Mundo Operário

DEMISSÕES NA VALLOUREC MG

"Não dá pra enfrentar a patronal com essa direção que está no sindicato"

quinta-feira 16 de julho de 2015| Edição do dia

Entrevistamos mais um trabalhador da Vallourec sobre as demissões e as possibilidades dos trabalhadores se organizarem contra os ataques da patronal e da burocracia sindical.

Esquerda Diário: Na semana passada, a Vallourec demitiu 160 trabalhadores efetivos (e outros terceirizados) e nesta semana as demissões continuaram. O que o sindicato tem feito para impedir as demissões?

Olha, o sindicato vem na porta da fábrica pra dizer que está combatendo as demissões, mas isso não é verdade.

Desde o ano passado a patronal da Vallourec vem anunciando a necessidade de cortes, como a demissão de mão de obra dos nossos companheiros trabalhadores terceirizados e a redução de 7% no quadro de funcionários. Desde essa época que o sindicato já deveria ter esboçando um plano de luta pra enfrentar a crise, organizando os companheiros no chão de fábrica, chamando pra luta e tudo mais.

Agora, o discurso do sindicato é de que "foi pego de surpresa" com a demissão de vários operários. Além disso, antes de começar as demissões, a empresa propôs ao sindicato um conjunto de medidas para "enfrentar a crise", sendo que em todas elas haveriam cortes de direitos dos trabalhadores e nenhum momento citava a redução de lucro da empresa, ou seja, só os trabalhadores é quem pagariam as contas da crise.

A proposta da patronal incluía banco de horas, lay off, suspensão de contrato de trabalho, além de demissões expressivas em várias empresas terceirizadas. O nosso sindicato, que é dirigido pela CUT, deveria no mínimo ter feito uma contra proposta para que o conjunto dos trabalhadores não saísse perdendo, mas nem isso foi capaz ou quis fazer. É preciso combater cada ataque nos direitos tanto dos efetivos quanto dos terceirizados e questionar profundamente o envio de capital pra satisfazer a sede de lucro dos acionistas na França em troca da demissão de pais e mães de família e da precarização das condições de vida.

ED: Diante disto, como você acha que os trabalhadores podem se organizar para fazer uma grande campanha contra as demissões e demais ataques?

Ficamos sabendo que o sindicato havia chamado uma reunião no último domingo, dia 12 de julho e que correntes da esquerda, que atuam na fábrica foram proibidas de participar. Essa postura não faz parte da história do movimento operário, das assembleias abertas, das comissões de fábrica, da livre organização sindical e da democracia operária.

Não dá pra enfrentar a patronal com essa direção que está no sindicato. Acho que é preciso superar os limites impostos pela burocracia sindical pra que tenhamos força pra barrar esses ataques e evitar que a patronal jogue a crise nas costas dos trabalhadores.

É preciso uma unidade dos trabalhadores pra enfrentar essa crise, se apoiando em exemplos sólidos, como na greve dos garis do RJ ano passado, como nas greves de várias categorias que ocorreram no país desde o inicio desse ano e vários outros exemplos de luta da história do movimento operário.

Além disso, temos o exemplo de organização, como o Movimento Nossa Classe que vem atuando junto aos trabalhadores pra que retomem o caminho de luta, se organizando contra as demissões, pela redução de jornada sem redução de salário, exigindo a abertura dos livros-caixa da empresa, relembrando sempre que nossa história é de organização e luta, com exemplos de paralisações, greves e ocupações dos operários da antiga siderurgia Mannesmamm.




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