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Nova jornada de luta no Chile desafia o estado de emergência e a repressão

Às grandes mobilizações se somou a paralisação de portuários e mineiros de La Escondida. O estado de emergência e o toque de recolher do presidente repressor Piñera segue se chocando com a resistência operária e popular.

terça-feira 22 de outubro| Edição do dia

O Chile viveu nesta segunda-feira uma nova jornada de luta contra o governo repressor de Sebastián Piñera. O estado de emergência e os toques de recolher que pretendem impôr em distintas cidades continua se chocando com a resistência que mostras os setores de trabalhadores e populares, com um alto número de jovens à frente.

A quarta jornada consecutiva de luta arrancou com a paralisação dos portuários que paralisou as atividades em 20 portos. Os trabalhadores também marcharam em Antofagasta e em outras cidades como Valparaíso, Temuco e Concepción e contaram com a solidariedade dos mineiros de La Escondida, a maior produtora de cobre do mundo.

Ás manifestações se somaram estudantes secundaristas e universitários que em vários centros de estudos do país vêm realizando assembleias para discutir a necessidade de uma paralisação nacional e como seguir as mobilizações.

A capital amanheceu com relativa calma mas, depois que acabou as assembleias estudantis, eles começaram a marchar para a Praça Italia no centro da cidade, conseguindo o apoio de milhares de vizinhos que se somaram ao protesto, fazendo soar os agudos panelaços. No meio da tarde já eram dezenas de milhares desafiando o estado de sítio.

“O povo despertou”, se lia em cartazes exibidos por alguns cidadãos em uma das muitas concentrações na capital, especialmente massiva na central Praça Italia, mas também em outros pontos importantes como a praça Ñuñoa e a porta da Escola Militar de Santiago.

O toque de recolher decretado novamente pelo Exército para esvaziar as ruas a partir das 20h, longe de amedrontar as pessoas, foi motivo de palavras de ordem como “Que vão os milicos” e “Fora Piñera”, ou até contagens regressivas até o horário de início da medida.

Milhares de jovens resistiram durante horas a uma forte repressão do exército que, além de mangueiras d’água, avançava com tanques e infantaria e aconteceram violentas manobras como se lidassem com uma batalha contra outro exército.
A política que anunciou o presidente Piñera em uma conferência de imprensa no domingo, onde assegurou que o Chile estava “em guerra contra um inimigo poderoso”, tratou de ser colocada em prática nesta segunda-feira, com um salto na militarização e na repressão aos manifestantes.

Nestes 4 dias, os mortos já superaram uma dezena. Há quase 300 feridos (muitos por armas de fogo, vários em estado grave) e aproximadamente 2000 presos. O Instituto Nacional de Direitos Humanos informou que já foram apresentadas 12 queixas e denúncias de tortura e coerção ilegal.

Apesar da brutal repressão, a jornada desta segunda-feira mostrou que não podem terminar com as mobilizações usando a força. Os estudantes seguem se organizando e mobilizando, igual a distinto setores operários e populares. A Central Única de Trabalhadores anunciou para quarta-feira uma paralisação nacional se o executivo não acabar com o estado de sítio e com os toques de recolher. Embora com um desmobilizador chamado "para esvaziar as ruas", os dirigentes sindicais tiveram que se posicionar frente à convulsão social e ameaçar parar o país. Uma ação desta magnitude, ganhando novamente as ruas, pode ser chave para derrotar Piñera e sua política de repressão e ajustes.

Depois das mobilizações, que também se repetiram em cidades como Valparaíso e Concepción, onde o governo também impõe o toque de recolher, Piñera se dirigiu ao país desde La Moneda, sede da presidência chilena, confirmando o retrocesso do aumento da passagem do metrô, mas manteve o discurso de estigmatizar a mobilização rotulando os e as participantes de delinquentes e violentos. Ainda que sob o discurso de “guerra” do domingo, confirmou a política repressiva que seguirá tentando impôr nos próximos dias.

Piñera também anunciou que nesta terça-feira se reunirá com todos os partidos políticos em busca de medidas para “a reconstrução do país” e “melhorar as pensões, baixar o preço dos medicamentos e melhorar a qualidade dos cuidados da saúde”. Um enorme cinismo que apenas aponta a enganar a população para desmobilizar e assim conseguir retomar a ofensiva com sua política neoliberal.




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