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RIO DE JANEIRO | Paes atrasa vacina para os serviços essenciais e ataca aposentadoria da saúde e educação

Apenas 13,1% dos cariocas teve acesso às vacinas, mas Paes faz demagogia dizendo que todos serão vacinados... só não se sabe quando. Enquanto isso, o prefeito anuncia uma série de ataques contra profissionais da saúde, professores e demais servidores municipais.

segunda-feira 5 de abril de 2021 | Edição do dia

Eduardo Paes faz demagogia com a vacinação de trabalhadores da limpeza urbana, enquanto maquina ataques à previdência de profissionais da saúde, professores e demais servidores municipais. O que Paes não fala, em sua demagogia, é que a inclusão destes profissionais se dá dentro do escopo do calendário de idades, ou seja, já seriam vacinados no lento calendário de vacinação por idades de Paes e dos prefeitos e o faz implementando uma Reforma da Previdência que retirará direitos. Dá parcialmente com uma mão para parecer bonzinho e retira com a outra.

No comunicado, Paes ainda separa as categorias entre quem é maior de 45 anos. Os últimos desta fila terão que esperar até 29/05, quase 2 meses para serem vacinados. Até lá, serão dois meses de exposição ao vírus:

Depois da mobilização de trabalhadores de setores essenciais em algumas capitais do país, exigindo vacinação imediata, as prefeituras de diversas capitais incluíram algumas categorias no seu calendário de vacinação, ao mesmo tempo em que a Câmara de Deputados o fazia, em lei aprovada no último dia 31. Foram incluídos, em uma lista que já constavam rodoviários e metroviários, os profissionais do Sistema Único de Assistência Social (Suas), das entidades e organizações de assistência social, e os conselheiros tutelares que prestam atendimento ao público; trabalhadores da educação do ensino básico em exercício nos ambientes escolares; coveiros, atendentes e agentes funerários; profissionais que trabalham em farmácias; oficiais de Justiça; taxistas e os mototaxistas; profissionais de limpeza pública. A lista ainda se omite acerca dos entregadores que trabalham em inúmeros serviços de delivery, que cresceram com a pandemia e o desemprego, sem falar dos motoristas de aplicativos, trabalhadores de supermercado.

A verdade é que não há vacina, e o estado brasileiro segue na sua gestão irracional da pandemia, priorizando manter o monopólio das vacinas por grupos privados capitalistas, ao invés de quebrar imediatamente a patente das vacinas e começar a produzi-las em massa em solo nacional.

Paes, enquanto anunciava aos trabalhadores da limpeza que estes estariam incluídos no calendário de vacinação da prefeitura, anunciava também ataques aos trabalhadores com uma reforma previdenciária do Funprevi, que, além de confiscar mais salário dos servidores, abre as portas para ainda mais privatização da previdência municipal e aumenta o tempo de trabalho em vários anos.

As regras propostas são:

- aumento da contribuição do servidor de 11% para 14%
- aumento da idade mínima para aposentadoria, 62 anos para mulheres e 65 para homens
- teto de aposentadoria para R$ 6,3 mil, igual ao teto do INSS
- criação de um sistema de previdência complementar, para quem quiser se aposentar e ter vencimento acima do teto

Os argumentos para a reforma são os mesmos usados por Crivella, quando este fez a sua própria reforma no primeiro ano de sua gestão-catástrofe: um suposto rombo previdenciário de 1 bi ao ano no Funprevi. Aliás, os gestores do Previ-Rio também são os mesmos da época de Crivella.

O salário dos servidores, defasado com a inflação e falta de reajustes pela prefeitura, é apontado como culpado pela prefeitura de Eduardo Paes – que passou os primeiros meses do ano sem pagar o décimo terceiro do ano passado – enquanto que os esquemas da época de Crivella não são apontados ou suas investigações nem tem efeito. A denúncia de que havia propina sendo paga para ofertar planos de Saúde da Assim através da Previ-Rio sumiram dos holofotes da imprensa do dia para a noite. Eduardo Paes parece preferir governar encobertando os estragos que podem ter sido feitos pelo QG da propina.

Nesta terça, 06/04, servidores da prefeitura e sindicatos das categorias convocaram um ato às 14h na Cinelândia, em frente à Câmara Municipal. O Esquerda Diário se soma à esta convocatória.

Setores da esquerda enxergam em Eduardo Paes em um possível aliado em 2022 e por isso baixam a guarda para os seus ataques. Até agora parlamentares limitaram-se apenas a criticar o projeto em suas redes e não chamam os trabalhadores e sindicatos a se mobilizarem. Com o nível de calamidade social e sanitária que vive o Rio hoje não podemos esperar até lá. Além disso, o atraso na vacinação junto a retirada de direitos demonstram que o prefeito nunca foi e nunca será um aliado, mas um inimigo, que assim como Bolsonaro não está interessado em garantir vidas e é corresponsável pela crise descarregada nas costas dos trabalhadores.

A esquerda, os sindicatos, precisam urgentemente girar forças para desmascarar Paes e combater esse ataque. Até agora se viu um enorme silêncio em torno desse governo que foi parte de construir essa correlação desfavorável aos servidores, os parlamentares do PSOL necessitam ir além de postar em suas redes sociais contra a medida, como tem feito, e cobrar ativamente CUT, dirigida pelo PT e CTB, dirigida pelo PcdoB, necessitam mobilizar suas bases para combater a reforma da previdência.

Para dar cabo a situação de crise econômica e sanitária, na saúde seria necessária a reconversão das indústrias, testes massivos, o isolamento dos infectados, a expropriação dos leitos privados para garantir que todos possam ser tratados e contratação imediata para colocar para funcionar os leitos fechados. E na economia, ao invés de atacar o funcionalismo e dos trabalhadores, Paes deveria estar tratando de criar empregos. Defendemos uma taxação progressiva das grandes fortunas na cidade e uma Petrobras 100% estatal para financiar um plano de obras públicas para combater o desemprego e financiar uma reforma urbana radical com o dinheiro dos acionistas. Como ele governa para os empresários e não para os trabalhadores que fazem a cidade funcionar, nunca tomará nenhuma dessas medidas fundamentais que garantiriam nossas vidas.

Leia mais: "Guerra pelas vacinas": frente à irracionalidade capitalista, anulação das patentes e vacinas para todo mundo




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