Educação

REFORMA DO ENSINO MÉDIO

Governo Pimentel tenta implementar às pressas Reforma do Ensino Médio em MG

A Secretaria de Educação de Minas Gerais vem criando espaços "a toque de caixa" para implementar a polêmica reforma do ensino médio em Minas Gerais.

Flavia Valle

Professora, Minas Gerais

segunda-feira 13 de novembro| Edição do dia

A tentativa de dar um "ar democrático" na implementação da reforma, amplamente contestada por estudantes e educadores, apenas reafirma a postura do governo mineiro de Fernando Pimentel e da Secretaria de Educação de legitimar as medidas antidemocráticas que vem sendo implementadas pelo governo federal.

Representantes de estudantes e professores foram convidados para uma reunião hoje como parte das medidas para a implementação da Reforma do Ensino Médio nas escolas. A reunião acontece em dois turnos, na Escola Estadual Maurício Múrgel com objetivo de serem dadas orientações sobre a implementação de rodas de conversa nas escolas sobre a Reforma do Ensino Médio.

Entre uma das orientações estava a realização no prazo de 17 dias de rodas de conversas protocolares nas escolas, como forma de sugerir um caráter de debate e pluralidade para a implementação da polêmica lei nº 13.415, que versa sobre a Reforma do Ensino Médio.

Ignoram assim as dúvidas generalizadas sobre a implementação da Lei. Mas mais que isso, como faz o governo federal golpista, tentam esconder o amplo protesto de alunos e professores sobre o caráter antidemocrático dessa reforma, no que se refere a sua elaboração e a implementação nas escolas, que visa aprofundar a desigualdade do acesso a um ensino de qualidade em nosso país.

Na verdade, a Secretaria de Educação de Minas Gerais e o governo mineiro querem que os representantes escolares de estudantes e professores atuem como correntes de transmissão da atual reforma. Os representantes presentes dos professores e estudantes, porém, prontamente questionaram a imposição da reforma a toque de caixa no Estado.

Questionamos o fato daquela reunião não informar sobre qual a fonte das verbas para o ensino integral. Denunciamos que o governo de Fernando Pimentel seguirá com a política de privatização da educação via PPPs (Parcerias Público Privadas).

Questionamos o que acontecerá com professores de Sociologia, Artes, Educação Física e Filosofia que perderam a obrigatoriedade das disciplinas. Denunciamos que pessoas com "notório saber" sem formação alguma poderá passar a dar aulas.

Denunciamos que a reforma, ao não valer integralmente para todas as redes de ensino, aumentará ainda mais a desigualdade entre a escola pública e particular e o filtro o vestibular.

Questionamos o que vai acontecer com o jovem que não tiver acesso à área de conhecimento na escola próxima de sua casa ou até mesmo em seu município. Denunciamos a falsa ideia da "escolha" que a maioria dos jovens nunca terão o direito.

Esconder esses problemas estruturais que teremos com a implementação da Reforma do Ensino Médio, como está fazendo o governo mineiro, é cumprir um papel criminoso com a educação.

Leia na íntegra a seguir o documento escrito na hora, em protesto à Secretaria de Educação e ao governo de Fernando Pimentel que querem implementar "goela abaixo" a Reforma do Ensino Médio em Minas Gerais.

"Nós, educadores, estudantes e gestores da rede estadual de enino de Minas Gerais, nos colocamos contrários à Reforma do Ensino Médio proposta e a maneira como ela vem sendo implementada. Chamamos o debate verdadeiramente democrático sobre o que queremos da educação. No momento em que a Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais (SEE-MG)estabelece prazos e rotinas sem se preocupar com o dia a dia da escola e com as consequências da Reforma, ela legitima um processo anti democrático imposto pelo governo federal".




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