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GOVERNO BOLSONARO

Retrocesso: Bolsonaro confirma reacionária evangélica para ministério da Mulher e Família

Outra mulher que em nada defende os interesses das mulheres fará parte do governo Bolsonaro: Damares Alves. Para ela, mulheres devem se deter aos trabalhos do lar e cuidado dos filhos, empurrando às mulheres ao retrocesso, Bolsonaro avança para garantir o interesse dos patrões.

quinta-feira 6 de dezembro| Edição do dia

Damares Alves. Foto: Rafael Carvalho/Governo de Transição

Jair Bolsonaro (PSL) confirmou que o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos estará sob o comando da reacionária Damares Alves. Pastora, advogada e assessora de Magno Malta (DEM), Damares coleciona diversas declarações reacionárias e conservadoras, ao gosto da bancada evangélica e de ataques aos direitos mais básicos das mulheres.

Damares declarou no dia 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher, que é contrária ao movimento feminista e LGBT, bem como pautas de luta histórica das mulheres como o direito ao aborto. Defensora da "família tradicional", Damares acredita que o modelo ideal de sociedade é onde as mulheres fiquem em casa, jogando toda a responsabilidade das tarefas domésticas e do cuidado dos filhos sob as mulheres, que sofrem com duplas e até triplas jornadas de trabalho fora e dentro de casa.


Em defesa do direito ao aborto legal, seguro e gratuito, pauta histórica da luta das mulheres, que Damares se posiciona contra.

É esta figura ultrarreacionária que estará à frente de um ministério que supostamente deveria tratar das questões mais sensíveis às mulheres, principalmente mulheres trabalhadoras e pobres. Fica evidente que o projeto de governo de Bolsonaro quer impor, explorando ainda mais através de ataques e ajustes à toda classe trabalhadora, as mulheres, precarizando ainda mais suas condições de trabalho para que os patrões continuem lucrando. Empurrando às mulheres ao retrocesso absoluto, Bolsonaro avança para garantir o interesse dos patrões dando continuidade ao projeto neoliberal do golpe institucional.

Saiba mais: “Modelo ideal de sociedade é com mulheres apenas em casa” diz pastora cotada para ministra

Bolsonaro mantém até agora em seu governo duas figuras femininas, que não representam em nada o interesse das mulheres: Tereza Cristina (DEM), que assumirá o Ministério da Agricultura, é uma latifundiária da bancada ruralista, preparada para atacar duramente os trabalhadores garantindo os interesses dos latifundiários. Conhecida como "Musa do Veneno", Tereza Cristina é defensora da liberação irrestrita de agrotóxicos e de projetos de lei que facilitem ainda mais a exploração do meio ambiente por parte dos grandes empresários.

Veja também: Ministra da Agricultura de Bolsonaro: milionária amiga da JBS

Historicamente as mulheres cumpriram papéis importantíssimos nas lutas da classe trabalhadora. Ambas ministras de Bolsonaro comprovam que não basta ser mulher para defender os interesses das mulheres, uma vez que ainda que o gênero una, a classe separa brutalmente. Justamente por isso, que as mulheres trabalhadoras devem se organizar e não confiar nas "figuras femininas" e sim em sua própria força. Ao lado dos trabalhadores, é necessário construir milhares de comitês de base por todo o país, em cada local de trabalho e estudo, levantando um plano de lutas e um programa anticapitalista, capaz de enfrentar os ataques de Bolsonaro.

A CUT e a CTB, dirigidas pelo PT e PCdoB, precisam romper sua paralisia e chamar assembleias, greves e debates em todo o país. Só assim será possível lutar até o fim contra o discurso machista e anti trabalhador de Bolsonaro.




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