Política

ENTREGUISMO

A farsa por trás do protecionismo de Bolsonaro, o vassalo de Trump

Virgínia Guitzel

Travesti, trabalhadora da saúde pública e militante do grupo de mulheres Pão e Rosas

terça-feira 27 de agosto| Edição do dia

Neste domingo (25), Bolsonaro posou de protecionista questionando a "ajuda emergencial" do G7 de 20 milhões de dolares para a Amazônia. O mesmo Bolsonaro que cansou de bater contingencia para os EUA e chegou até a adaptar seu slogan em maio, quando visitava o Texas, para "Brasil e Estados Unidos acima de tudo", quer que acreditemos que ele irá defender a soberania nacional.

Bolsonaro falou à imprensa: "Macron promete ajuda de países ricos à Amazônia. Será que alguém ajuda alguém, a não ser uma pessoa pobre né, sem retorno? Quem está de olho na Amazônia? O que eles querem lá?"

Sem dúvida alguma há que se questionar os interesses europeus em ajudar a Amazônia. Se é verdade que nenhum destes líderes imperialistas está preocupado verdadeiramente com o meio ambiente, não é menos absurdo que Bolsonaro nos quer fazer acreditar que ele será o defensor da soberania nacional.

Só pode acreditar que há algum verdadeiro questionamento a ingerência imperialista, quem não tenha lido nada sobre o recente acordo UE- Mercosul, que visa reforçar os aspectos semi coloniais do nosso país, baseando a economia na reprimarização e na entrega dos nossos recursos naturais. Um acordo completamente preocupante inclusive pro próprio desenvolvimento capitalista, uma vez que promete desvalorizar ainda mais a produção industrial no Brasil.

Mas é ainda mais ridículo ouvir isso da boca de um orgulhoso capacho do imperialismo norte americano, um representante direto destes interesses, o que explica ter sido escolhido, mesmo que como última opção para representar este projeto de país que desde 2016 através da Operação Lava Jato e sob a sombra de "combater a corrupção" veio permitindo a interferência na política brasileira. Com direito a usurpar das massas o sufrágio universal orquestrando um golpe institucional para poder descarregar a crise internacional nas costas da classe trabalhadora, num ritmo muito mais acelerado do que o PT era capaz (mas tentava sem hesitar).

O pagamento religioso da dívida pública, algo que é inquestionável ao Bolsonarismo, suas peripécias de enfrentamento com a China para sinalizar uma cega submissão aos Estados Unidos na sua guerra comercial, e a maneira com que defende as novas privatizações anunciadas pelo governo através de Paulo Guedes são outra cara dessa falso combate ao imperialismo. O Brasil está a venda.

Esse é um governo de entrega total, na busca de transformar o Brasil - ainda mais quando se relaciona os ataques a educação como o Future-se ao projeto de país que os golpistas avançam a concretizar com suas reformas - numa fazenda, no sentido de sua economia baseada na exportação de matérias primas, principalmente a soja.

Todavia, se na Amazônia e ao tratar do meio ambiente Bolsonaro decide comprar briga até mesmo com líderes imperialistas é porque além de agradar seus sócios-imperialistas sabe bem que está no governo em base ao agro negocio e toda a estrutura pré capitalista dos latifundiários. Por isso todo o sangue indígena derramado na ditadura lhe parece pouco. E toda natureza não passa de uma moeda de troca que não vale mais do que o lucro destes setores.

Por isso, nenhum combate ao Bolsonarismo pode ser verdadeiramente independente senão for também anti imperialista e contra a reacionária burguesia brasileira. É preciso organizar uma luta independente através de confiarmos unicamente em nossas próprias forças, através de cada local de trabalho e de estudo, para ligar a defesa da Amazônia a luta contra todos os ataques que estão colocados como a Reforma da à previdência e o Future-se. Somente uma resposta anti capitalista pode permitir questionar este projeto de país organizado pelos golpistas a serviço do capital estrangeiro.




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