Política

CONTRA A PERSEGUIÇÃO POLÍTICA A DEPUTADO DO PSOL

Ato em defesa do mandato de deputado de Jean Wyllys

Com base no processo instaurado na Comissão de Ética da Câmara após Jean Wyllys ter cuspido em Bolsonaro respondendo às suas provocações e insultos homofóbicos, o relator do caso pede 120 dias de suspensão do mandado do parlamentar do PSOL. Não há precedente de uma suspensão assim na Câmara. Na segunda-feira, 6, ocorrerá um ato público contra essa perseguição política ao mandato de Jean Wyllys.

sexta-feira 3 de fevereiro de 2017| Edição do dia

A cena de Jean Wyllys cuspindo em Bolsonaro viralizou nas redes, e não foi à toa: o gesto do deputado do PSOL expressou a vontade de milhares de pessoas que se revoltam com as palavras e as atitudes de Jair Bolsonaro.

O parlamentar do PSC, notório LGBTfóbico, machista e racista, já foi visto em diversas oportunidades, fartamente documentadas, incitando o estupro, proferindo insultos homofóbicos contra Jean Wyllys, como chamá-lo de "queima rosca" ou "viado".

Esses insultos, aliás, foram repetidos por Bolsonaro à exaustão no dia em que Jean Wyllys revidou cuspindo nele. E não foi a única medida reacionária dele naquela sessão: era a votação na Câmara do impeachment de Dilma, e ao declarar seu voto a favor do golpe parlamentar, Jair Bolsonaro o dedicou ao torturador da ditadura, Carlos Alberto Brilhante Ustra, complementando ainda que ele era "o pavor de Dilma Rouseff" - Ustra chefiava o aparato repressivo quando a ex-presidente foi torturada pelo regime militar.

Em decorrência disso, o nome de Bolsonaro foi também levado ao Conselho de Ética da Câmara, mas foi arquivado por 11 votos a 1 pelos parlamentares, que parecem não ver nenhuma "quebra de decoro" em que se homenageiem torturadores no plenário da Câmara.

Não foi o primeiro processo em que Bolsonaro se safou: em 2014, ele foi levado à comissão por incitar o estupro, no famigerado episódio em que disse à deputada Maria do Rosário, da tribuna da Câmara, que não a estupraria porque ela "não merece". O processo foi arquivado porque seu mandato havia se encerrado (e para a Câmara pouco importa que ele permanecesse ali, já que era outro mandato). O STF tornou Bolsonaro réu, em junho de 2016, por esse episódio.

Ainda em outra ocasião, em 2013, os parlamentares da Comissão também votaram por unanimidade arquivar o processo movido por Randolfe Rodrigues (Rede), que foi agredido com um soco por Bolsonaro quando ele participava de uma visita feita pelos membros da Comissão da Verdade da Câmara e do Senado às dependências do extinto DOI-CODI no Rio.

Diante da passividades dos parlamentares frente aos absurdos homofóbicos, misóginos, machistas e reacionários que diz Bolsonaro, as suas agressões físicas e provocações, um cuspe é muito barato. Todos os que são ofendidos cotidianamente por Bolsonaro se sentiram um pouco vingados.

Para Jean Wyllys, contudo, a medida parece ser distinta: o relator de seu processo por causa do cuspe recomendou a suspensão de seu mandato por 120 dias. A descrição do ato em defesa do mandato de Jean Wyllys retoma como é rara a punição de um parlamentar com medida semelhante:

"Até hoje, só uma única outra vez um deputado teve uma suspensão aprovada na Câmara. Tratava-se de um parlamentar ligado ao bicheiro Carlinhos Cachoeira e ao crime organizado no estado de Goiás. A sua pena foi de 90 dias. Menor que a pena solicitada pelo relator no Conselho de Ética (apesar de não existir nenhuma acusação por desvio ético) contra o Jean (que é de 120 dias)."

Diana Assunção, do Sindicato dos Trabalhadores da USP e do MRT, e que foi candidata a vereadora de São Paulo pelo PSOL, falou sobre o caso:

"Trata-se de uma evidente perseguição política a tentativa de suspender Jean Wyllys. A Comissão de Ética não cogitou suspender Bolsonaro nem por um dia por sua homenagem ao torturador Ustra, nem por seus permanentes insultos homofóbicos contra Jean Wyllys. Isso mostra muito bem a serviço de que está essa casa de privilegiados, com deputados que foram diretamente responsáveis por um golpe parlamentar a serviço de aprovar ataques contra os trabalhadores e o povo pobre para salvar os lucros dos capitalistas. Presto minha total solidariedade a Jean Wyllys e estarei presente no ato em defesa de seu mandato, que deve ser defendido diante dos ataques dessa direita golpista."

Carolina Cacau, estudante da UERJ e professora da rede pública do Rio, também do MRT e que foi candidata a vereadora no Rio pelo PSOL, também confirmou presença no ato e declarou:

"O ataque ao mandato de Jean Wyllys por parte dos parlamentares que querem sua suspensão, como o PSC de Bolsonaro e Malafaia, é um ataque a todos aqueles que defendem os direitos da população LGBT. A família Bolsonaro é importante aliada de figuras da direita do Rio de Janeiro, como o prefeito Marcelo Crivella, do PRB, e sua influência deve ser combatida por todos aqueles que defendem os direitos dos trabalhadores, da juventude, das mulheres, dos negros e LGBTs. É fundamental que a esquerda fortaleça as medidas de apoio e solidariedade a Jean Wyllys e contra a suspensão de seu mandato. Por isso estarei presente no ato de segunda-feira."

O ato em defesa do mandato de Jean Wyllys ocorrerá na segunda-feira, 6, no Clube Municipal Tijuca,
Rua Haddock Lobo, 359, às 18:30.




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