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Chacina em São Gonçalo | Moradores do Complexo do Salgueiro relatam festa da PM em piscinas antes e depois de chacina

Torna-se cada vez mais chocante os níveis de perversidade e frieza da PM, que realizou uma das chacinas mais horrendas da história do RJ, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. Segundo moradores do Complexo, PM’s fizeram uma festa em uma piscina a cerca de 500 metros de onde foram encontrados corpos em um mangue na manhã de ontem (22). Em claro tom de deboche, PMs desejavam "feliz natal" a quem estivesse na rua.

terça-feira 23 de novembro | Edição do dia

Imagem: Lola Ferreira/UOL

Segundo moradores do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, policiais militares do 7º BPM fizeram uma festa em uma piscina a cerca de 500 metros de onde foram encontrados corpos em um mangue na manhã de ontem (22). A Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ, com base em relatos de moradores, diz que houveram onze mortos.

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A festa teria acontecido na noite de sábado (20) e entre a noite de domingo (21) e a madrugada desta segunda (22), ou seja, antes e depois da chacina — que aconteceu no início da noite de domingo.

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Segundo relatos, um grupo de ao menos 20 policiais militares entrou no Piscina’s Bar na tarde de sábado, e ficou até as 22h. No domingo, por volta das 18h, o grupo voltou para a piscina e ficou até a madrugada.

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Segundo reportagem do UOL, que visitou o local, haviam garrafas quebradas, panelas cheias de comida e sinais de uso da piscina.

Imagem: Lola Ferreira/UOL

Havia também sinais de uso de cigarros e uma Bíblia estava aberta em um balcão. As garrafas de uísque, vodca e outras bebidas mais caras não estavam no local na tarde de hoje. Os moradores afirmam que ao sair da piscina, os PMs desejavam "feliz natal" a quem estivesse na rua.

Dentro do estabelecimento, que estava fechado desde a última invasão — também por PMs, segundo moradores— há inscrições que fazem menção a dois grupos milicianos diferentes, bonde do Ecko e do Tandera, além de uma menção à facção criminosa Terceiro Comando Puro.

Imagem: Lola Ferreira/UOL

No portão de saída, o grupo deixou uma mensagem escrita a giz "agradecendo pela recepção". Na assinatura, uma menção a "variante delta", como mostra a imagem abaixo. Extraoficialmente, delta é um dos grupos de elite dentro da Polícia Militar.

Imagem: Lola Ferreira/UOL

Os relatos também afirmam que dois veículos blindados do Bope (conhecidos como caveirões) bloquearam a entrada do estabelecimento enquanto os PMs faziam festa.

Diante desse absurdo, fica difícil encontrar mais adjetivos para descrever tamanha crueldade dessa situação execrável e odiosa. Dois dias depois do Consciência Negra, mães negras tiveram que entrar no mangue para retirar os corpos de seus filhos. Esse é o Estado genocida de Cláudio Castro, e também o Brasil de Bolsonaro e Mourão, que fazem de tudo para que o Brasil siga sendo atravessado pelo racismo e pela violência policial, deixando à mostra as marcas profundas do passado escravista.

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Nós do Esquerda Diário nos solidarizamos com cada mãe, parente e amigos das vítimas dessa chacina. É preciso lutar para dar um basta às operações policiais nas favelas. A esquerda precisa defender o fim da polícia, se inspirando na luta do Black Lives Matter nos EUA, pois essa instituição reacionária tem o racismo no seu DNA, e serve para amontoar corpos dentro das favelas, para garantir a miséria e a marginalização do povo negro, com o objetivo de garantir os interesses da burguesia e da elite escravocrata. Assim como foi em Palmares também temos que lutar de maneira irreconciliável contra a burguesia brasileira e suas instituições repressoras. Por todas as mães da comunidade do Salgueiro, faremos Palmares de Novo!

Áudio diário de 5 minutos | 23/11 - Chacina em São Gonçalo/RJ:

Ouça o Esquerda Diário 5 minutos de hoje (23), onde Ana e Jef falam sobre a revoltante operação policial no morro do Salgueiro no Rio de Janeiro, onde os corpos das vítimas foram retirados do mangue pelas próprias mães:

Com informações de UOL




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