Política

DESTRUIÇÃO DA AMAZÔNIA

A Amazônia espremida entre a fúria do agronegócio, Bolsonaro e do imperialismo europeu

Após os gigantescos incêndios que alcançaram todo o Brasil e o mundo, gigantes no mundo disputam para ver qual saída dar ao desmatamento. Por um lado o agronegócio e Bolsonaro, que chega às ridículas declarações de colocar a culpa em ONG’s. Por outro, o imperialismo europeu usa de demagogia com relação à preservação ambiental para aumentar seus lucros.

sexta-feira 23 de agosto| Edição do dia

Desde janeiro deste ano as queimadas na Amazônia aumentaram 82%, chegando ao limite essa semana com a fumaça chegando no sudeste do país, chocando o mundo pela bárbarie capitalista impulsionada pelo governo Bolsonaro, que chegou a chamar o incêndio de “fake news” e depois que percebeu que não tinha como negar imenso desastre ambiental, falou que as ONG’s eram as culpadas.

A recusa de Bolsonaro é em aceitar as consequências da sua política (anti)ambiental de devastação, ao colocar o meio ambiente como barreira para o desenvolvimento, ao opor as demarcações de terras indígenas ao avanço do agronegócio, e criminalizar a pauta da redistribuição de terras; ele jogou gasolina no apetite incendiário dos latifundiários por terras, fazendo com que eles avançassem, deixando um rastro de devastação da fauna e flora, bem como dos indígenas e lideranças rurais.

Diversas personalidades se manifestaram, entre elas políticos de todo tipo que se dizem preocupados com a Amazônia. Diversas personalidades se manifestaram, entre elas políticos de todo tipo que se dizem preocupados com a Amazônia. A demagogia das lideranças políticas dos países europeus, que condenam a catástrofe ambiental no Brasil, enquanto acobertam em seus países várias das empresas e indústrias mais poluidoras do mundo, muitas delas, inclusive, com participação e interesses no agronegócio brasileiro. Angela Merkel e Macron deram duras declarações contra Bolsonaro, ameaçando pautar no G7 a questão da Amazônia e de romper o acordo de submissão do Mercosul e a UE assinado pelos países. Os dois políticos são os mesmo que fazem vistas grossas aos negócios da Monsanto e a Bayer CropScience, por exemplo, maior produtora do mundo de agrotóxicos e aberrações transgênicas.

Para entender o fenômeno e como agem as diversas alas do imperialismo acerca do incêndio na Amazônia, é necessário analisar o próprio avanço das queimadas como parte do avanço do agronegócio e do grande latifúndio no país.

Como relatamos aqui em nosso editorial , “Desde que o cultivo da soja foi adaptado para o cerrado, os anos 80 e 90 assistiram a expansão acelerada da fronteira agrícola em direção ao Centro-Oeste. A sobrevalorização do preço das commodities durante os anos 2000 só intensificou esse processo, nem mesmo a vastidão do Centro-Oeste foi suficiente para aplacar o apetite sem fim do latifúndio brasileiro, completamente fundido tecnológica e financeiramente com o imperialismo e o capital financeiro que avança no campo brasileiro, e especialmente na fronteira amazônica. Em 2003, quando Lula assumiu o poder, os latifúndios concentravam 214,8 milhões de hectares. Ao entregar a chave do Palácio do Planalto para Dilma, os latifúndios já ocupavam 318 milhões de hectares. Frente ao esgotamento de terras na região central do país, os olhos dos ruralistas cresceram em direção à região norte e à Amazônia, que se tornou a nova fronteira de expansão. Como evidência desse processo, no primeiro ano da década de 90 a produção de soja na região norte era de 0,2 toneladas, no ano de 2013 a produção saltou para 3,3 milhões de toneladas. Em 2018, só o estado de Tocantins já produzia 3,1 milhão de toneladas de soja, e a região norte já tinha alcançado 5,9 milhões de toneladas.”

Ao mesmo tempo que Bolsonaro representa o casamento do mais obscuro e autoritário que possa representar a extrema-direita no país, incentivando o aumento do desmatamento na Amazônia e se colocando como o representante do agronegócio no país. As diferentes alas do imperialismo disputam para ver como a crise ambiental será usada para os seus próprios lucros no contexto marcado pela Guerra Comercial EUA-China.

Diante do gigante peso que tem o Brasil no fornecimento de commodities internacionalmente, como a soja e o milho, se torna vital para o Imperialismo decidir como, onde e por quem será produzido esses alimentos. Enquanto Bolsonaro tenta se comprometer ainda mais à Trump, na guerra comercial EUA-China, grande parte do balanço de pagamentos depende justamente do comércio com a China.

Nessa disputa, agora entra a Alemanha que está ameaçada pelo gigante Asiático. Parece bastante favorável para Merkel impor sançôes à Bolsonaro, como a taxação das commodities, que poderia favorecer o próprio agronegócio europeu, num momento em que China e EUA aumentam as tarifas dos produtos entre si, e pode fazer os produtos europeus entrarem mais na pauta de importação de alguns desses países.

Apesar das ameaças é importante entender, que não necessariamente as sanções signifique uma ruptura definitiva com o acordo Mercosul - União Europeia, uma vez que esse acordo é muito mais benéfico para os grandes imperialistas que avançaram sobre sua dominação na América Latina. Política docilmente acatada por Bolsonaro, que inclusive oferece 17 estatais para a privatização que o capital europeu tem bastante interesse.

Por outro lado são esses mesmo setores, os grandes financiadores do avanço do agronegócio por meio de diversas empresas produtoras de máquinas e sementes para o cultivo nas regiões desmatadas, como Cargill, ADM, Dreyfuss, Bungee, BayerCropScience que adquiriu a Monsanto recentemente e a norueguesa Yara. Inclusive são elas as maiores produtoras e fornecedoras de agrotóxicos, que agora até mesmo os mais tóxicos são amplamente liberados por Bolsonaro.

Longe de representar alguma preocupação ambiental, o imperialismo se utiliza da barbárie capitalista para avançar na sua sede por lucros e tornar a Amazônia moeda de troca das suas disputas com outros países.

Taxações e sanções aplicadas pela Alemanha, França e outros países, não diminuirão o desmatamento do país, na verdade aumentariam o desemprego no país por meio do acirramento da crise econômica no país, que só não é maior pelo peso da agricultura. Uma crise que Bolsonaro não consegue evitar e que se utiliza dos métodos mais bárbaros de destruição ambiental com o agronegócio e das pesadas reformas contra os trabalhadores, como a trabalhista e a da previdência.

O desenvolvimento tecnológico produzido hoje é controlado majoritariamente pelas empresas e para seus benefícios. Pensar uma produção eficiente tanto produtivamente quanto sustentável é pensar uma sociedade que se organize pelos interesses da maioria, ou seja, dos trabalhadores. Fica cada vez mais claro que dentro do capitalismo é impossível ter sustentabilidade e uma utilização racional e ambientalmente correta dos recursos naturais.

É uma grande hipocrisia que diversos países imperialistas do mundo expressem preocupação com a Amazônia, sendo que é o capital desses países que financia a destruição da natureza em diversos países semi-colonizados no mundo.

Acabar com o desmatamento e lutar por uma organização racional da sociedade bem como de seu uso da natureza passa por acabar com a miséria que reserva Bolsonaro e as distintas alas do imperialismo no mundo. Passa pela necessidade dos trabalhadores, controlarem a economia a partir de suas necessidades, bem como do uso da tecnologia mais avançada para produzir e fornecer a toda a população, sem o destruir o meio ambiente. Afinal de contas, não existe um planeta B.




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