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Vitória de Trump gera protestos em diversos pontos dos EUA

O anuncio da vitória de Donald Trump como presidente dos EUA além de ser uma surpresa e causar um terremoto em todo establishment político americano, também gerou protestos em diversos lugares do país.

Rafaella Lafraia

São Paulo

quarta-feira 9 de novembro| Edição do dia

A vitória do republicano bilionário Donald Trump, que fez o mundo estremecer com suas declarações racistas, xenofóbicas e misóginas de campanha, causou um terremoto em todo establishment político americano. Mas não foi somente isso que o anuncio de sua vitória trouxe, pois o dia de hoje foi marcado por protesto na Califórnia e na frente da Casa Branca.

Segundo matéria do G1 antes mesmo do anúncio do resultado do pleito, um grupo de imigrantes ilegais fez um protesto em frente à Casa Branca, em Washington. Na manhã de hoje, 500 pessoas protestaram em campi universitários da Califórnia e em Oregon, havendo também outras manifestações menores nos bairros em Berkeley, Irvine e Davis e no Estado de San Jose. No centro da cidade de Oakland, os manifestantes queimaram um boneco que representava Trump e incendiaram pneus e lixo.


(Foto: Noah Berger/Reuters)

De acordo com a matéria do Diário de Notícias os estudantes da Universidade da Califórnia, em Berkeley, uniram-se em protesto, bloqueando ruas entoando os dizeres: "Tu não és a América, nós somos a América" ou "Não é o nosso Presidente". Artistas também se manifestaram contra a eleição de Trump, nesta quarta-feira, frente à Trump Tower, em Nova Iorque, mostrando um cartaz onde se lê Love trumps hate – no português: O amor supera o ódio.


(Foto publicada na conta de Instagram de Lady Gaga)

Esses protestos confirmam o desprestígio generalizado do sistema de partidos e a crise do bipartidarismo entre Republicanos e Democratas, já comentado aqui, além de reforçar a falta de confiança da juventude, filha da crise capitalista de 2008, que impulsionou movimentos como Occuppy Wall Street, o movimento pelo salário mínimo, o Black Lives Matter, nos candidatos a presidência dos Estados Unidos da América, como apresentado aqui.

No primeiro e dificilmente último protesto contra o futuro presidente em Nova York também irromperam coros de "black lives matter (vidas negras importam) e variações com latinos, muçulmanos e transexuais; "one step forward to 50 years back" (um passo à frente para voltar 50 anos); "we want better" (queremos algo melhor); "Trump is a clown, bring that motherfucker down" (Trump é um palhaço, derrubem esse filho da puta); e o mais sintético de todos: "Fuck Trump" (foda-se Trump).

Zoe Guttenplan, 21, segurava um cartaz com o símbolo feminino e um punho cerrado dentro dele. Lia-se: "Pussy grabs back" (a xoxota agarra de volta), referência a um vídeo de 2005 em que Trump dizia "agarrar [mulheres] pela xoxota" quando bem entendesse.

A maioria gritava. E gritava com força. O filipino Red October, que só aceitou dar seu nome de guerra (outubro vermelho, em português), diz que perto de Trump o presidente de seu país "é um doce" – em setembro, Rodrigo Duterte se comparou com o líder nazista Adolf Hitler e disse que "ficaria feliz" em exterminar 3 milhões de usuários de drogas e traficantes locais.

"Acordei no mesmo clima do 11 de setembro", disse Jessica May, 28, revivendo "a angústia" que sentiu após os atentados de 2001 na cidade. "A diferença é que a gente oficialmente chamava aquilo de terrorismo. Trump a gente chama de presidente."




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