Política

CRISE NAS ALTURAS

Primeiro vazamento que Temer se incomoda, e exige de Janot apuração imediata

O presidente Michel Temer enviou uma carta ao Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, para pedir celeridade nas investigações em andamento e também que as colaborações premiadas "por ventura existentes sejam, o quanto antes, finalizadas, remetidas ao Juízo competente para análise e eventual homologação e divulgação por completo". "Com isso, a eventual responsabilidade criminal dos investigados será logo aferida".

segunda-feira 12 de dezembro de 2016| Edição do dia

(Com arquivo da carta colhido e divulgado pela Agência Estado)

A iniciativa de Temer ocorre após ter o seu nome, e da cúpula do PMDB, citado na delação do ex-executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho, conforme divulgamos aqui. A estratégia do governo é questionar a legalidade da divulgação, o que, para deles, poderia comprometer a delação. O escalado, inicialmente, para fazer as críticas ao vazamento seria o senador Romero Jucá (PMDB-RR), mas após diversas reuniões o presidente decidiu tomar iniciativa e assinar o documento à PGR junto com a Advogada-Geral da União, Grace Mendonça. No sábado, Janot informou que iria solicitar uma investigação para apurar o vazamento de anexo de delação da Odebrecht.

Na carta, Temer atribui a necessidade da celeridade às investigações "a sérias crises econômica e política" que o País atravessa, destaca ações do governo para a retomada do crescimento e diz que o requerimento pela celeridade tem por objetivo ajudar o País. "A condução dessas e de outras políticas públicas a cargo da União vem sofrendo interferência pela ilegítima divulgação de supostas colaborações premiadas e investigações criminais conduzidas pelo Ministério Público Federal, quando ainda não completado e homologado", ou seja, utiliza-se dos ajustes que afetarão o conjunto da classe trabalhadora, para justificar o seu pedido de celeridade nas investigações, que afetam a cúpula do partido, mas que apenas nos revela a podridão de um sistema político que opera a serviço dos ricos e poderosos, e que precisa ser superado, pelas mãos dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre.

Não obstante, Temer diz ainda que o vazamento das delações gera um clima de "desconfiança, incerteza" obstruindo ações do governo, demagogicamente no momento em que é citado 43 vezes. E ainda destaca que o "fracionado" e lento desenrolar dos procedimentos pré-processuais envolvendo "múltiplos agentes políticos, funciona como elemento perturbador de uma série de áreas de interesse da União", leia-se reforma trabalhista, previdenciária, PEC 55, que favorecem aos patrões e políticos corruptos da mesma laia.

O presidente golpista destaca que seu governo está empenhado em “reformas estabilizadoras” para reverter os cenários social e macroeconômico de médio e longo prazo, acenando assim ao capital nacional e internacional, que pode ser uma alternativa, mesmo após ter 75% de rejeição do eleitorado, reforça que a celeridade de uma resolução envolvendo as delações são medidas "indispensáveis à superação da situação fática vivenciada pelo País e que muitos prejuízos têm trazido à União e, consequentemente, a toda a população brasileira".

Temer embarcou hoje à tarde para São Paulo, depois de uma série de conversas e articulações para tentar conter o estrago da delações e os problemas causados na base aliada, que já começa a apresentar insatisfações, sinalizando até mesmo alguns desembarques do governo.

A carta, enviada nesta segunda-feira, 12, foi recebida às 16h55 por Janot, de acordo com a cópia do documento divulgado pelo Planalto. Leia na íntegra abaixo:




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