria contra a Reforma da Previdência, mas que também lutem por esse direito democrático mínimo que é o direito do povo decidir em quem votar.

Leia também: Juventude Faísca: pelo direito do povo escolher seu voto, contra a condenação arbitrária de Lula

Sem mostram nenhuma confiança no projeto petista de governar aos ricos, a geração Centennials tem a força de uma faísca num palheiro. Não tem nada a perder, nada do que esperar do imperialismo, apenas as mesmas misérias das margens de um sistema falido. A burguesia cria suas próprias covas, é nelas, nos operários, que essa juventude deve se apoiar.

Precisamos tomar as ruas nesse dia 19 ao lado dos trabalhadores!




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