Sociedade

GUERNICA

Neste Dia das Crianças, lutemos como as meninas e os meninos de Guernica!

Desde julho, um território de cerca de 100 hectares em Guernica, na província de Buenos Aires (Argentina), foi ocupado por cerca de 3 mil famílias sem emprego e sem moradia, atingidas em cheio pela crise. Dentre elas, centenas de crianças, resistindo ao frio, à fome, à chuva e lutando por um lugar para morar em meio à pandemia, sob ameaças e ataques do governo.

segunda-feira 12 de outubro| Edição do dia

Meninos e meninas se mobilizam junto aos seus pais na luta por um pedacinho de terra em meio à crise que passa a Argentina. São centenas de crianças que viram seus pais perder o emprego e ficar sem ter como pagar os aluguéis. Segundo os ocupantes, cerca de 90% dos moradores da ocupação estão desempregados.

Além de resistir às adversidades das péssimas condições em que estão morando, as crianças e suas famílias precisam encarar os ataques e ameaças por parte do governo, que defende o interesse dos proprietários do terreno desocupado há décadas e sem uso.

Foto: Sebastián Linero - Enfoque Rojo

Dados do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) apontam para um aumento da pobreza em 40,9% da população na Argentina. UNICEF divulgou números ainda mais dolorosos: até o final do ano haverá 8,3 milhões de meninas e meninos pobres em todo o país, um número que representa 63% do total e demonstra uma piora das condições atuais, onde 7 em cada 10 menores já estão na pobreza. Em relação a meninos e meninas que vivem em situação de extrema pobreza, ou seja, indigência, a projeção é de 2,4 milhões (18,7%).

Foto: Sebastián Linero - Enfoque Rojo

Em entrevista ao La Izquierda Diario, quando questionados sobre por que apoiavam a ocupação, um grupo de meninas disse com firmeza: “Porque queremos uma casa nossa”, “Queremos que nos deixem estar aqui, não nos tirem”.

Desde o início do processo de ocupação em Guernica, muitos professores todos os dias vão dar apoio e solidariedade às famílias que lutam pela terra para construir a sua casa, acompanhando-as em mobilizações, assembleias e conferências de imprensa. Por meio de campanhas de doação de alimentos, fraldas e roupas que reuniram com centenas de outros trabalhadores e jovens, foi construído um forte vínculo com as famílias.

A precariedade de moradia, as necessidades permanentes e a falta de meios tecnológicos adequados explicam que grande parte das crianças não tem contato com professores, daí surgiu a ideia de montar uma pequena escola para acompanhar meninas e meninos e suas famílias.

A resposta foi imediata e na segunda-feira com a ajuda de vizinhos, foi criado um espaço no Bairro La Lucha para promover o apoio escolar para continuar apoiando as crianças e suas famílias nesta luta.

E mais, no dia da saúde mental, na última semana, psicólogos, assistentes sociais e médicos montaram uma tenda de assistência para os moradores de Guernica, especialmente as crianças, como parte de uma iniciativa dos militantes do PTS (organização argentina irmã do MRT) e o La Izquierda Diario que está cobrindo fortemente o processo de luta desde seu início. Ontem, inclusive, foi realizado um festival com a participação de diversos artistas reconhecidos da Argentina.

Neste Dia das Crianças também nos inspiramos nas meninas de Jujuy, que frente a onda de feminicídios têm tomado as ruas com suas mães, tias e diversos movimentos de mulheres, para exigir justiça frente aos feminicídios, protagonzando as maiores manifestações contra a violência contra as mulheres na história do estado.

Veja mais:: [http://laizquierdadiario.com/NiUnaMenos-en-Jujuy-el-repudio-a-los-femicidios-volvio-a-copar-las-calles]

Nesse momento, tem uma ordem da justiça para despejo da ocupação para o dia 15 de outubro, enquanto a luta das famílias de Guernica vem conquistando uma forte repercussão em toda a Argentina, com a realização de manifestações, como a que ocorreu na última quinta-feira, em apoio à luta de Guernica e por justiça para Facundo.

Fotos | Enfoque Rojo

O governo deve dar uma verdadeira solução para esses milhares de trabalhadores que estão desempregados e sem moradia. É preciso cercar da maior solidariedade esses trabalhadores e se espelhar muito em seu exemplo de luta e resistência.




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