Política

Trump acena às eleições brasileiras e pede medidas mais neoliberais

O presidente norte-americano criticou as relações comerciais entre EUA e Brasil nesta segunda-feira e apontou o que espera do novo governo brasileiro: medidas mais neoliberais e uma maior subordinação ao imperialismo.

Flávia Toledo

São Paulo

terça-feira 2 de outubro| Edição do dia

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, criticou as relações comerciais dos EUA com o Brasil na última segunda-feira (1), durante entrevista coletiva na Casa Branca para apresentar o acordo comercial entre México, Canadá e EUA. Para Trump, o Brasil trataria as companhias norte-americanas “injustamente”, “cobrando o que quer” dos EUA.

“O Brasil é outro caso. É uma beleza. Eles cobram de nós o que querem. Se você perguntar a algumas empresas, eles dizem que o Brasil está entre os mais duros do mundo, talvez o mais duro. E nós não os chamamos e dizemos ‘ei, vocês estão tratando nossas empresas injustamente, tratando nosso país injustamente’”, disse o presidente norte-americano a seis dias do primeiro turno das eleições brasileiras.

No ano passado, o Brasil teve um superávit comercial com os Estados Unidos (ou seja, exportou mais do que importou) de US$2,06 bilhões. Sem superar as importações desde 2008, ano em que começou a crise econômica internacional que se estende até hoje, as exportações brasileiras para os EUA em 2017 somaram US$26,872 bi, contra US$24,846 bi das importações. Nos últimos dez anos, o Brasil teve um déficit comercial (importou menos do que exportou) de US$90 bi.

Ficando atrás apenas da China, as exportações para os EUA representaram 12,3% do total exportado pelo Brasil em 2017, sendo principalmente óleo bruto de petróleo, aviões e produtos semimanufaturados de ferro e aço.

Contra os direitos trabalhistas no Brasil, Trump vê “vantagem tremenda” para os EUA negociarem

Durante a entrevista, Donald Trump elevou o tom, afirmou ser “um privilégio” fazer negócios com os Estados Unidos e acenou claramente às eleições brasileiras. “É de nós que as pessoas querem vir e tirar. Estou falando sobre todos os países. E isso nos dá uma vantagem tremenda para negociar, que nós nunca usamos antes com administrações anteriores.”

Com o primeiro turno das eleições brasileiras neste domingo (7), este é mais um aceno aos candidatos à presidência no país. Em julho, o Bank of America Merril Lynch alertou que, caso as eleições brasileiras se definissem no “pior cenário”, vencendo um candidato que não estivesse comprometido com reformas e com pouca governabilidade, o dólar poderia chegar a R$5,50 em 2019.

Com o intuito de despejar a crise nos países capitalistas periféricos, as investidas protecionistas de Trump, o aumento das taxas de juros e importação, a pressão para a valorização do dólar e a guerra comercial dos EUA com a China cobram um preço alto dos trabalhadores brasileiros. Ao criticar a “dureza” do comércio com o Brasil, que está longe de representar qualquer enfrentamento com a subordinação imperialista, Trump deixa claro: é preciso garantir as reformas antipopulares como as Reformas Trabalhista e da Previdência, ampliar as medidas neoliberais no país e fazer com que os trabalhadores paguem cada vez mais pela crise.

Não contente com os bilhões de reais que são saqueados da economia brasileira por meio da ilegal e fraudulenta dívida pública, Trump quer carta branca para superexplorar ainda mais a classe trabalhadora brasileira, que sente na pele os duros efeitos da crise econômica. Hoje, faltam 28 milhões de emprego no país e os postos de trabalho precarizados aumentam.

As aves de rapina do imperialismo, no entanto, querem mais ataques e com maior velocidade. Com a baixíssima aprovação do golpista Michel Temer e a dificuldade para aprovar a impopular Reforma da Previdência, o resultado das eleições presidenciais são chave para os imperialistas, que acompanham de perto o processo eleitoral, manipulado por um Judiciário golpista com fortes relações com os Departamentos de Estado e da Justiça dos EUA.

Declarações como a do reacionário candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL), que afirmou que os trabalhadores precisariam escolher entre ter emprego e ter direitos, ou de seu vice,o General reformado do Exército Hamilton Mourão, contra o 13o salário e as férias remuneradas, respondem exatamente à ganância imperialista. Com o ultraliberal Paulo Guedes como assessor econômico, a chapa de extrema-direita promete total subordinação ao imperialismo e ataques profundos aos direitos trabalhistas para “amolecer” as relações comerciais com o Brasil, e já negocia com Temer a aprovação da Reforma da Previdência em novembro caso seja eleito.

Do outro lado da disputa presidencial,Fernando Haddad (PT) já acena para alianças com a direita golpista e os banqueiros, com diversos interlocutores neoliberais. Ou seja, apesar da demagogia e de tentar usurpar o enorme movimento de mulheres contra Bolsonaro para transformá-lo em um grande palanque eleitoral para sua estratégia de conciliação de classes, Haddad sinaliza aos interesses imperialistas que está disposto a aprovar as reformas antipopulares e desferir duros ataques contra a classe trabalhadora brasileira.

A defesa de emprego e condições de vida dignos aos trabalhadores brasileiros passa, necessariamente, por um forte enfrentamento com os interesses imperialistas, o fim do pagamento da fraudulenta dívida pública, a revogação de todas as reformas antipopulares do governo golpista e dos governos anteriores do PT e a imposição de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, que se oponha à subordinação do país aos EUA e demais potências imperialistas e faça com que os latifundiários, banqueiros e os demais sanguessugas nacionais e estrangeiros paguem pela crise que criaram.




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