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Racismo institucional | Sérgio Camargo ataca a memória de Moïse: “foi um vagabundo morto por vagabundos mais fortes”

Sergio Camargo presidente bolsonarista da Fundação Palmares volta a atacar com seu reacionarismo racista desta vez sujando a memória de Moïse, imigrante congolês assassinado brutalmente quando cobrava 200 reais de salário atrasado do patrão.

sexta-feira 11 de fevereiro | Edição do dia

Foto: Reprodução Twitter

O presidente da Fundação Palmares se posicionou hoje (10) em seu twitter, contra Moïse, imigrante negro assassinado a pauladas no Rio de Janeiro:

“Moise andava e negociava com pessoas que não prestam. Em tese, foi um vagabundo morto por vagabundos mais fortes. A cor da pele nada teve a ver com o brutal assassinato. Foram determinantes o modo de vida indigno e o contexto de selvageria no qual vivia e transitava.”

Ao mesmo tempo que o presidente da entidade busca desqualificar o assassinato brutal de Moïse como um ato racista, faz uma inversão digna de noticiários sensacionalistas, onde a vítima é transformada em culpada por causa do “modo de vida indigno e o contexto de selvageria no qual vivia e transitava”. Com essa operação busca esconder o contexto de precarização profundo da vida e das relações de trabalho que são relegadas à juventude negra, ainda mais se tratando de um imigrante, num país polarizado e com uma extrema direita racista enraivecida.

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É no contexto atual do assassinato de Moïse, sucedido uma semana depois da morte de Durval, trabalhador negro morto a tiros pelo vizinho, um militar da marinha que alegou tê-lo confundido com um bandido, seguido da morte do imigrante venezuelano Marcelo Caraballo mosto a tiros por uma dívida de 100 reais, que Sérgio Camargo mostra mais uma vez o fiel bolsonarista que é.

Sergio Camargo foi nomeado por Bolsonaro em 2019 presidente da Fundação Palmares, entidade ligada ao Ministério da Educação (MEC) criada na constituição de 1988 com a missão de preservar a memória do povo negro no país, atuou constantemente para destruir a memória negra de resistência e luta e, em linhas toscas, reescrever essa história como comenta Letícia Parks nesse vídeo.

Camargo já se auto intitulou “Black Ustra” em alusão a Brilhante Ustra torturador da ditadura que chefiou o DOPS; tomou a missão de "caçar esquerdistas” na Fundação Palmares e foi acusado de assédio por perseguir ideologicamente funcionários;retirou da lista de homenagens celebridades negras como Elza Soares, querendo passar a homenagear militares e policiais, proferiu insultos racistas aos cabelos crespos, defendeu a aplicação de punição física a pixadores.

As barbaridades ditas por Sergio Camargo são naturalizadas e legitimadas por todo esse governo, e são expressão do que também falam e defendem os racistas Bolsonaro e Mourão. É preciso com a força dos imigrantes e negros na linha de frente, organizar a força da classe trabalhadora nas ruas para lutar contra o racismo, a xenofobia e todos os representantes dessa extrema direita nojenta e desse regime degradado.




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