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FAMÍLIA BOLSONARO

Quem é Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro que abrigava Queiroz em sua casa?

Nesta manhã, 18, o ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, foi encontrado na casa de Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro. Mas quem é ele?

quinta-feira 18 de junho| Edição do dia

Imagem: Daniel Marenco/Agência Globo.

Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro, iniciou sua carreira em 1992. Não se encontra muitos registros sobre o início de sua carreira. Isso porque, segundo ele: “Toda vida fui um cara discreto, não gosto de fama ou de holofote”, “Vou lá e faço tudo fisicamente. Assino. Você nunca vai achar meu nome nos processos eletrônicos, e faço de propósito. Não quero que saibam que advogo para o Flávio Rocha (acionista das lojas Riachuelo), para o David Feffer (acionista da Suzano Papel e Celulose)… Esses são os tipos de cara que se relacionam comigo, bilionários. Frequento a casa deles, advogo nas coisas íntimas do cara, da esposa, dos filhos, da empresa”, afirmou em entrevista para a revista Época. Flávio Rocha negou que Wassef tivesse trabalhado para ele.

Sua relação com a família Bolsonaro começou em 2016. Aparecia constantemente no gabinete do então deputado Jair Bolsonaro dizendo que “era amigo dos maiores PIBs do Brasil” e que apresentaria os empresários para Bolsonaro”. Passou então a ser o mentor das estratégias jurídicas de Bolsonaro e ajudou, inclusive, com conselhos sobre as ações movidas por Maria do Rosário e sobre as movimentações de R$ 1,2 milhões feitas por Queiroz em 2016 e 2017. Assumiu, então, oficialmente, o cargo de advogado de Flávio Bolsonaro no inquérito das “Rachadinhas” – processo que apura casos em que funcionários públicos nomeados devolvem parte dos salários aos políticos.

Frederick ficou mais conhecido após o casamento com Maria Cristina Boner Leo. No começo da relação, Maria era casada com Antonio Bruno Di Giovanni Basso, ex-vice-presidente de contas de mercado governamental da Microsoft. No início da década de 1990, Maria postou uma foto afirmando que representaria a Microsoft no Brasil, poucos anos depois, sua pequena revendedora de artigos de informática, TBA Informática, se tornou na TBA Holding, que reúne mais de 30 empresas. Quando os dois se separam em 2007 o patrimonio do casal era avaliado em mais de R$ 300 milhões. Hoje, Wassef e Maria Boner estão separados. Segundo a revista Época, Wassef acredita que há um complô contra ele envolvendo o ex-marido de Boner, pessoas ligadas a ela, jornalistas e criminosos motivados por vingança, uma vez que o advogado era assistente de acusação do processo que condenou Antonio por extorsão. Maria virou ré em 2006 por negociar propinas em troca de contratos no Distrito Federal, posteriormente, a investigação ficou conhecida como “Mensalão do DEM” e contou com cenas esdrúxulas de políticos colocando maços de dinheiro na cueca.

Durante esse período, Wassef cuidava das questões jurídicas da ex-esposa e foi aumentando a sua influência no Planalto. Fontes afirmam que foi ele quem indicou Fábio Wajngarten, genro de Silvio Santos, para o cargo de secretário-executivo do Ministério das Comunicações. Um outro vínculo entre eles é que o empresário Maurício Wajngarten, pai de Fábio, foi membro do Conselho Deliberativo do Hospital Israelita Albert Einstein. Segundo a revista Época, um interlocutor próximo do presidente afirmou que esse foi o motivo pelo qual Bolsonaro foi transferido para este hospital quando levou a facada, assim como foi o hospital em que Queiroz se tratou de câncer. Wassef afirma que não conhece Queiroz e que também queria saber onde ele estava (hoje descobrimos que Queiroz dormia embaixo do mesmo teto que o advogado).

Além de todo o envolvimento de Wassef com as sujeiras da família Bolsonaro e com casos de corrupção, seu passado também traz coisas bizarras. Segundo a revista Época, quando o advogado tinha 26 anos, defendeu Valentina de Andrade, que liderava uma seita que acreditava em extraterrestres e que Deus é maligno. Esta mulher foi acusada de participar de um crime que envolveu a morte de uma criança em rituais de magia negra; porém, ela nunca foi indiciada. Durante a investigação, foi pedido a prisão temporária de Wassef por conviver com membros da seita. Em sua defesa, disse que havia se aproximado de Valentina após ler o livro que ela escreveu, “Deus, a grande farsa”. Ele ficou interessado pelo conteúdo e procurou mais informações. Os dois trocaram correspondência por três anos e se tornaram amigos. Wassef, porém, afirma não ter feito parte do grupo.

Com todo esse histórico, fica bastante evidente a podridão tanto desse advogado quanto do governo Bolsonaro. Queiroz ter aparecido na casa do advogado não é um mero acaso, mostra que a família Bolsonaro e todos ao seu redor estão rodeados de sujeira e corrupção.

Apesar de ter vindo à tona a notícia de que Queiroz estava na casa de Wassef, o fato é que é bastante seletivo o que o STF escolhe divulgar sobre a podridão bolsonarista. Muito em base a disputa entre esses dois poderes.




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