Política

Crimes contra humanidade são marca da Bayer e da Monsanto

quarta-feira 14 de setembro de 2016| Edição do dia

O grupo farmacêutico químico alemão Bayer anunciou nesta quarta feira que acertou a compra da empesa agroquímica americana Monsanto por 66 bilhões de dólares. Trata-se do maior acordo de aquisição fechado neste ano e, se concretizada, a maior aquisição feita por uma empresa alemã, controlando mais de 28% dos pesticidas e sementes transgênicas no mundo. Estas duas empresas que se fundiram numa negociata milionária, também é conhecida por inúmeros crimes contra a humanidade.

A empresa Monsanto vai ser julgada em outubro no tribunal em Haia, por crimes contra a humanidade e o meio ambiente. Apesar das denuncias serem reais, o julgamento não possui iniciativa legal, portanto trata – se de uma ação simbólica. A Monsanto será julgada por utilizar uma substância que coloca em risco os animais e a fertilidade humana, por usar um componente que foi usado para a produção do agente Laranja durante a guerra do Vietnã, por usar Roundup, um herbicida mais utilizado no mundo, fonte de escândalos e ameaça saúde ambiental. Esta substancia é considerada carcinógeno pela OMS.

Em 2013, a empresa perdeu uma ação contra diversos integrantes de movimento sociais no Brasil. Em 2003, a multinacional acusou cinco militantes ligados a movimento sem terra por serem mentores e autores de supostos crimes que ocorreram em 2003. O motivo desta ação, foi uma retaliação da empresa em resposta á manifestação de 600 participantes da segunda jornada de Agroecologia. Naquela época, os manifestantes estavam denunciando a entrada de sementes transgênicas no Estado do Paraná.

De acordo com a investigação da Jornalista Francesa, Marie Monique Robin, a Monsanto faz pesquisas e estudos de caráter duvidosos em apoio ao seu produto. Esta pesquisa relaciona a expansão de grãos com o suicídio de agricultores na Índia, detalha as relações políticas da companhia que permitiram a liberação do plantio de transgênico nos Estados Unidos. Em 2007 a empresa havia mais de 100 milhões de hectares plantados com semente geneticamente modificada, metade nos Estados Unidos e o restante em países emergentes como a Argentina, a China e o Brasil.

De acordo com a jornalista, a Monsanto sabia dos efeitos perversos de seus produtos desde 1937. Em 2002, os moradores da cidade de Anniston ganharam uma indenização de 700 milhões de dólares. Na cidade com menos de 20 mil habitantes, foram registrados 450 casos de criança com doença motora cerebral, além de dezenas de mortes provocadas pela contaminação do PCB.

Robin alerta que a influência da Monsanto atinge até a Casa Branca. Esta influência remota aos tempos da Segunda Guerra Mundial e ao período da Guerra Fria. Donald Rumsfeld, ex – secretário de defesa do governo Bush filho, dirigiu a divisão farmacêutica da companhia. Em 1942, o diretor Charles Thomas e a empresa ingressaram no Projeto Manhattan, que resultou na criação da bomba atômica.

Na Guerra do Vietnã, a empresa fornecia agente laranja, na qual os efeitos duram até hoje. A jornalista visitou o Museu dos Horrores em Dioxina, em Ho Chi Minh, onde se podem ver os efeitos do produto sobre os fetos e recém - nascidos. Alan Gibson, vice – presidente da associação dos veteranos americanos da guerra do Vietnã, falou á autora dos efeitos do agente laranja: "Um dia, estava lavando os pés e um pedaço de osso ficou na minha mão".

Já a multinacional alemã Bayer - parte do monopólio farmacêutico IG Farben - é conhecida por usar trabalho escravo em Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial. Esta mesma empresa usou prisioneiros como cobaia para a realização dos testes de medicamentos (em muitas das ocasiões levando a resultados fatais). Nos Estados Unidos, os testes de medicamentos em prisões foram mantidos durante décadas após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Na primeira guerra mundial, esta indústria química produziu explosivos, munições e gás venenoso. A Coordenação contra os perigos da Bayer denunciou na comemoração dos 150 anos da empresa alemã "No ano passado a empresa Bayer celebrou o seu 150º aniversário. Porém o lado obscuro da companhia foi completamente ignorado: nem sua relação mutuamente beneficiosa com o Terceiro Reich, nem as intoxicações por praguicidas ou produtos farmacêuticos mortais foram mencionados nas celebrações. Agora, estamos nos aproximando do 100º aniversário do início da Primeira Guerra Mundial. Uma vez mais, a Bayer evita qualquer discussão sobre seus numerosos crimes corporativos".

A multinacional também havia explorado trabalhadores forçados na Primeira Guerra Mundial. No outono de 1916, Carl Duisberg exigiu: “Nos dê acesso à grande reserva de pessoas na Bélgica’’. “Quando terminou a guerra, Carl Duisberg estava na lista das pessoas que os aliados queriam extraditadas, e tinha boas razões para temer ser julgado como criminoso de guerra. Filiais da Bayer nos EUA foram expropriadas”. Afirma a Coordenação.

Em 2006, foi revelado que a empresa Bayer vendia vacinas para os Estados Unidos e que estas estavam foram facilmente contaminadas pelo HIV. Com o objetivo de cobrir os rastros, de acordo com os Jornalistas que investigaram este caso, a empresa vendeu estas vacinas para os consumidores do Japão, França, Espanha e outros países, onde hemofílicos foram contaminados com o HIV através da vacina.

Tanto os crimes históricos cometidos pela Bayer e a Monsanto, mas também a fusão entre estas duas empresas demonstram a ânsia dos grandes empresários de lucrarem em cima do que deveria ser um direito para os trabalhadores e setores populares da sociedade. Esta nova ave de rapina que surgiu já suja de sangue por conta do seu passado vai passar a ter o controle sobre as pesquisas e testes transgênicos em dezenas de países.




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