Para Bolsonaro crise é "fantasia", importante é seguir agenda de reformas

Bolsonaro trata como piada e “fantasia” a concreta realidade de disparada do dólar que, ontem (9), chegou a proporção histórica de R$ 4,76 e a bolsas de valores que, no mesmo período, despencou 12%.

quarta-feira 11 de março| Edição do dia

O presidente Jair Bolsonaro negou, nesta terça-feira (10), em Miami (EUA), que haja uma crise no Brasil, após o dia caótico enfrentado pelo mercado brasileiro na véspera, havendo até mesmo intervenção do Banco Central para contar a alta do dólar. Entretanto, o presidente afirmou que é “uma fantasia” e culpou o alarde da imprensa, mais uma vez.

“Durante o ano que se passou, obviamente, tivemos momentos de crise. Muito do que tem ali é muito mais fantasia. A questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propaga.” afirma ele.

Apesar, de fato, do grande terrorismo da imprensa acerca da doença, os casos no mundo e no Brasil não param de crescer e o governo já afirmou que “quarentena é em casa” e que os hospitais particulares não irão tratar.

Bolsonaro trata como piada e “fantasia” a concreta realidade de disparada do dólar que, ontem (9), chegou a proporção histórica de R$ 4,76 e a bolsas de valores que, no mesmo período, despencou 12%, que são processos que impactam diretamente na vida da população com os altos preços de alimentos e utensílios básicos como o gás de cozinha e a gasolina, pois quem pagará a conta, não serão as empresas, mas a alta será repassada para o consumidor final, a fim de manter os lucros dos patrões. A junção desses elementos tem aumentado as tendências recessivas que já pairavam na economia. Veja mais

No evento, marcado para discutir as relações entre Brasil e Estados Unidos, Bolsonaro ainda voltou a falar das reformas tributária e administrativa

"Temos agora dois desafios, um deles a reforma tributária, que julgo tão importante quando a previdenciária", afirmou. Segundo o presidente, a alteração das regras tributárias é necessária para "transformar o Brasil em um país mais fácil de fazer negócios."

Fazer negócios, para o presidente, é, na verdade, colocar o país, ainda mais, como um quintal dos países imperialistas. Aprofundar sua política entreguista e de submissão aos grandes capitalistas. Além de reivindicar a nefasta Reforma da Previdência, ponto que uniu congresso e governo para nos obrigar a trabalhar até morrer.

Bolsonaro quer mascarar o fato de que, apesar de estar aplicando sua agenda ultraneoliberal, acompanhado de Paulo Guedes, a economia não tem respondido. O “PIBinho”, como ficou conhecido após fracassar em seu crescimento, aumentou apenas 1,1%, quando o esperado era, no mínimo, 2%, e o Brasil tem perdido cada vez mais posições no mercado internacional.

Nesse contexto, não é possível descartar que haja uma aceleração nos ataques neoliberais e ultraliberais como as reformas que estão sendo propostas e votadas todos os dias desse governo. É necessário se organizar nos atos contra Bolsonaro e esse governo, nos dias 14 e 18 de Março, para suportar aos impactos da possível recessão e aos ataques que virão da burguesia a fim de manter, mesmo num período de tão aguda crise, manter os lucros dos capitalistas; impedindo que se descarregue, nas costas dos trabalhadores e povo pobre, a crise que esse próprio sistema criou.

Imagem: Plantão Brasil




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