Política

GOVERNO BOLSONARO

Em igreja evangélica, Bolsonaro diz que sua eleição “teve propósito divino”

Durante viagem a Manaus, na noite de terça-feira, dia 26, Jair Bolsonaro foi a um culto na igreja Assembleia de Deus promovido em sua homenagem. Nesse culto, enquanto era ovacionado por um público de cerca de 15 mil evangélicos, o presidente da República disse que sua eleição em 2018 teve um propósito de Deus.

quarta-feira 27 de novembro| Edição do dia

Foto: Marcos Corrêa/PR

Por 15 minutos, o presidente falou aos fiéis e lembrou da promessa de indicar um ministro "terrivelmente evangélico" para o STF. "Eu tenho duas vagas. Uma será de um evangélico, como eu disse", ele reforçou. Sob os gritos de “mito”, Bolsonaro, afirmou que sua chegada a Presidência teve um propósito divino: "Deus tem propósito para cada um de nós. Eu jamais pensei chegar onde cheguei. Tudo sendo feito contra minha pessoa, sem dinheiro, sem fundo partidário. Aliás tinham duas coisas a favor de mim: Deus e o povo a nosso lado".

Durante o discurso, Bolsonaro se mostrou insatisfeito com as dificuldades que encontrou ao se tornar presidente, mesmo numa eleição manipulada do início ao fim. Ele voltou a dizer que "a lei tem que ser feita para atender as maiorias, e não as minorias". Aproveitando o público evangélico, Bolsonaro chegou a dizer que o lema "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos" foi uma inspiração divina que ele teve durante uma oração há quatro anos.

Esse público teve papel importante na eleição de Jair Bolsonaro em 2018, quando pastores evangélicos fizeram seus púlpitos de palanque político para Bolsonaro fazer sua campanha reacionária, enquanto fugia dos debates, e propagandearam fake news carregadas de machismo e homofobia. Agora, após sua eleição, não é por acaso que Bolsonaro inclui cultos em sua agenda política. Os pastores e as pastoras evangélicos seguem sendo importante ponto de apoio de Bolsonaro na manutenção de seu governo e agenda de ataques contra o trabalhador e o povo pobre brasileiro, uma vez que esses “líderes” convencem seus fiéis a apoiar medidas de ataques, reformas e até mesmo as declarações mais absurdas de Jair Bolsonaro.

Como publicamos anteriormente nesse diário, pastores evangélicos esperam de Bolsonaro mais privilégios para suas rendas e Igrejas e já negociam o reconhecimento por toda a campanha que fizeram durante as eleições. Querem ser agraciados com a manutenção da isenção tributária para as Igrejas e para a altíssima renda dos pastores, pagas com o dinheiro do dízimo dos fiéis.

Sendo que, em junho desde ano, o governo já flexibilizou normas para prestação de contas de Igrejas, facilitando a ocultação de patrimônio, evasão de divisas e a realização de outras medidas de enriquecimento ilícito que poderiam ser configuradas em lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e estelionato, como aquelas pelas quais o famoso casal Hernandes (Igreja Renascer em Cristo) foi acusado no Brasil e chegou a ser preso nos EUA.

Além do apoio das igrejas brasileiras ao governo de Bolsonaro no Brasil, sua influência conservadora e reacionária ecoa também na América Latina. Durante o golpe reacionário que ocorreu na Bolívia, uma reportagem do jornal boliviano El Periódico tornou públicos áudios trocados entre a oposição direitista boliviana, onde afirmam que sua atuação golpista tem o apoio do presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PSL) e das igrejas brasileiras também.

A fala de Bolsonaro na igreja em Manaus se assemelha a um delírio em que ele se sente quase que um rei absolutista, o qual todos acreditavam ter sido escolhido pelo deus cristão para o cargo. E o fato de ele seguir usando os cultos e púlpitos evangélicos como palanque para, agora, suas promessas mais reacionárias e conservadoras, num Estado que, teoricamente, é laico, não pode ser definida por outra palavra senão absurdo.

É necessária a imediata separação do Estado com as Igrejas. Não deve haver nenhum tratamento privilegiado para as Igrejas em relação às demais instituições e organizações da sociedade civil. É necessário que o Estado não esteja sob a influência de interesses ideológicos de nenhuma instituição religiosa no que diz respeito a moral e aos costumes. Acordos políticos que envolvem a Igreja e o Estado devem ser rechaçados, como o Acordo Brasil-Vaticano e sua extensão às igrejas evangélicas, ou a intromissão de pastores e padres em temas como a legalização do aborto, a criminalização da homofobia e a educação sexual nas escolas.




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