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Argentina e Brasil | FIT-Unidad é exemplo de uma frente com independência de classe nas eleições argentinas

O que a esquerda brasileira pode aprender com a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT-U), que avança como terceira força nacional, para derrotar Bolsonaro, seus seguidores, Mourão, a direita liberal fracassada e os ataques?

segunda-feira 13 de setembro | Edição do dia

Foto: Alejandro Vilca e Nicolás Del Caño

Nesse domingo (12), ocorreram as PASO (Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias) na Argentina. As PASO são eleições para "peneirar" os candidatos mais votados meses antes das eleições principais, ou seja, possuem um caráter altamente proscritivo.

Nas PASO de 2021, depois de anos de mandato presidencial da chapa peronista Alberto Fernandez - Cristina Kirchner, se expressou nas pesquisas eleitorais uma grande desilusão da população. Essa desilusão é explicada pelas quase 115 mil mortes por covid, o prosseguimento do pagamento religioso da dívida com o FMI imperialista, enquanto a população padece com demissões e crise econômica, e uma enorme repressão policial aos movimentos operário e sociais, com destaque à batalha campal com o movimento de moradia em Guernica, Buenos Aires.

É nesse cenário de raiva contra a casta política que saltam polarizações na Argentina. Disputando com a Frente de Todos (frente que corresponde ao governismo atual no país), ressurge a alternativa que corresponde ao espectro direitista do ex-governo de Mauricio Macri, com a frente Juntos Por El Cambio. Mas também figuras que expressam os "liberalfachos", que se colocam frontalmente contra o direito ao aborto, por exemplo, na contramão das conquistas do movimento de mulheres argentino.

Veja também: Polarização, campanhas vazias e raiva contra a casta: chaves das eleições

Os resultados nas PASO da FIT - Unidad, esquerda trotskista da Argentina, são de que, em várias províncias e cidades centrais para as eleições argentinas, a esquerda unificada e que defende um programa de independência de classe, avança como terceira força nacional, superando a polarização direitista dos liberalfacho. Especialmente em Jujuy, que tem como principal representante Alejandro Vilca (PTS), socialista gari e indígena, a FIT-U chegou a 24% na categoria de deputados nacionais, em terceiro, depois de Juntos Por El Cambio, com 46%, e Frente de Todos, com 28%.

A Frente de Esquerda comprova que para derrotar a direita e os ataques dos capitalistas, é necessário unificar a esquerda em torno de um programa de independência de classe, sem rabo preso com partidos que são representantes da burguesia, avançando para ter mais cadeiras para apoiar as lutas em curso. Somente a Frente de Esquerda apresentou propostas programáticas para que as maiorias populares possam enfrentar o sofrimento pela crise. Nicolás del Caño (PTS), candidato a deputado nacional, por exemplo, levanta a proposta contra o desemprego de reduzir a jornada de trabalho legal para 6 horas, 5 dias por semana, para que todos possam trabalhar, trabalhar menos, recebendo um salário mínimo de uma renda básica familiar.

Myriam Bregman, candidata a deputada nacional, advogada dos Direitos Humanos que se enfrenta com os ditadores defendidos pela extrema-direita de Milei, ultrapassa 6,22% na maior cidade argentina, a Cidade de Buenos Aires. Bregman é referência para o movimento de mulheres e aponta o caminho para enfrentar os liberalfachos.

Veja também: Resultado histórico da Frente de Esquerda nas eleições prévias legislativas

Essa esquerda unifica partidos como o Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS), organização-irmã do MRT que impulsiona o Esquerda Diário no Brasil, o Partido Obrero e a Izquierda Socialista, independentes dos patrões e conectados às lutas dos trabalhadores, do povo pobre e dos setores oprimidos na Argentina. Se contrapõem exigindo e denunciando as direções burocráticas dos movimentos operário e sociais, que também compõem a base do governo de Alberto Fernandez e Cristina Kirchner, responsáveis pela carestia de vida naquele país.

Especialmente o PTS, que possui maioria na FIT-U, está umbilicalmente conectado com os setores em luta no país, como na mobilização dos profissionais da saúde em Neuquén, combatendo com mais de vinte dias de bloqueios na rota da jazida de hidrocarbonetos de Vaca Muerta, e também contra o despejo de milhares de famílias da ocupação de Guernica. Seu centro de gravidade, na construção de um partido revolucionário para um governo de trabalhadores de ruptura com o capitalismo, constrói seu DNA nessas lutas.

É um exemplo que, para a nossa esquerda brasileira, tem que ser refletido para combater Bolsonaro, seus seguidores, Mourão, militares e a direita liberal fracassada, como o MBL.

No Brasil de Bolsonaro e Mourão, nós, trabalhadores, jovens, indígenas, negros e mulheres, estamos alcançando quase 600 mil mortes por covid, enfrentamos preços inflacionados dos alimentos, altas taxas de desemprego e fome. Precisamos exigir da CUT, da CTB e da UNE, centrais sindicais e entidade estudantil, um plano de lutas que unifique as greves em curso, como a dos trabalhadores da RedeTV em São Paulo e do Detran no Rio Grande do Norte, com a luta dos indígenas contra o Marco Temporal de Bolsonaro e do STF.

Fazemos esse chamado no Brasil ao conjunto das organizações de esquerda, como PSOL e PSTU, e movimentos sociais, para superar a estratégia do PT de governar o capitalismo. O PT, bastante parecido com os peronistas Alberto Fernandez e Cristina Kirchner, já aponta com a possível candidatura de Lula em 2022, que se aliará com os golpistas de 2016 para continuar descarregando a crise em nossas costas. E seu histórico dos governos de Lula e Dilma também confirmam isso, porque foi lá que a terceirização do trabalho triplicou, que os "bancos nunca lucraram tanto" e que as Forças Armadas foram fortalecidas.

É a esse serviço que as direções burocráticas estão e que a esquerda precisa se enfrentar. E não se unificando em manifestações fracassadas do MBL e Vem Pra Rua, como fez Isa Penna, deputada do PSOL, neste domingo (12). Isa Penna postou em suas redes sociais que iria à manifestação do dia 12 em São Paulo por uma "Frente Ampla, tão ampla, até doer". A FIT-Unidad é uma prova de que não é possível defender os direitos dos trabalhadores em uma frente com a direita. Nessa linha, vimos Marcelo Freixo, que levou até o fim a aliança com o golpismo, abandonando o PSOL e entrando no PSB, partido que votou pelo impeachment de Dilma em 2016.

Precisamos levantar um programa emergencial que ataque os lucros dos capitalistas, como o congelamento dos preços dos alimentos a níveis anteriores à inflação da pandemia e auxílio de um salário mínimo. Assim como não é possível confiar nas vias institucionais como o impeachment para colocar o general Mourão racista no poder. Por isso, defendemos uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana imposta pela luta, com delegados eleitos e revogáveis por bairro, em que lá os trabalhadores e o povo pobre, junto aos setores oprimidos, batalhem por uma reforma agrária radical e pela revogação de todas as reformas.

Só unificados com independência de classe, anticapitalista, é que poderemos batalhar por uma sociedade livre da exploração e da opressão.

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