Economia

Entenda alguns dos caminhos dos impactos da crise no Brasil

terça-feira 10 de março| Edição do dia

Na segunda-feira, o choque de preços do petróleo foi mais um fator para, conjuntamente com os impactos do coronavírus, provocarem um derretimento das bolsas de valores pelo mundo. Entretanto, esses dois ingredientes explosivos que se agregaram ao atual caldo econômico global, apenas detonaram as tendências recessivas que já vinham em maior ou menor grau latentes na economia.

Na economia nacional, os dados divulgados uma semana antes pelo IBGE referentes aos resultados econômicos de 2019, com um amargo "pibinho" de 1,1%, já expunham a debilidade do crescimento no país, revelando também os limites do comércio internacional. Na realidade, nenhuma surpresa para quem acompanhava os dados referentes ao mercado de trabalho, em que segue o alto desemprego (11,9 milhões de desempregados) e sua trajetória de avanço da precarização (17 estados atingiram o recorde de informalidade), números que denunciavam a fragilidade do consumo e da demanda interna.

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No quesito exportações, o Brasil, como toda a América Latina está especializado em exportar commodities, a redução no volume exportado e no preço do que é exportado reduz arrecadação dos Estados, reduz dinheiro nas mãos dos capitalistas nativos.

A pauta de exportação brasileira é fortemente dependente de commodities, em 2019 a soja e seus subprodutos representaram 14,19% das exportações, o ferro e suas ligas 13,35%, o petróleo e seus derivados 12,13%, as carnes 5,75%, a celulose 3,32% e o milho 3,20%. Todos esses produtos valem menos em 2020 do que em 2019. A começar pelo petróleo e sua imensa queda.

Essa queda nos valores exportados, mensurável antes da guerra de preços do petróleo, e que esta agravará ajuda a explicar a queda no valor exportado, que, mantida a tendência de janeiro e fevereiro resultará numa redução das exportações em US$ 40 bilhões no ano ou uma contração de 17%. É possível esperar uma queda mais expressiva do que isso, visto que os preços em março caíram ainda mais, e a dinâmica recessiva começa a se fazer sentir em mais lugares do que na China e sua quarentena em determinadas províncias.

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Como ficará o consumo em estados brasileiros dependentes da geração de recursos para a burguesia exportadora, tais como se vê no Rio Grande do Sul, no Paraná e no centro-oeste e sua exportação de soja e milho? Como fica a arrecadação estatal em Minas Gerais e no Pará se o preço do ferro caiu 5% só neste dia 09? E os royalties no Rio de Janeiro com um preço do petróleo 30% menor?

Esse exercício mostra o “impacto mínimo” da atual crise no país. Ou seja, no melhor dos cenários, teremos uma tendência recessiva (de alguns meses) impactando sobre um país que já tem um crescimento nulo de 1,1%, e soma-se a isso tudo uma tendência a queda na arrecadação em alguns estados que já vivem uma crise fiscal relevante (tais como RS, MG, RS, GO).

A partir dessa reflexão se impõe pensar os múltiplos reflexos da economia, na política e na luta de classes. Não é possível vislumbrar que impactos dessa magnitude, mesmo nos cenários “mínimos” não impactem em possibilidades de aceleração dos ataques neoliberais e ultraliberais, não impactem na subjetividade das diferentes classes sociais que desejam aumentar seus lucros parasitários ou desejam resistir a maior e continuada miséria que a burguesia e o imperialismo tem a oferecer.

Desse ponto de vista o dia convulsivo nas bolsas de valores prenuncia dias muito mais convulsivos na política e na luta de classes. E a esse tema é necessário colocar outras indagações e uma atuação consciente para sustar o caminho que Bolsonaro, Guedes, mas também Maia e a Globo terão a nos oferecer.




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