Mundo Operário

CRISE NA SIDERURGIA

Reestruturação da Vallourec irá encerrar produção de aço no Barreiro

A empresa Vallourec, antiga Mannesmann, localizada no limite entre o bairro do Barreiro em Belo Horizonte e Contagem, na região metropolitana, anunciou neste começo de semana que irá encerrar toda a produção de aço da planta até o segundo semestre de 2018. A reestruturação produtiva anunciada pela empresa ocorre após a fusão com um conglomerado empresarial envolvendo a japonesa Nippon e Sumitomo Metal Corporation (NSMC).

quinta-feira 4 de fevereiro| Edição do dia

Apesar de todo esforço e do intenso ritmo de trabalho, com acúmulo de dupla ou até mesmo tripla função no exercício do trabalho nos últimos anos, a perspectiva para os trabalhadores da empresa não é animadora. Apenas nos últimos anos foram aproximadamente 500 demitidos. Estima-se que nos últimos oito anos a empresa perdeu quase 3500 postos de trabalho efetivos, o equivalente a 48% do total.

A empresa está na região desde 1952 e foi palco de importantes lutas e ocupações operárias, como na luta contra a ditadura em 1968 e durante o levante operário dos anos 80. No entanto, nas últimas décadas muitos ataques aos trabalhadores vem sendo implementados, principalmente através da terceirização. E a fusão com a japonesa NSMC pode aprofundar esta tendência. Segundo a economista Flávia Ferreira, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), “com a crise atual muitas empresas do ramo estão se desfazendo, vendendo ou diretamente abandonando setores de produção para gerar mais dinheiro”. No caso da Vallourec segundo informações do jornal “O Tempo” a capacidade prevista para ser abandonada é de 600 mil toneladas de aço bruto por ano. “É uma tendência geral que pode também ser observada nas empresas japonesas; uma utilização acentuada da terceirização e a busca por ’se livrar’ de tudo que não esteja dando lucro”, completa Flávia.

Entre os trabalhadores as principais preocupações são a certeza de demissões, medo de ocorrerem perdas salariais e diminuição das bonificações, como no caso das reclamações sobre a baixíssima PLR. Outro ponto muito citado por trabalhadores da fábrica diretamente ao Esquerda Diário foi a grande intensificação do ritmo de trabalho, no qual muitas vezes uma pessoa faz o trabalho que deveria ser realizado por no mínimo três, aumentando a sensação de insegurança devido ao maior risco de acidentes no trabalho. Para os terceirizados da fábrica este quadro é ainda bem mais grave.

O sindicato da CUT não declarou estar organizando nenhuma mobilização ou luta. Apenas está aconselhando a empresa a transferir os trabalhadores, mas em declaração ao jornal “O Tempo” o representante do sindicato Geraldo Valgas chegou a dizer que “se tiver que demitir mesmo, podia priorizar o aposentado que continua trabalhando e também fazer um PDV (Programa de Demissão Voluntária)”.

A queda no consumo de aço no Brasil em 2015 foi de 16,7%. Este dado mostra que haverá menos vendas, mas não diz nada sobre o lucro acumulado dos patrões e que a reestruturação produtiva anunciada neste começo de ano vai fazer os lucros futuros aumentarem. Enquanto isso a qualidade de vida da grande maioria dos trabalhadores e das suas famílias vai despencar morro abaixo porque suas necessidades de vida e trabalho não enchem mais os bolsos dos ricos empresários estrangeiros e nacionais controladores do conglomerado industrial.

A fusão de grandes multinacionais do aço para tornar a empresa mais competitiva para os capitalistas só acontece às custas de descarregar a crise nas costas dos trabalhadores. O Esquerda Diário se coloca ao lado dos trabalhadores contra as demissões, contra a retirada de direitos e a precarização do trabalho.




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