Economia

Estadão: o "alívio" vem dos ajustes e do desemprego, tudo para honrar a dívida pública

"O caminho do alívio" é o nome do editorial do site Estadão, publicado nesta quinta (26). Nele, defendem que o caminho trilhado por Temer, após o golpe, pode ter sido para "alguns a estratégia equivocada" e, apostam fortemente que os ajustes aplicados até agora não foram suficientes para garantir a recuperação do crescimento da economia, mas já teriam rendido "sinais de estabilização". A seguir uma analise sobre esta defesa de Temer e seus ajustes.

quinta-feira 26 de janeiro de 2017| Edição do dia

O alívio expresso pelo site é causado pela queda recente da inflação e juros que seria fruto do "acerto do time econômico" de Temer. Rasgando elogios às "medidas amargas" adotadas para ajustar a economia, diz que "já colhe resultados dos esforços, alguns iniciados na gestão Dilma ainda que claramente insuficientes". Tais ajustes, como a PEC 55, que congela os gastos públicos, a reforma da previdência, que joga a aposentadoria para além da linha do horizonte, são as medidas as que se refere como as impulsionadoras da salvação da economia brasileira.

Entretanto, dois dos principais itens que faz cair a inflação é o alarmante índice de desemprego e o endividamento, pois reduz o consumo. Ponto que tem sido de euforia de muitos economistas burgueses, dado que tal queda da inflação para eles significa que o golpe institucional "está dando certo". Temer ainda anunciou que a meta para 2017 é chegar no centro da meta de 4,5%. Projeções sobre o mundo do trabalho apontam ser possível, dado que o desemprego só aumenta no país. Ou seja, comemoram a queda de um índice que em suas entranhas revela a miséria crescente do povo.

Busca a justificativa para um plano econômico onde depois de aplicar seus ajustes atrairá investidores para o país. Só a partir daí começará ser possível gerar mais emprego e combater o índice crescente de desemprego. Os números alcançam a marca de 14% de desempregados no Brasil, para estes resta aguardar a preparação dos pilares de uma economia que atraia investidores.

Ainda está dito no texto que imaginavam os empregos voltando em "2017 em vista da priorização da infraestrutura como área de investimento. Em poucos meses de seu mandato, Michel Temer havia tomado providências importantes para ativar o setor…aprovou o fim do monopólio da Petrobrás no pré-sal, garantiu lucratividade para os investimentos privados em infraestrutura". Como explicito neste Dossiê sobre a Petrobrás, o que a privatização da estatal traz, dentre outras coisas, a precarização dos postos de trabalho e demissão em massa.

Noutra parte do texto, faz um comparativo com primeiro mandato de Lula, onde os investimentos externos no país garantiram o crescimento da economia e a queda do desemprego. Agora, o fundamento se mantém, porém, atrair investimento externo para gerar empregos. A fórmula para isso é o ajuste fiscal e a aposta na queda do índice de inflação. Ainda aposta que "quem sabe uma taxa em torno de 7,5%" em 2017.

Mas o que mais amedronta as perspectivas positivas do texto é que "o aumento da dívida pública é de tal ordem que desperta desconfiança quanto à capacidade do governo de honrá-la". O que é pilar central de todo plano esboçado por Temer e elogiado pelo Estadão, aplicar os ajustes para mostrar para os banqueiros que a dívida será honrada.

O "alívio" expressado pelo Estadão é o de ver Temer salvaguardando o "bolsa-banqueiro", responsável por cerca de 45% do arrecadado pelo país, fruto de uma dívida já paga. A questão colocada é: para atrair investidores deve-se manter o índice crescente de desemprego? Acho que não. Todo esse dinheiro deveria ser revertido para construção de postos de trabalho, aplicado em saúde e educação, diferente do que vem fazendo Temer e seus golpistas, fazendo com que os trabalhadores paguem pela crise dos ricos.




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