Internacional

[VIDEO] Myriam Bregman (PTS-FIT): “Somos feministas socialistas, feministas da classe trabalhadora”

Assista ao vídeo da deputada do PTS Myriam Bregman, no ato convocado pela FIT na Praça de Maio, em Buenos Aires

quarta-feira 2 de maio| Edição do dia

“Boa tarde companheiros e companheiras. Quero saudar a todos, em especial aos estudantes univeristários que estão dando um exemplo na Cidade de Buenos Aires, de luta contra a redução do corpo docente.

Há poucos dias os Estados Unidos, França e Grã-Bretanha lançaram suas bombas assassinas sobre a Síria, como uma mensagem dos que disputam o poder no Oriente Médio. Porém também como uma mensagem para os povos do mundo.

Na América Latina vemos um salto da ingerência imperialista. Já vinha com Obama e se aprofundou com Trump.

Ou por caso não é a Casa Branca atrás do golpe em Honduras? Ou por acaso não esteve a Casa Branca atrás da destituição de Hugo no Paraguai? Não esteve a casa Branca detrás do golpe institucional contra Dilma Rousseff e a prisão de Lula no Brasil?

Por acaso, acrescentamos, não estão seus organismos de segurança por trás da doutrina Chocobar e das políticas de Macri e Patricia Bullrich para aumentar a espionagem e colocar as forças armadas na repressão interna.

Por isso dizemos:

Não ao imperialismo! Não a sua nova doutrina de segurança nacional!

E a nossos companheiros, que enfrentam em toda linha os ataques reacionários, reafirmamos que não temos nada a ver com a política desses governos, partidos e movimentos que começaram a se autodenominar “nacionais e populares”.

Vejam a Nicarágua! Vejam Daniel Ortega reprimir seu povo que enfrenta uma reforma da previdência pior do que a Macri aplicou aqui em dezembro!

Obedecem ao mandato do amo imperialista, que decidiu avançar sobre os sistemas de aposentadoria da região.

E companheiros, se tem algo que temos denunciado, é como eles preparam o terreno para a direita. Foi Dilma Rousseff que começou o ajuste no Brasil. Por acaso, nos perguntamos, Scioli teria feito algo diferente caso ganhasse na Argentina?

A experiência recente na nossa região demonstrou que estas forças são incapazes de terminar com a dependência e o atraso, e enfrentar o imperialismo a sério.
Por isso, este 1º de maio, mais que nunca, temos que por mais forças para lutar pela independência política da classe trabalhadora, na perspectiva da unidade socialista de nosso continente.

Viva a unidade de todos os trabalhadores da América Latina!

Nesta situação irrompeu a luta das mulheres em distintas partes do planeta.
Trouxemos o grito de #NiUnaMenos e o exemplo de paralizações internacionais de mulheres que correm o mundo!

E não podemos deixar de apontar que se movimento se tornou massivo quando o governo era encabeçado por uma mulher, que não impulsionou nossas demandas, e ainda aceitou o veto da Igreja Católica ao direito do aborto legal, seguro e gratuito.

Hoje o Congresso da Nação está tratando esta lei que lutamos a tanto tempo. Porém convocamos a mais ampla mobilização, porque não podemos deixar o nosso destino de nosso direito a não morrer na clandestinidade nas mãos do que se dizem ‘representantes do povo’.

E se falamos de poderes feudais, não podemos deixar de mencionar a Igreja Católica, aliada as igrejas evangélicas em sua cruzada ‘contra a vida das mulheres’.

É nefasto companheiros. É nefasto companheiros que nos falem de vida quando apoiaram tantos genocídios. Pinochet proibiu o aborto de forma rigorosa no Chile. Estes senhores dirão que o genocida era pró vida? Nos dirão que era um defensor da vida?

Por isso, nossa luta é por essas meninas. Como Juana, essa menina wichí que foi violada e ultrajada também pelo estado.

Nossa luta é pela Ana María Acevedo, de Vera, Santa Fe. Ela morreu porque lhe foi negado o aborto terapêutico. Ela precisava interromper sua gravidez para se submeter ao tratamento de quimioterapia.

A Frente de Esquerda é a única que tem em sua plataforma política o direito ao aborto legal, seguro e gratuito. É por isso que todas aquelas mulheres, todas aquelas jovens que saem às ruas hoje, nós dizemos que nosso compromisso de luta é com vocês!

Nós, como vocês sabem, estamos na linha de frente quando se trata de defender nossos direitos. Porque entendemos que cada passo que damos eleva a moral da luta das mulheres. Mas nós não nos confundimos.

Sabemos que setores do imperialismo e das classes dominantes estão se usando de demagogia com a nossa causa. Eles querem nos impedir de saber como identificar nossos inimigos e nossos aliados. Seu interesse é que nós não nos juntamos ao resto dos explorados.

Eles sabem que, se juntarmos nossas demandas a toda a classe trabalhadora, onde metade são mulheres, nossa força será imparável, imparável contra o capitalismo que reproduz e amplifica o patriarcado.

É por isso que somos feministas socialistas, feministas da classe trabalhadora. E não temos nada a ver com aquelas mulheres "empoderadas" como Angela Merkel ou Hillary Clinton, campeãs da guerra imperialista.

Nem com as empresárias ou gerentes de empresas como a Kratf, como a Pepsico. Foram estas que nossas companheiras que estão aqui, como Lorena Gentile ou Katy Balaguer, tiveram que enfrentar junto com seus colegas! Elas fazem parte dos nossos inimigos de classe. Estas e estes são nossos companheiros.

Porque queremos mulheres empoderadas, que lutem contra o machismo, mas que unam os trabalhadores para acabar com todas as formas de exploração e opressão.
Eu quero te dar um exemplo. Um exemplo que grava muito. Porque nestes dias há muita conversa sobre o trabalho doméstico, o trabalho "sem pagamento". E isso, nós sabemos, não pode ser resolvido sob este sistema. Você consegue imaginar os empresários organizando o trabalho doméstico de maneira comunitária e cobrindo todos os seus custos? Não. Sem isso não há libertação da mulher. E isso só podemos alcançar derrubando o capitalismo!

Portanto, companheiros, convido-as a seguir o exemplo das grandes mulheres revolucionárias na história da classe trabalhadora, que dedicaram sua vida à tarefa de construir um grande partido para lutar por um governo dos trabalhadores e o socialismo.

É por isso que hoje eu lhes digo companheiras, temos que levantar uma luta por um mundo onde ’seremos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres’.

Viva a luta das mulheres!

Viva a classe trabalhadora!

Viva o Dia Internacional dos Trabalhadores!"




Tópicos relacionados

PTS   /    Argentina   /    Myriam Bregman   /    Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT)   /    Primeiro de Maio   /    Internacional

Comentários

Comentar