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Rodoviários de Recife desafiam a justiça e mantém greve na capital pernambucana

terça-feira 4 de julho| Edição do dia

Os rodoviários do Recife estão protagonizando o segundo dia de greve na capital pernambucana. Contra o autoritarismo judiciário e a campanha da filial local da Globo para desmoralizar a greve, os rodoviários se mantém firmes: a categoria reivindica reajuste salarial de 14,27%, além do aumento de 25% no vale-refeição e melhores condições de trabalho, defendendo a manutenção dos cobradores (segundo a notícia mentirosa do G1, a pauta seria 7% de reajuste salarial e 20% no vale). Além de alterar a movimentação em paradas de ônibus e terminais integrados de passageiros, a greve dos rodoviários diminuiu a circulação no comércio do Centro do Recife, golpeando um dos centros da patronal pernambucana.

Com 25 linhas de ônibus, pelo local passam, diariamente, 69 mil passageiros. As catracas nos terminais foram fechadas, para evitar que a população pagasse passagem sem garantia de haver ônibus circulando.

Mesmo com a liminar expedida na segunda-feira (3) pelo Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6), determinando a circulação de 50% da frota nos horários de pico e 30% nos demais horários, os rodoviários decidiram manter sua própria escala. É um exemplo muito importante para a classe trabalhadora brasileira: desafiar a justiça patronal e não negociar os métodos históricos de luta.

O próprio diretor de operações do Grande Recife Consórcio de Transporte, André Melibeu afirmou que, às 6h30, havia 27% da frota de ônibus nas ruas. "Infelizmente, não temos o que fazer. A demanda de passageiros está muito maior, porque as pessoas tinham a expectativa de ter o serviço. Dos 16 orientadores de fila que temos em Joana Bezerra, estamos com apenas seis, que foram deslocados ao desembarque, para evitar a entrada de pessoas nos ônibus no local. A situação está difícil", reconheceu.

O Sindicato dos Rodoviários, dirigido pela Força Sindical, cumpre o papel de isolar a greve dos demais setores de trabalhadores, separar a pauta econômica da pauta política, e inclusive não obedecer as resoluções de pautas a serem incorporadas nos objetivos da greve. Por ora, nem as reuniões a portas fechadas dos burocratas da Força com a patronal consegue diminuir a força da greve.

Os rodoviários pernambucanos precisam vencer. Demonstram grande exemplo aos trabalhadores de todo o país, desafiando a justiça, a mídia, a patronal e a burocracia sindical. De São Paulo, o operador de trem da Linha 1 Azul do metrô, Felipe Guarnieri, mandou forte saudação aos trabalhadores rodoviários em greve.

Essa luta contra as máfias do transporte e a cumplicidade do governador Paulo Câmara (PSB) com as péssimas condições de trabalho dos trabalhadores transportistas é uma luta de toda a classe trabalhadora. Todo apoio!




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