Política

AUMENTO DOS TRANSPORTES

Transporte público começa a aumentar em todo o país e pesa no bolso do trabalhador

Governadores e prefeitos de todo o país anunciam os aumentos do transporte público para 2019. Mais um aumento nas costas dos trabalhadores, que recebem em troca péssimos serviços de transporte.

quinta-feira 3 de janeiro| Edição do dia

Pelo visto, o único aumento abaixo do esperado em 2019 será o do salário mínimo, mesmo. Enquanto o ultra-direitista Bolsonaro (PSL), recém empossado presidente, anuncia um risível “aumento" de apenas R$44,00 no salário mínimo, governadores e prefeitos anunciam aumentos dolorosos no transporte público em todo o país.

O governador de São Paulo, o bolsonarista João Doria (PSDB), anunciou nesta quinta-feira (03) que as tarifas do trem e do metrô no estado subirão dos já abusivos R$4,00 atuais para R$4,30 a partir de 13 de janeiro deste ano. É o mesmo aumento anunciado por Bruno Covas (PSDB), prefeito da capital paulista, para os ônibus municipais. A integração passa a custar R$7,48.

Em Osasco, desde o dia 1º de janeiro o ônibus está mais caro: de R$4,35, passou para R$4,50, mesmo valor anunciado pelas prefeituras de Itapevi e de Itapeva. Outras cidades do estado, como Barueri e Carapicuíba, devem seguir o mesmo valor pra 2019.

Em MG, os aumentos no transporte também têm dado o que falar. Em Belo Horizonte, o aumento anunciado foi de R$0,45 pras tarifas principais de ônibus: de R$4,05 para R$4,50. Os ônibus suplementares passam de R$0,90 para R$1,00; as atuais tarifas de R$2,85 vão para R$3,15 e o táxi-lotação passa de R$4,45 para R$5,00. O aumento foi efetivado no dia 30/12 do ano passado e suspenso no mesmo dia pelo Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG), após ser acionado pelo movimento Tarifa Zero e abrir um inquérito sobre o aumento da passagem de ônibus.

O prefeito Alexandre Kalil (PHS) reclamou da decisão do órgão e disse que não devia satisfação a ninguém a respeito do aumento das tarifas, por meio de sua conta no Twitter, mostrando que governa para os empresários, e não para a população. Mas os trabalhadores não têm o que comemorar: o Tribunal de Justiça de Minas Gerais rapidamente derrubou a decisão que suspendia o aumento e as passagens já estão mais caras na cidade.

Ainda em Minas Gerais, já foram anunciados aumentos em Governador Valadares (cuja passagem de ônibus em dinheiro vai de R$3,90 para R$4,30) e em Pouso Alegre (a tarifa vai passar de R$3,60 para R$3,90).

Em Cuiabá (MS), a tarifa do ônibus vai subir de R$3,85 para R$4,10. Em Londrina (PR), as tarifas sobem de R$3,95 para R$4,25 e de R$5,15 para R$5,50 no PSIU. Já em Florianópolis (SC), as linhas comuns sofrerão aumento de R$4,20 para R$4,40 para pagamento em dinheiro e de R$3,99 para R$4,18 no cartão de transporte. O ajuste das linhas executivas de linhas curtas na cidade vai ser de R$7 para R$7,25 e de linhas longas, de R$9 para R$9,45.

Em Salvador (BA), o aumento ainda não foi anunciado porque o prefeito, ACM Neto (DEM), ainda não chegou em um acordo com os donos das empresas de transporte, os únicos a serem ouvidos pelos governos. Os empresários estão pedindo reajuste de R$3,70 para R$4,30. O prefeito disse, pelo Twitter, que só vai conceder o aumento quando houver ônibus novos e com ar condicionado na frota, ignorando que o atual custo pro trabalhador já é alto e não condiz com a baixa qualidade do serviço de transporte.

O aumento na tarifa do transporte, que não vem sozinho, assusta os trabalhadores. O custo de vida segue aumentando enquanto o salário e as condições de trabalho diminuem. Com o aumento das taxas de desemprego, o aprofundamento da precarização do trabalho após a Reforma Trabalhista (como o crescimento do trabalho intermitente) e o crescimento do trabalho informal, o aumento das tarifas é ainda mais penoso pro trabalhador.

Cresce o número de trabalhadores sem vale-transporte ou com um benefício que não atende às suas reais necessidades, que precisam tirar do próprio bolso o custo cada vez mais alto das passagens. Aos desempregados, mesmo a busca por um emprego fica bastante dificultada. Os auxílios para desempregados oferecidos pelos governos utilizam critérios que não condizem com a realidade dos trabalhadores brasileiros, que têm sido jogados para a informalidade com a crise. Agora, para esses trabalhadores desempregados, cada um dos muitos “não” que vão ouvir antes de conseguir um emprego vai sair bem mais caro graças ao aumento de tarifas que já eram muito altas.

E se o aumento da tarifa já dificulta a ida ao trabalho, o direito ao lazer, à cultura, à educação e à cidade fica ainda mais restrito, principalmente à população das periferias das cidades, que precisa pegar mais de um transporte para chegar ao centro. Em diversas cidades do país, só para sair de casa e voltar é preciso ter, pelo menos, R$10 no bolso, um custo com o qual a maioria da população não pode arcar.

Os aumentos, que em nada representam melhorias no transporte público, são uma concessão dos governos aos empresários do transporte. Para que eles sigam lucrando cada vez mais, governadores e prefeitos tiram do bolso do trabalhador. Por isso, é preciso iniciar 2019 repudiando todos os aumentos, organizando juventude e trabalhadores contra os reajustes e pela estatização do transporte;

Para que o direito à livre circulação seja garantido e para que a qualidade do serviço seja maior, é necessário que todo o transporte público seja estatizado, gerido pelos trabalhadores e controlado pela população. Só assim livraremos o transporte público das máfias corruptas que tiram do nosso bolso para encher o próprio, não apenas reduzindo drasticamente o preço da tarifa, rumo à tarifa zero, mas também readequando o projeto de transporte público de acordo com as necessidades reais da população.




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