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Piñera: "Se é necessário reinstalar o estado de emergência, eu o farei"

Reforçando sua gratidão com os carabineros, anunciou seu plano para começar março no programa Estado Nacional. O objetivo: incrementar e modernizar a instituição para criminalizar as manifestações, e por outro lado “garantir” um processo constituinte cheio de armadilhas.

terça-feira 3 de março| Edição do dia

"Estou defendendo os carabineros porque é a sustentação da democracia". Explicou, enquanto o instituto nacional de direitos humanos registra cifras de feridos que chegam a 3.765 pessoas, 445 com feridas oculares, 2.122 feridos por disparos, 271 por bombas de gás lacrimogênio, e recentes assassinatos no último mês.

Sebastián Piñera insistiu em tratar como delinquentes as, os e es manifestantes, ameaçando que se continuasse a violência, voltaria a decretar estado de emergência “a ordem pública sempre tem que se manter nos marcos dos direitos humanos”. Como se fosse pouco, frente aos gritos das pessoas de “assassino”, enfatizou que lhe dói e considera isso injusto, argumentando que respeita os direitos humanos, precisando que os abusos são casos isolados.

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Quer meter medo. Anunciou uma maior preparação da força policial ao incrementar o número de carabineros e modernizar os equipamentos de repressão. Feliz de aprovar a lei anti-encapuzados, anti-saques, comunica que espera a rápida aprovação da lei sobre infraestrutura crítica, para que as empresas e serviços chave da economia sejam resguardados por militares. Tem medo que se repita e se supere a histórica greve do dia 12 de novembro, que apenas com um dia de paralisação colocou em cheque a continuidade do governo.

Simultaneamente, o governo coloca a garantia do plebiscito e preparam 2200 locais para votação. Mas por que partidos que defendem os interesses dos empresários apoiariam a possibilidade de que caia em pedaços a constituição implantada na ditadura? Qual comodidade existe para isso? É uma manobra ou armadilha para nos tirar das ruas e para instalar uma convenção constitucional troncha que não poderá tocar os pilares de seu modelo.

Todas e todos que queremos acabar com a Constituição de Pinochet não podemos esquecer que o chamado “acordo pela paz e uma nova constituição” está configurado para não tocar os pilares que sustentam o modelo econômico e social, como as AFP, saúde, educação ou a privatização dos recursos naturais. E é isso que se trata, de colocar um fim nas heranças da ditadura. Como dissemos: “não são 30 pesos, são 30 anos” e isso não se resolveu nem será resolvido por este processo. Seja pelo córum de ⅔, pela impossibilidade de tocar os tratados de livre comércio ou pela forma de eleição dos constituintes, ou porque é claro que são os partidos que aprofundaram a constituinção de Pinochet, como a direita e a ex Concertacion e novos referentes, que querem seguir tendo a “mão superior” neste processo constituinte e não tocar as heranças do modelo da ditadura militar. A Frente Ampla, por sua vez, se presta para leis repressivas como a lei anti-saques (anti-protestos na verdade) enquanto o PC busca esquerdizar a armadilha constituinte.

É por isso que não podemos abandonar a mobilização para confiar em um processo constituinte trapaceiro, pelo contrário, devemos aprofundá-la e lutar por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, retomando o caminho do 12 de novembro, a luta pela greve geral e que caia Piñera. Todas e todos aqueles que estamos devemos ser milhões nas ruas, com métodos de luta. Agora que os secundaristas convocam um “mochilaço estudantil” nos dias 4 e 5 de março, e se aproxima o 8 e 9, devemos avançar rumo a uma paralisação efetiva e com mobilização.

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