Sociedade

PARAOLIMPÍADAS

Paraolimpíadas, jogos da inclusão. Um discurso longe da realidade?

Ontem, dia 7 de setembro de 2016, começou mais uma parte dos megaeventos no Rio de Janeiro: a Paraolimpíadas, com período curtíssimo de 07/09 à 18/09. Um curioso detalhe é que a data coincide com o feriado de Independência do Brasil, enquanto muitos portadores de necessidade especiais não conseguiram sua independência, pois encontram diversos obstáculos no seu dia a dia.

Guilherme Hamilton dos Santos Silva

Estudante de Historia UERJ

quinta-feira 8 de setembro| Edição do dia

Diferente da preparação para as Olimpíadas, dessa vez não tivemos um feriado que antecipasse a chegada de atletas e turistas no meio da semana, em uma quarta-feira. Sem apoio para transporte e condições de levar a população ao espetáculo, o governo do Rio não está preocupado com acessibilidade e, como sabemos, acessibilidade é um problema real na cidade do Rio de Janeiro, pois os ônibus não possuem acesso ao cadeirante, ou profissionais treinados, sinais de trânsito sonoros são poucos, em grande parte concentrado na zona sul da cidade, próximo ao instituto Benjamin Constant, além de milhares de calçadas sem piso tátil.

Um espetáculo artístico sem precedentes, temos início com uma roda de samba com Diogo Nogueira, Xandy de Pilares, Maria Rita, Hamilton de Holanda, pastoras da Portela entre outros. A roda de samba entra em diálogo com as rodas, grande invenção que proporciona uma ótima alternativa aos portadores de necessidade especiais em seu dia a dia. Outra participação importante é a do grande maestro João Carlos Martins, com atrofia nas mãos, representando a inclusão e excelência na música.

Entre as delegações podemos ver que as paraolimpíadas ainda encontram resistência em seu investimentos aos atletas, pois vimos potências olímpicas como a China com cerca de 50 pessoas em sua delegação, enquanto países como o Haiti tinham apenas dois atletas.

Mais uma vez o povo mostrou que não estava dormindo: enquanto fazia seu discurso, o presidente do comitê olímpico Carlos Arthur Nuzman foi interrompido por vaias após citar o apoio do governo (GOLPISTA) federal, e teve que se silenciar enquanto o povo fazia seu protesto, obrigando o presidente a dar espaço às vaias e gritos de fora Temer. Sabendo da insatisfação de seu governo GOLPISTA Temer, mais uma vez, foge do diálogo e faz um rápido discurso, mas não escapando dos gritos de “FORA TEMER”.

O revezamento da tocha contou com momentos únicos, como quando a ex-atleta e medalhista olímpica Marcia Malsar se desequilibrou e veio a cair no chão derrubando a tocha. Aplaudida de pé por todo o Maracanã, Marcia se levanta e continua o trajeto, mostrando mais uma vez a força de vencer cada obstáculo do dia a dia enfrentado por eles. Outro momento emocionante foi quando Clodoaldo Silva, cadeirante, encontra uma enorme escada como obstáculo para acender a pira paraolímpica, o que abre o questionamento de por que não usarmos rampas. Isso é inclusão, rampas todos usam e tem acesso. De repente as escadas se transformam-se em rampa dando acesso, liberdade e independência para Clodoaldo chegar ao seu destino.

Como encerramento temos duas canções brasileiras que nos trazem um questionamento importante. A primeira é “ Eu acredito é na rapaziada” de Gonzaguinha com a letra:

Eu acredito é na rapaziada
Que segue em frente e segura o rojão
Eu ponho fé é na fé da moçada
Que não foge da fera, enfrenta o leão
Eu vou à luta com essa juventude
Que não corre da raia a troco de nada
Eu vou no bloco dessa mocidade
Que não tá na saudade e constrói
A manhã desejada

Engraçado isso vindo de um governo GOLPISTA que só aumenta a repressão e desce a bala e violência na rapaziada que luta pela manhã desejada.

E após isso uma outra música, “É preciso saber viver” dos Titãs, que nos deixa a seguinte pergunta: é preciso saber viver? ou sobreviver, com esse governo que só nos tira direitos e explora a classe trabalhadora a cada ataque diário?




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