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SERRA NO ITAMARATY

PM ex-réu do massacre do Carandiru é nomeado por Serra ao Itamaraty

“Quem mata mais ladrão, ganha medalha de prêmio”, cantou o rapper Mano Brown em “Diário de um Detento”. Para nós, uma terrível constatação. Para a classe dominante, é padrão de conduta.

quarta-feira 10 de agosto| Edição do dia

José Serra (PSDB), atual ministro das Relações Exteriores do governo golpista de Michel Temer, nomeou no dia 4 de agosto, como seu assessor especial em Brasília, o ex-policial militar Hideo Augusto Dendini, um dos PMs envolvidos e julgados pelo massacre do Carandiru.

Ele exercerá um dos mais altos cargos da pasta do Ministério, denominado DAS 5. E não é a primeira promoção que ele recebe: em 2004, no governo de Alckmin, foi promovido a capitão da PM paulista; e no mandato de Serra como senador desde 2014, já ocupou o cargo de assistente parlamentar sênior, com salário de R$ 14.184,25. E atualmente, segundo o site de transparência do governo de SP, recebe de aposentadoria R$ 14.295,61 líquido.

O envolvimento no massacre do Carandiru

O Robocop do governo é frio
não sente pena, só ódio e ri como a hiena
Ratatatá, Fleury e sua gangue
vão nadar numa piscina de sangue

O assassinato a sangue frio de 111 detentos do Carandiru em 2 de outubro de 1992 foi relatado várias vezes, inclusive por artistas como Mano Brown e um dos detentos do presídio, Jocenir, preso após o massacre, que escreveu a partir dos relatos dos próprios sobreviventes.

Com a justificativa de conter uma briga entre detentos, os policiais receberam a autorização do então governador de São Paulo, Luiz Antonio Fleury Filho, para a ação. Nenhum detento portava armas de fogo e o IML comprovou que 102 dos 111 foram mortos a tiros.

Dendini, um dos 73 policiais envolvidos no massacre e um dos acusados por lesão grave, foi absolvido. Esse crime refere-se ao momento final em que os detentos já se encontravam todos rendidos e ainda assim foram espancados.

A “medalha de prêmio”

Está cada vez mais escancarado que o judiciário não é neutro. Ele é parte de um estado que serve aos interesses da classe dominante e, enquanto tal, favorece os que agem de acordo com seus interesses.

Assim como vemos, no atual cenário do golpe institucional, o judiciário arbitrando em favor do fortalecimento de uma alternativa de governo mais duro contra os trabalhadores, vemos em todas as estatísticas que assassinatos mascarados de “auto de resistência” ou “contenção” quase nunca são julgados, nem muito menos condenados. O massacre do Carandiru é mais um deles, bem emblemático.

E como se não bastasse a impunidade pelo massacre, ainda recebem benesses e altos cargos em Brasília, hoje pelas mãos dos golpistas.




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