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ELEIÇÕES PORTO ALEGRE

Raul Pont não é uma alternativa para a esquerda em Porto Alegre

Bem colocado nas pesquisas Raul Pont tenta se distanciar da imagem do PT e se colocar como uma alternativa ao conservadorismo na cidade de Porto Alegre

terça-feira 13 de setembro| Edição do dia

Quando eu escuto o jingle de Raul Pont na televisão , “Vota Raul”, quase me empolgo. A gente lembra da frase tantas vezes repetidas em rodas de violão pelo país a fora, “toca Raul”. Mas enquanto Raul Seixas promovia o inconformismo contra a sociedade capitalista (mesmo sem ser revolucionário), o outro Raul, que pede teu voto, promove um programa de gestão do capitalismo e de conformismo com a ordem atual.
Quem escuta o Raul Pont falar poderia até se esquecer de que partido ele faz parte. No discurso do candidato do PT, ele age como se não tivesse nenhuma responsabilidade pela corrupção petista e pelas alianças com partidos de direita como o PMDB. Na entrevista ao jornal Zero Hora, ele afirma “o nosso projeto não é o projeto da corrupção, o projeto da Dilma com o Joaquim Levy (ex-ministro da Fazenda), o projeto da aliança com o PMDB”.

Porém o PT gaúcho apoiou até o final o governo de Dilma Rousseff e é também responsável pelos ajustes contra os trabalhadores que seu governo vinha aplicando, ou tentando aplicar. Da mesma forma, é inaceitável que Raul Pont lave as mãos sobre a corrupção desenfreada durante os governos petistas, como se ele não fosse deste partido.

No Rio Grande do Sul, o PT governou a cidade de Porto Alegre entre 1989 e 2004 e ocupou o governo do estado duas vezes. Se algumas melhorias localizadas podem ser apontadas, nenhuma mudança estrutural que melhorasse a vida dos gaúchos. O domínio dos empresários do transporte na capital, o poder dos latifundiários no estado, não foram questionados. O limitado orçamento participativo, que no seu momento foi reivindicado como um grande exemplo, não trouxe nenhuma mudança estrutural e serviu mais para legitimar a gestão capitalista da prefeitura do que promover a mobilização e organização dos trabalhadores e promover mudanças estruturais.

Vendo as propostas concretas, por trás do discurso de candidato, vemos que o projeto de Raul Pont não é diferente do projeto de Dilma Rousseff e do que o PT aplicou a nível nacional. Defende as chamadas PPPs (Parcerias Publico Privadas), uma forma mascarada de privatização. Defende a colaboração da guarda municipal com a Brigada, apontando para um projeto de militarização da cidade, assim como a direita, como se isso fosse resolver o problema e não agravar. Sua proposta de núcleos comunitários contra a violência se parece muito com as UPPs cariocas, que já mostraram a que servem – reprimir o povo pobre das favelas.

No discurso de Raul Pont a gestão petista no governo federal não é responsável pelo aumento do desemprego, pela crise do SUS e outros males que afetam o município. Lavar as mãos sobre a falência do projeto petista no governo federal, não faz Raul Pont menos responsável por esse projeto.

Debatendo contra o discurso petista de que criticar este partido é dividir o movimento contra Temer, Leandro Lanfredi editor do Esquerda Diário cita Gramsci numa passagem contra a lógica do mal menor que serve perfeitamente para o debate eleitoral “Um mal menor é sempre menor que um subsequente possivelmente maior. Todo mal resulta menor em comparação com outro que se anuncia maior e assim até o infinito. A fórmula do mal menor, do menos pior, não é mais que a forma que assume o processo de adaptação a um movimento historicamente regressivo cujo desenvolvimento é guiado por uma força audaciosamente eficaz, enquanto que as forças antagônicas (ou melhor, os chefes das mesmas) estão decididas a capitular progressivamente, em pequenas etapas e não de uma só vez (...) (Cadernos do Cárcere, Caderno 16, §25)”.




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