Política

RIO DE JANEIRO

Witzel quer construir um resort em área de proteção ambiental: destruição em nome do lucro

Entre os anúncios está um parque da Disney, que já foi desmentido pela própria empresa e um resort em uma área protegida. O governador propõe demagogia para tentar amenizar o impacto que a sangrenta política de segurança pública causa em sua imagem.

quinta-feira 3 de outubro| Edição do dia

Durante um evento sobre a economia do estado na Fecomércio, Wilson Witzel anunciou um conjunto de obras para “levantar” a economia do estado; entre eles estava uma filial da Disney na zona oeste e a construção do “maior resort de turismo” da América Latina, o “Rock In Rio Maraey Resort” em Maricá. No primeiro caso, o estado disponibilizaria um terreno de 5 milhões de metros quadrados, em uma área não especificada de Guaratiba.

A própria Disney anunciou que não há planos para construção de um parque no Brasil. Mas no caso do Resort, Witzel buscou emular Bolsonaro, que pretende construir uma “nova Cancún” em Angra dos Reis, passando por cima de uma estação ecológica.

No entanto á área em questão é a Área de Proteção Ambiental (APA) de Maricá, que abriga o maior remanescente de restinga do Rio de Janeiro, com diversas espécies endêmicas, além de abrigar a comunidade de pescadores tradicionais do Zacarias e ainda indígenas da etnia Guarani Mbya. A região é alvo de especulação de grandes grupos internacionais há vários anos.

Witzel, não tem um pingo de preocupação com a população ou com o meio ambiente. Do mesmo modo que usa o assassinato da população negra e pobre para conseguir disputar apoio nos setores bolsonaristas mais duros, agora tenta usar um argumento de crescimento econômico via desenvolvimento do setor turístico para fazer demagogia.

Estes empreendimentos trariam gigantescos lucros para um pequeno grupo de investidores internacionais as custas da degradação ambiental do estado, da espoliação dos povos que vivem da terra e da exploração dos trabalhadores. Tudo isto usando royalties da exploração do petróleo para construir infraestrutura a ser usada por grupos privados, com a desculpa de tornar o estado mais atrativo para o capital internacional.

Não há saída econômica “mágica” para o estado que não passe pela reestatização completa da Petrobrás, com total controle operário, para produzir recursos que irão para educação e saúde gratuita da população, e não para o bolso dos capitalistas. Contudo é possível enfrentar este governo, que a cada dia apela mais para o autoritarismo, com a luta de classes. Abdicar da luta de classes para tentar alianças com a direita, como pregam PT e PC do B, ou lutar apenas pela via eleitoral, como pensam muitos setores do PSOL é um erro. Somente uma estratégia de independência de classe, com trabalhadores aliados a juventude nas ruas pode vencer Witzel, Bolsonaro e todos aqueles que querem fazer a população pagar pela crise.




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