Educação

PROFESSORES MUNICIPAIS SP

Vencemos o Doria, exigimos do SINPEEM um plano para retirada total do SAMPAPREV

Doria recuou e foi derrotado. Mas a possibilidade de uma nova reforma com outro texto voltar a ser apresentada após os 120 dias ainda não foi enterrada. Os professores querem uma resposta de como levar nossa luta até o final.

quinta-feira 29 de março| Edição do dia

A vitória dos professores e servidores municipais de SP é incontestável. Uma batalha dura de vinte dias levada à frente por uma maioria de mulheres que enfrentaram sol e chuva sem arrego, impondo sua força à intransigência de Doria, do PSDB e de todos os golpistas que estavam de olho nesse ataque. Buscavam dar exemplo para todo país de como aplicar a reforma da previdência a nível municipal.

O exemplo foi o contrário. Com a greve massiva que envolveu várias gerações de servidores municipais, chegando a níveis históricos de adesão, mostramos a todos como é possível barrar as reformas e defender nossos direitos. Doria recuou e foi derrotado. Mas a possibilidade de uma nova reforma com outro texto voltar a ser apresentada após os 120 dias ainda não foi enterrada. Os professores querem uma resposta de como levar nossa luta até o final.

O que levou os professores a essa primeira vitória?

Em primeiro lugar a greve massiva imposta pelo desejo de luta da categoria de professores municipais que carrega em suas história muitas vitórias, que contagiou todo o funcionalismo municipal, e que tem ampla organização sindical e se mantém mobilizada. Nas escolas a unidade atingiu todo o quadro de apoio, as gestões e mesmo as supervisões se tornando uma força imparável.

Em segundo lugar a radicalidade da base que atropelou em muitos momentos as orientações do sindicato. O maior exemplo foi a nossa decisão, através dos comandos regionais, de comparecer em peso na Câmara dos Vereadores na quarta-feira, 14, por fora de qualquer chamado do Sinpeem, que só convocou a categoria às 21h do dia anterior. E também a revolta à qual demos vazão naquele dia por estarem votando na "casa do povo" algo que nenhum trabalhador estava apoiando, enquanto no caminhão de som a diretoria do nosso sindicato pedia calma.

Com a mesma disposição nós professores e trabalhadores da educação iniciamos os comandos regionais em cada canto da cidade antes mesmo da greve começar pra construir essa grande força. Fizemos atos pelos bairros e comunidades pra dialogar com o povo e conquistamos muito apoio, em cada panfletagem, em cada passeata. Muitos dias, tarde da noite as escolas estavam cheias com os comandos de greve e os familiares dos alunos, ouvindo, tirando dúvidas, expressando apoio, costurando a unidade pela defesa da educação e seus trabalhadores.

Tudo isso, determinante pra nossa vitória, aconteceu pela iniciativa dos próprios professores da base tomando pra si as decisões, os rumos e as ações dessa histórica greve. Da mesma forma que a adesão dos trabalhadores da saúde e outros setores do funcionalismo que ao terem se colocado em luta elevaram a nossa greve a um outro patamar, e por isso a vitória é de todo o funcionalismo.

É preciso organizar os próximos passos

A votação do término dessa histórica greve foi motivo de incômodo para muitos professores, uma assembleia que o número de presentes não expressava de forma alguma a imensa massa de servidores que estava em luta e naquele mesmo dia tinham votado a continuidade da greve. Feita à noite, embaixo de chuva, às pressas, sem debater nenhuma perspectiva concreta de como seguir a guerra pela retirada completa do PL 261/2016.

O sentimento de alegria com o recuo do Doria se misturava com o receio em relação aos encaminhamentos da greve.Vencemos o Doria e sua reforma da previdência, assim como foi com Haddad, mas nada impede que uma outra formulação seja apresentada novamente já que o PL foi retirado por 120 dias e não definitivamente. O objetivo do movimento desde seu início é a retirada completa do SAMPAPREV e não sua suspensão temporária.

Era fundamental que uma assembleia tivesse sido realizada no dia seguinte, com a massa dos grevistas, em primeiro lugar para permitir que de fato fosse a categoria a decidir o fim da greve, permitindo democraticamente que as diferentes opiniões se expressassem e fossem colocadas em votação. O Claudio Fonseca, presidente do SINPEEM, pareceu estar com tanto medo quanto os golpistas de que nossa greve continuasse até a retirada total, a ponto de impedir a mínima democracia operária na decisão do fim da greve.

Era necessário clarificar as incertezas sobre recuar a greve, organizar nosso retorno com a clareza de quais seriam os próximos passos para levarmos até o final nossos objetivos. Para nós do Nossa Classe Educação era necessário, no mínimo, caso a avaliação da massa da categoria fosse por aceitar o recuo do governo e de que não havia condições de seguir agora mesmo a greve até a retirada do projeto, que junto ao fim da greve fosse organizado um plano de luta para esses quatro meses, que não desse espaço para uma nova ofensiva dos golpistas, e mantivesse a categoria mobilizada mostrando que não desistimos da retirada do projeto, e estávamos preparados pra retornar pra batalha.

Chamamos todos os nossos colegas a exigir conosco que o SINPEEM organize imediatamente um plano com reuniões de REs, assembleias e manifestações para que no final de Julho seja declarado a retirada do SAMPAPREV e não uma nova formulação, e caso isso ocorra mesmo com a nossa mobilização, que estejamos com os motores aquecidos pra voltar com tudo.

Democracia pra ouvir a voz dos professores

É impossível que possamos fazer essa proposta ser votada numa próxima assembleia ou em qualquer espaço deliberativo da categoria se apenas o Cláudio Fonseca defende suas posições e faz os encaminhamentos no carro de som. As assembleias na verdade são grandes palestras do presidente e a votação do que ele quer, ficando pra depois das decisões a oportunidade de que fale a oposição que também compõe a diretoria eleita e para sabe-se lá quando pra que um professor da base possa se expressar.

O Nossa Classe Educação deu uma grande batalha nessa greve pela democracia de base, reunindo um grande número de professores conseguimos garantir com muita briga de apresentar no caminhão, fora da assembleia, nossa proposta de um grande dia D que fosse organizado por um comando geral democrático, reunindo todos os comandos regionais que efetivamente estavam construindo e mantendo cotidianamente a greve. Que esses comandos pudessem juntos decidir como vencer, organizando um dia de luta decisivo que unificasse todos os professores com o funcionalismo municipal pra grandes cortes de rua que parassem a cidade, que chamasse publicamente as centrais sindicais a organizar em cada categoria manifestações de apoio ativo pra que todos os trabalhadores pudessem dar seu grito de apoio, chamando a população, um dia da cidade toda contra o Doria, que enterrasse de vez esse projeto.

O Sinpeem chegou a convocar, em duas ocasiões, o que a direção atual chama de “comando geral”, uma instância que reúne muitos ativistas, mas está longe de ser um verdadeiro comando de greve, democrático e amplo. Na segunda reunião desse comando, dia 26, com muita pressão do Nossa Classe e outros setores da oposição, conseguimos debater e organizar o que seria um primeiro passo para esse dia, uma ação com 13 atos regionais coordenados para aumentar a pressão e mostrar que a cidade iria parar se o projeto não fosse retirado. Mas no dia seguinte descobrimos que era uma farsa, porque as propostas organizadas pelos professores não foram votadas democraticamente na assembleia, com favoráveis e contrários. Ao invés disso, foram anunciadas sem prioridade bem depois do final da assembleia, quando muitos já tinham ido embora. Poderíamos ter votado e realizado o Dia D, poderíamos ter encerrado a greve com o PL 261 completamente enterrado, mas sequer tivemos a oportunidade de defender essa proposta aos professores e votá-la.

Não podemos de forma alguma permitir que apenas o Claudio Fonseca e seu partido reacionário (o PPS, que foi parte da coligação de Doria e que tem uma vereadora, Soninha, que se manifestou a favor do SampaPrev!), decidam o que será apresentado e votado pela categoria. É preciso que todas as oposições se unifiquem aos professores por uma forte exigência de democracia de base, para que a voz dos professores que estão dia a dia nas salas de aula, em diálogo com os pais e a comunidade, possam se expressar nos rumos do nosso movimento.

Após derrotar Doria e seu projeto de Reforma da Previdência, precisamos avançar na elaboração de um plano de lutas para os próximos 120 dias, pois não nos serve um projeto revisado, queremos a retirada. Para isso é fundamental que o Sinpeem reveja seus métodos e com a mais ampla democracia de base convoque a categoria e crie espaços para decidirmos os rumos da nossa luta. Para conquistar isso, a própria base da categoria tem que impor sua vontade, e a serviço disso colocamos nossos esforços. Vencemos uma batalha, mas podemos mais, queremos vencer a guerra!




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