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CRISE DO CORONAVÍRUS

Em meio à crise do coronavírus, merendeiros e cuidadores terceirizados são demitidos em São Paulo

Passado menos de uma semana da suspensão das aulas na rede estadual de escolas em São Paulo, por conta do coronavírus, trabalhadores terceirizados, como merendeiras, motoristas e cuidadores de crianças com deficiência, começam a ser demitidos pelas empresas que prestavam serviços, sendo deixados à própria sorte

segunda-feira 30 de março| Edição do dia

Passado menos de uma semana da suspensão das aulas na rede estadual de escolas em São Paulo, por conta do coronavírus, trabalhadores terceirizados, como merendeiras, motoristas e cuidadores de crianças com deficiência, começam a ser demitidos pelas empresas que prestavam serviços, sendo deixados à própria sorte.

Estas demissões ocorreram devido à uma resolução que passou a valer, assinada por Rossieli Soares, secretário da educação de Dória, que determinava a suspensão dos contratos a partir da última segunda-feira (23), momento em que houve a interrupção das aulas presenciais nas 5300 escolas de São Paulo. Segundo Rossieli, o governo estadual não poderia “continuar pagando por um serviço que não está sendo prestado”.

O secretário ainda tenta se explicar com o discurso demagógico de que “não temos relação trabalhista direta com esses funcionários, mas temos muita preocupação. A nossa orientação às empresas não era de demissão, mas de se antecipar férias”. Os contratos suspensos tinham previsão de encerramento para o fim de 2020.

Nadir Francisca Silva, de 57 anos, merendeira há seis anos na escola estadual Gregório Bezerra, em Diadema (Grande SP), disse ter ficado surpresa ao ser demitida na segunda passada, relata que “disseram que estavam dispensando todas as merendeiras por causa da crise, que não tinham outra opção”. Sem uma reserva financeira e tendo agora que sobreviver apenas com a aposentadoria do marido, Nadir disse querer começar a procurar emprego. “Mas não sei nem como fazer nesse momento. Está tudo fechado. Só sei que tenho que ir atrás, porque, além do salário, eu perdi também a cesta básica e a de produtos de limpeza que recebia todo mês da empresa.”

Enquanto o governador de São Paulo por um lado polemiza com Bolsonaro, se opondo à sua política negacionista de recusa à quarentena horizontal e se colocando como “preocupado em salvar vidas”, por outro, seu governo segue assinando resoluções como esta, as quais colocam terceirizados, que já sofrem com subempregos e subsalários, em situação de desemprego, ficando desamparados em meio à pandemia, e na maioria dos casos, assim como no de Nadir, tendo que procurar trabalho nesta situação, se expondo a contrair o vírus, pondo em risco a si mesma e a sua família.

Em meio à crise sanitária, que aprofunda também a crise econômica, se faz necessário para que não haja mais pessoas na situação de Nadir, que não sejam permitidas demissões, que todos os trabalhadores de serviços não essenciais tenham licenças remuneradas. Para conter a proliferação do vírus e para que se consiga identificar os infectados é essencial que tenhamos testes massivos para toda população, um número centenas de vezes maior do que o prometido por Doria, de 2 mil testes por dia, que ainda por cima nem está sendo de fato implementado.

Uma vez que até o ministro da saúde prevê que o sistema de saúde público entrará em colapso em abril, para que isto não ocorra é necessário que o SUS, assim como todo sistema de saúde privado, seja estatizado, centralizado e que seja gerido e controlado por trabalhadores da saúde. Para realmente dar uma resposta à altura para esta crise, grandes empresas deveriam voltar sua produção para itens essenciais ao combate ao Covid-19, como leitos de UTI com respiradores.




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