Internacional

RACISMO NAS OLIMPÍADAS

Olimpíadas: uma história repleta de racismo

Sob as luzes do espetáculos multimilionário que são as Olimpíadas, ao longo da história tem se escancarado a discriminação racial diante dos olhos de todo o planeta.

sábado 13 de agosto| Edição do dia

A reapropriação dos Jogos Olímpicos, originários da Grécia Antiga, começa a partir de 1896 em forma de megaeventos há cada quatro anos para mostrar o desenvolvimento de recursos das grandes potências. Dessa forma, os Jogos são retomados na Idade de Ouro dos grandes atos de ostentação política dominante, como as Exposições Universais, constituindo do mesmo modo uma demonstração de poder das burguesias imperialistas em plena expansão.

Assim, se vem celebrando há cada 4 anos, exceto durante as duas guerras mundiais, constituindo uma imagem estática das relações de poder a nível internacional, assim como o racismo, que as classes dominantes se esforçam para maquiar diante da “plural” comunidade internacional a opressão racial que exercem.

Por exemplo, em 1904, em Saint Louis, EUA, se desenvolveram de forma paralela as Olimpíadas, os Jogos Antropológicos, em que era obrigado competir aqueles que os supremacistas brancos estadunidenses consideravam “seres primitivos”, como negros africanos, nativos americanos, patagões, sírios, ou pigmeus.

As provas consistiam em trepar em árvores ou disparar arcos e flechas (o qual depois seria considerado esporte olímpico) por uma parte e por outra, os faziam competir em esportes que não conheciam para burlar o resultado.

O objetivo desses Jogos era reafirmar uma suposta superioridade dos brancos angloamericanos, enquanto nas Olimpíadas de Saint Louis um negro filho de escravos de Missouri chamado Gerge Poage ganhava duas medalhas de ouro no atletismo.

Outro dos mais célebres azares ao supremacismo branco se tornou realidade com quatro medalhas de ouro de recorde mundial no atletismo pelo atleta afroamericano Jesse Owens nos Jogos Olímpicos de Berlin em 1936. Assim, respondeu às extensas teorias pseudocientíficas sobre a superioridade racial ariana que se estendiam por toda a Europa e América do Norte e que Hitler quis provar nesses Jogos.

Nesses Jogos, a Alemanha Nazista tratou de mostrar-se como um país que respeitasse a comunidade internacional, obrigando a rebaixar o racismo dos jornais e tratando de eliminar as cartilhas racistas da Vila Olímpica, que no dia da inauguração se encontrava cheia de proibições na entrada “aos cachorros e aos judeus”.

Assim como Jesse Owens, estrela dos Jogos, não recebeu a saudação do Fuhrer, também não recebeu de Roosevelt, já que isso significava arriscar o voto dos brancos racistas do Sul estadunidense em plenas eleições presidenciais. A titular alemã do recorde de salto em altura, Gretel Bergam, também foi excluída da equipe antes das Olimpíadas por sua origem judia.

Enquanto isso, em Barcelona se celebrava as Olimpíadas Populares, de orientação antifacista, como resposta aos Jogos Olímpicos de Berlim, que serviam como fuga do nazismo, elas foram suspendidas pelo início da Guerra Civil Espanhola;

Outro dos gestos mais recordados contra o racismo nos Jogos Olímpicos aconteceu nos Jogos do México em 1968, os quais se celebraram dias depois da sangrenta matança de Tlatelolco por parte do governo mexicano que deixou vários estudantes e trabalhadores mortos.

Os ganhadores das medalhas de ouro e bronze em 200 metros rasos, Tommy Smith e John Carlos ergueram o punho envolto em uma luva preta para saudar o Black Power enquanto soava o hino estadunidense.

Levavam uma luva e um lenço preto como símbolo da pobreza e orgulho negro respectivamente, assim como o agasalho aberto como mostra de solidariedade aos operários e um colar de miçangas que era “para as pessoas que foram linchadas, ou assassinadas, e ninguém fez uma oração por eles, que foram enforcados e para os que foram jogados pela água no meio do caminho”.

Quando saíram do pódio foram vaiados para depois ser objeto de tentativa de expulsão por parte do presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), o estadunidense Avery Brundage, que não se opôs em 1936 à saudação nazista no pódio. Posteriormente, apareceriam nas capas dos meios de comunicação de todo o mundo e seriam objeto de discriminação trabalhista e social e de ameaças de morte de volta aos EUA.

Depois Smith diria: “Com certeza, sou americano, e não afroamericano. Mas se eu fizer algo errado, então dirão que sou um negro. Somos negros e estamos orgulhosos de sê-lo. A América negra entenderá o que fizemos essa noite”.
Hoje, em torno dos Jogos Olímpicos do Rio 2016 também flutua um aro de opressão racial que se condensa na repressão policial à população negra e das favelas no Brasil, por parte de forças policiais racistas brasileiras, uma das mais assassinas do mundo. Essa situação se intensifica logo na abertura dos Jogos Olímpicos, com uma política de “limpar a cidade”, tal como Hitler fez com os ataques aos romanos em Berlim justo antes dos Jogos de Berlim.

Assim, se repete o assassinato racista que afeta a população negra nos bairros das cidades brasileiras, silenciado pelos meios de comunicação para que não afete o brilho das luzes das Olimpíadas, que esconde as massas pobres do Brasil.
Ao mesmo tempo, numerosos protestos contra o governo golpista de Temer no Brasil são duramente reprimidos enquanto ele gasta 30000 milhões de reais (mais de 8000 milhões de euros) nos Jogos, quando as escolas são fechadas, os leitos dos hospitais públicos são reservados para os atletas e as filas de espera nas salas de atendimento médico são intermináveis.

Os Jogos Olímpicos do Brasil voltam a evidenciar a terrível desigualdade e racismo que leva à perpetuação desse sistema, apesar da “festa” que as burguesias internacionais tratam de vender-nos.




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