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Não, Rosane, Marchezan não é socialista... É pura demagogia eleitoral

Resposta a texto de Rosane de Oliveira, do Zero Hora, que disse que as medidas de Marchezan (PSDB) para o transporte de Porto Alegre são "socialistas".

segunda-feira 27 de janeiro| Edição do dia

Rosane de Oliveira é conhecida por escrever em defesa dos ricos e poderosos do Rio Grande do Sul. Sua coluna na Zero Hora é um puxadinho dos grandes capitalistas gaúchos e não se cansa de falar contra os trabalhadores e a população mais pobre de Porto Alegre e do estado. Os professores do estado e os cobradores de Porto Alegre que o digam!

A última façanha de Rosane de Oliveira foi acusar o atual prefeito da capital gaúcha de apresentar medidas “socialistas” para o transporte público – o mesmo Marchezan cuja campanha foi apoiada por MBL, a extrema-direita, viúvas da ditadura militar e seguidores de Jair Bolsonaro.

Parece piada, mas é verdade. Em sua última coluna, a funcionária da RBS afirma: “Quando Marchezan disse que não aceitava a mediocridade e que apresentaria propostas “inovadoras e estruturantes”, deu o sinal de que estava gestando uma revolução. No caso, uma revolução socialista. Porque está propondo a socialização do custo do transporte, para que quem não precisa andar de ônibus financie o transporte de quem não tem outra opção.”

A alcunha de “socialista” se deve à proposta eleitoreira e demagógica de Marchezan em baixar a tarifa do transporte público para R$ 2,00 até 2021. O dinheiro, segundo Marchezan, seria arrecadado através de tarifas impostas à aplicativos de corrida, como Uber e 99 (R$ 0,28 por quilômetro rodado), aplicar um pedágio urbano para carros com placas de fora de Porto Alegre (R$ 4,70), cobrar uma taxa de mobilidade urbana para as empresas que empregam CLTistas (ao invés de cobrar vale transporte), extinguir a obrigatoriedade dos cobradores (medida que vem sendo amplamente rechaçada desde o ano passado pelos rodoviários e a população) e acabar com a taxa de gestão da Câmara de Compensação Tarifária (que representa hoje 3% do valor da tarifa). Cada uma das medidas, ao contrário do que Rosane afirma, não configura em nada algo próximo de “socialista”. A malandragem de Rosane é dizer que as medidas “socializam” o preço da tarifa com outros setores da sociedade. Isso é verdade. Mas nenhuma delas ataca o empresariado, muito menos o empresariado dos transportes que lucram horrores com o sucateado transporte público.

Taxar aplicativos de corrida cairá na conta do usuário ou do próprio trabalhador do Uber ou 99 (ou alguém acredita piamente que empresas gigantescas como Uber aceitariam de bom grado perder lucros por causa de medidas como essas?). A principal medida de Marchezan visa atacar brutalmente o transporte público pela via de extinguir o cargo de cobrador, o que levará milhares de trabalhadores para as ruas e tornará a função do motorista algo ainda mais perigoso. O pedágio urbano, que pesa no bolso do trabalhador de uma maneira infinitamente maior do que a do rico, vai afetar principalmente trabalhadores que se deslocam das cidades da zona metropolitana para trabalhar em Porto Alegre.

No final das contas, tudo isso seria garantido com generosos subsídios da prefeitura para as grandes empresas de transporte público da capital que mandam e desmandam na área há décadas. Ou seja, de modo geral, as medidas de Marchezan visam tão somente a sua reeleição em 2020, fazendo com que as contas bilionárias dos grandes capitalistas se mantenham intactas, bem como os lucros das empresas de ônibus. De onde menos se espera é de onde menos sai algo de bom. Com Marchezan não é diferente.

Por que a prefeitura não taxa grandes fortunas para investir em transporte, saúde e educação na capital? Por que a prefeitura não acaba com as isenções fiscais das grandes empresas da capital? Por que empresas sonegadoras, como a própria RBS da senhora Rosane de Oliveira, seguem atuando tranquilamente sem pagar os impostos bilionários que devem ao estado?

Marchezan não avança em nada disso porque o prefeito, apesar do populismo típicos de anos eleitorais, continua a serviço de garantir os interesses dos ricos, particularmente os empresários do transporte.

A maneira de avançar em um transporte público de qualidade, sem populismos, seria os próprios trabalhadores rodoviários, junto com os usuários do transporte público, gerirem o transporte, e que fosse 100% estatal. Ou seja, um transporte público 100% estatal sob controle dos trabalhadores e dos usuários. Apenas dessa forma é possível pensar um serviço de transporte que sirva aos interesses da maioria da população, sem visar lucros, e sim as necessidades da maioria. Isso, sim seria uma medida que beneficiaria os usuários e os próprios rodoviários (que mantêm a cidade rodando todos os dias) e tiraria das mãos de um punhado de empresários o destino de um serviço tão essencial. O socialismo visa atender às necessidades da maioria da população, não tem nada a ver com demagogia eleitoral e tira-lá-dá-cá em benefício do empresariado.




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