Política

VAZA JATO

Por poder, Deltan e Moro preferiram "deixar passar" a denúncia de Flávio Bolsonaro

Em novo vazamento, no dia 21 de julho, o site The Intercept Brasil trouxe à tona mais uma denúncia de imparcialidade da Operação Lava Jato. Dessa vez, Deltan Dallagnol, coordenador da operação Lava Jato, foi acusado de ‘passar pano’ para Flávio Bolsonaro, sugerindo não tratar sobre o caso em entrevistas para não ter “bola dividida” que implique Moro: E se o pai estiver implicado?’

segunda-feira 22 de julho| Edição do dia

Imagem: Reinaldo Azevedo/UOL

Nas mensagens, fica claro que há um consenso de Deltan e de outros procuradores do Ministério Público Federal (MPF) de que Flávio Bolsonaro mantinha um esquema de corrupção em seu gabinete quando ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro.

O caso de Flavio Bolsonaro recentemente foi engavetado após o presidente do STF, Dias Toffoli suspender as investigações iniciadas sem aprovação judicial envolvendo o uso dos dados do Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

As mensagens vazadas seriam de dezembro de 2018 e janeiro de 2019. Nelas Deltan, se diz preocupado com Moro e seu rumo no governo Bolsonaro: “Agora, o quanto ele vai bancar a pauta Moro Anticorrupcao se o filho dele vai sentir a pauta na pele?”

Frente a preocupação das investigações respingarem no filho do Bolsonaro, no Governo e logo em Moro e sua possiblidade de chegar ao STF, Deltan sugeriu tratar: “Em entrevistas, certamente vão me perguntar sobre isso. Não vejo como desviar da pergunta, mas posso ir até diferentes graus de profundidade. 1) é algo que precisa ser investigado; 2) tem toda a cara de esquema de devolução de parte dos salários como o da Aline Correa que denunciamos ou, pior até, de fantasmas.”

Depois, em conversa pessoal com Roberson Pozzobon, procurador do MPF que integra a operação lava jato, descartou a segunda alternativa e desistiu de se expor a ir no fantástico dar entrevista nesse mesmo período.

Depois de especular acerca de diferentes declarações que poderiam dar sobre o caso de Flávio Bolsonaro, Dallagnol concluiu: “Só pode ser lido como chapa branca”. Pozzobon concordou e deu o seu veredito: “O silêncio no caso acho que é mais eloquente”.

Os assessores de Dellagnol, em outra conversa, também especularam sobre a falta de firmeza de Moro ao tratar de Flávio Bolsonaro e do acertado posicionamento do procurador que revelaria o seu “apartidarismo”.

Sobre as mensagens vazada pelo The Intercept Brasil

Como já afirmamos no Esquerda Diário sobre os vazamentos de mensagens divulgados pelo The Intercept Brasil, não podemos deixar de questionar o por quê, tanto o The Intercept, quanto a Veja e a Folha de São Paulo, que se incorporaram às publicações, divulgam as informações “a conta-gotas” e não tornam público todo o acervo que pode influenciar os rumos do país.

Nenhum dos três veículos de mídia foram críticos à Lava Jato durante o papel manipulador que cumpriu por 3 anos. Ao contrário, a Veja foi uma das maiores entusiastas da Lava Jato e do impeachment de Dilma; Glenn Greenwald já afirmou em entrevistas públicas mais de uma vez que admira os intentos que Lava Jato e os procuradores têm de “transformar o Brasil” e, mesmo que vendo alguns problemas nas atuações dos juízes, ainda legitimam essa nefasta operação que muito longe de tentar combater a corrupção (que é intrínseca ao capitalismo) serviu para transformar o regime e a correlação de força entre as classes no Brasil.

A Lava Jato nunca teve o objetivo de encerrar a corrupção no país, porque era ela mesma uma operação abertamente corrupta e corruptora, a serviço de garantir que os trabalhadores paguem pela crise que os capitalistas criaram. Seu objetivo era trocar um tipo de corrupção que se estabelceu ao longo de todo o último período entre o estado e as empresas por outra relação igualmente corrupta, mas com uma face imperialista, privatista e que agora se subordina a empresas estrangeiras que entraram no vácuo deixado por aquelas que naufragaram com a operação.

Esse foi o papel da operação, com o desgaste da Petrobras, rebaixando seu impacto no mercado para torná-la ainda mais atrativa ao capital estrangeiro, encarecendo preços dos combustíveis e privatizando imensas regiões do pré-sal; e com a prisão arbitrária de Lula e a manipulação das eleições que, ainda que não tivessem como objetivo primordial eleger Bolsonaro, acabaram escolhendo-o como “filho indesejado” da Lava Jato, que é quem avança hoje para levar até o fim o projeto do golpe: impor ajustes e reformas para que trabalhemos até morrer, em condições precárias, para garantir a ânsia de lucro dos capitalistas.

O The Intercept tem como seu maior financiador Pierre Omidyar, um bilionário iraniano radicado nos Estados Unidos desde muito jovem, que também é dono da empresa Ebay, um grande site de compras na internet, dentre outras empresas.

A atuação de Omidyar em temas políticos não se restringe ao Intercept. É sabido que Pierre Omidyar proveu vultosa parte do financiamento da oposição ucraniana pró-Estados Unidos nas eleições de 2004, revolução laranja ucraniana. É preciso ventilar a hipótese de até que ponto a imagem de “jornalismo imparcial” de Glenn não dá suporte para um outro projeto de frações intra-burguesas do imperialismo estadunidense para a américa latina, que não tem como sujeito e beneficiário o povo e a classe trabalhadora.

Para saber mais, leia

: Presságios inquietantes: o que as revoluções coloridas indicam sobre o Intercept




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